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Redação-->Reflexões de um jovem acerca da sua própria identidade... -- 20/02/2003 - 20:24 (Adriana Luz) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Reflexões de um jovem acerca da sua própria identidade, através da sua relação com o mundo, com o seu país, com o seu semelhante...




(Composição em parceria com alunos do Ensino Médio - ano 2001)

“Antes de tudo, preciso descobrir quem sou...”



Quando tento descobrir quem sou eu, minha voz vira canção. E meus sentimentos se

desfazem em poema, pois encontrei na alma deste Brasil o fruto misterioso de minha

existência. Eu sou a jandaia que canta uníssona pelos bosques. Eu faço parte desse céu azul

anil que recobre de verde a esperança e os olhares aflitos do seu povo. Eu sou as ondas que

esbravejam por justiça. Sou um náufrago à procura de força, que nada persistente por esse

mar de rosas e repletos de espinhos que é a vida. Sou a aurora almejando paz, sou a criança

que chora e não entende por quê. Sou o orvalho que não se cansa de derramar o seu suor

pela construção da dignidade. Eu sou um coração que sangra e que sonha, e que ama, e que

espera, e que pensa existir...

Existir. Existir, Inexistir. Às vezes, medo de morrer, às vezes, medo de

viver. Existir. Pensar. Falar. Fazer. Viver. Viver. Viver. Insistir em existir. Participar.

Empolgar. Opinar. Palpitar. Tum, tum, tum, Viver. Meu papel é viver. E o que é viver?

Viver é procurar o meu papel na sociedade. Sei que, embora todos sejam diferentes,

todos têm o seu papel, todos têm a sua importância. Um palhaço, um artista, um vendedor

ambulante, um estudante, um professor, um presidente... Todos têm o papel de, juntos,

formar o futuro da nação. Sei, também, que pareço um jovem ‘policarpo’, mas acredito que

estou em tempo de idéias, reflexões... Tenho de aproveitá-las, colocá-las em prática. Se,

para tal, precisarei ser julgado como louco, que o façam, então. Eu não me importo. Faço

parte de uma geração que tem como objetivo principal, não ficar impassível diante das

injustiças, nem que para isso, tenha de ‘enlouquecer’ as regras, mudar constantemente, e esse mudar é corrigir, arrumar, aperfeiçoar. Sinto-me no dever de ser responsável pelos

meus atos e, também, pelas escolhas que faço, inclusive políticas... Mas, tudo isso é tão

teórico – alguém pode estar pensando. Quem disse que o amanhã ainda existirá, ou amanhã

eu existirei? O que fazer, então? Desanimar? Deixar de acreditar? Deixar de existir? Qual

será o meu papel?

O meu papel é o de acreditar e o de lutar. Lutar para que todos tenham as mesmas

chances, as mesmas oportunidades. Lutar para que ninguém tenha de utilizar máscaras nem

artifícios para sobreviver. Aliás, creio que deveríamos lutar também para nós mesmos

fugirmos de todas as máscaras, principalmente as impostas pela sociedade.

Afinal, o que eu menos gostaria, nesta vida, seria de me tornar mais um molde de

pessoas comuns, ser o que os outros gostariam de que eu fosse.

E aí é que reside, às vezes, a minha inquietação, pois sei que para sobreviver e

conviver precisamos de algumas máscaras. E eu não quero usá-las. Eu quero usar a minha

‘cara’, ‘cara lavada’. E isso eu sei que incomoda, atrapalha até. Incomoda-me inclusive,

pois fui forçado a acreditar que, para sobreviver e conviver, eu precisaria de algumas

máscaras. Mas eu não as quero possuir. E penso que se não as possuir, não terei forma, não

conviverei, não sobreviverei. Eu existirei? Filosoficamente, pelo menos, sim. E, desta

forma, me encontrarei como me encontro diversas vezes: face a face com a realidade sob a

qual vive o meu país. Deparando-me com tantas desigualdades responsáveis pela fome,

miséria e violência. E minha alma chorando, querendo assumir sua verdadeira índole de

transparência. Sofro. Vejo pessoas se ocultando por detrás de uma névoa de pureza,

candura, simplicidade, a fim de disfarçar o sentimento de revolta que domina todo o seu

interior. Falo. Grito. Esbravejo. Não sou ouvido. Volto a lutar, abrigando-me, agora, na

imensidão do horizonte calmo e belo, procurando revelar, através das ondas, minha sede de

justiça e igualdade. Deposito minhas lágrimas de derrota no rio de esperanças da vida

desejando atravessar a violenta correnteza de obstáculos que adia a realização dos meus

objetivos.


Alimento-me da força da razão para ocultar a fragilidade e a emotividade de

meu espírito e guardo meu descontentamento diante das injustiças e do meio social.

Construo ao meu redor uma fortaleza de otimismo e determinação para impedir que o vento

do temor destrua meu castelo de sonhos, alicerçado ao longo da minha vida. Espero o

momento certo para agir. Não desisti de lutar. Apenas espero. Olho-me no espelho. E o que

vejo me revela, não o que sou, mas como estou. Vejo-me, face a face com o meu Brasil,

fantasiado de cidadão, almejando, acima de tudo, ser aceito por essa sociedade que,

diversas vezes, assim como eu, se oculta atrás de máscaras conformistas para conseguir

viver e se adaptar num tão seletivo sistema.


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