O convite feito em "A "morte" que revive o ser" não foi aceito. Fiquei triste porque não ocorreu, mas não foi isto que fez com que a indignação tomasse parte de mim. Sua resposta foi escrita em frases bem elaboradas e até certo ponto, poéticas e filosóficas. Apesar disto, desejaria não ter lido nenhuma daquelas frases, pois foi ao término desta breve, porém significativa leitura, que eu, aos vinte anos e quase cinco meses de idade passei pela minha primeira "dor de amor".
Começou quase que no fim da leitura. O convite não fora aceito, mas só tive certeza disto quando não entrou em contato comigo. (Sempre foi assim, se não aparecesse no horário ou não desse um telefonema eu já sabia que teria que voltar para casa...) Entretanto, suas palavras demonstravam nitidamente sua indecisão. Deixou bem claro que poderia ou não aceitar o convite.
Enfim, fiquei mais de vinte e quatro horas lendo, pensando e tirando as minhas próprias conclusões. Sei que foram conclusões um tanto precipitadas, mas a ansiedade em decifrar aquele pequeno texto e totalmente ambíguo atingia altos índices de euforia.
Passadas as mais do que infernais vinte e quatro horas eu não queria acreditar, mas era certa a resposta não.
...
Foi no dia três de julho de dois mil e dois, aproximadamente dezessete horas e vinte minutos. A escola, meu local de trabalho, estava praticamente vazia. Não teria aula naquele dia, mas eu havia combinado com os alunos que iríamos repor aula durante apenas meio período, ou seja, o necessário para esta ocasião.
Pois bem, lá estava eu, na sala dos professores, esperando que ele chegasse da reunião, a qual participava, e que dissesse algo. Não ocorreu desta maneira. Ele simplesmente chegou na sala, guardou seus pertences e saiu apressadamente. Nem ao menos mencionou uma palavra qualquer sobre o convite. Sua atitude foi comparada por mim, da seguinte maneira: imagine que você dê um presente para alguém que realmente considera e esta pessoa não diz nada, nem ao menos um obrigado. Como você se sentiria? Neste meu caso, em específico, era muito mais simples; três letras, e somente três letras, embora opostas, resolveriam o problema. Era sim ou era não.
Foi devido a esta falta de consideração que fiquei indignada, mas pior do que isto, outro sentimento, o qual eu nunca havia passado, até aquele exato instante, dominou-me por completo.
Começou...
A primeira reação foi o choro.
No início era imperceptível,
pois um "anjo bom" estava lá, um anjo conhecido como "F".
Suas palavras de consolo e sabedoria tornou o imperceptível uma palavra desconhecida no meu vocabulário.
Não fui escandalosa,
mas como doeu cada lágrima que escorria dos meus olhos,
o suspiro que tentava conter algumas lágrimas não surtia efeito,
em pouco tempo elas já estavam novamente ali,
marcadas como dor.
Dores que relembraram o passado,
dores que temiam o futuro,
dores que dilaceravam o meu presente.
Não chorava pelo seu comportamento, mas sim porque sabia que aquele pequeno texto, acabava com tudo.
Aprendi que estas dores não surgem de ferimentos e nem ao menos sangram,mas podem deixar seqüelas. E por mais que machuque, o aprendizado é inevitável.
" Estava tatuado neste dia a minha primeira "dor de amor" ".