Por Manuela Bomfim
A violência cresce em todo mundo a cada minuto, definhando a esperança que temos de haver um mundo melhor. Para piorar o efeito que os acontecimentos rotineiros causam na população, a realidade dos cidadãos baianos nos últimos dias só veio piorar as expectativas.
Reivindicando salários melhores, que implicava em praticamente 100% de aumento, policiais de Salvador e de cidades vizinhas negaram-se a sair às ruas para exercer o patrulhamento habitual. A grande maioria deles permaneceu nos quartéis, onde mantinham negociações com o governo, enquanto outros circulavam armados, encapuzados e sem fardamento, numa forma de transparecer uma greve.
Sem o mínimo de proteção nas ruas, não seria difícil imaginar o caos que reinaria na cidade. A criminalidade parecia haver sido liberada e saqueadores, assaltantes e até ladrões da ocasião foi o que não faltou. Dezenas de lojas foram invadidas, pessoas foram feridas e/ou mortas, e os arrastões causaram tanto pânico na população que a saída foi refugiar-se em casa.
Com medo de novos prejuízos, o comércio, colégios e bancos fecharam suas portas e, até mesmo as linhas de ônibus, alteraram o horário de funcionamento. A cidade de Salvador parou, literalmente, por cerca de quatro dias.
Hoje, com a situação próxima do normal, a população respira com um certo alívio, mesmo sabendo que há possibilidades de ocorrer uma nova greve.
Toda essa tensão nos leva a pensar sobre o índice de violência presente em nossas vidas e a repercussão que esta tem na imagem do estado. Mesmo assim, vale a pena destacar que, apesar das conseqüências terem sido cruelmente infelizes, não seria correto condenar a paralisação dos policiais. Afinal, uma profissão como essa merece uma remuneração que corresponda adequadamente aos riscos e imprevistos que lhe são cabíveis. Portanto, mais uma vez, a responsabilidade recai em cima do governo. A que ponto nós chegamos!...