A Gramática Original
Amanda Conceição
Semanalmente - às terças-feiras - , no horário nobre da Rede Globo de Televisão, é exibido o programa humorístico Casseta e Planeta , que, dentre outros quadros, apresenta a personagem Seu Creysson . Este último é uma caricatura marcada pela individualização da camada mais baixa da nossa sociedade. Com uma aparência imunda, aspecto anti-higiênico e linguajar deficiente, Seu Creysson vem causando polêmica a respeito da possibilidade de haver uma gramática específica para cada segmento social.
A Linguagem Portuguesa é, de fato, bastante complexa. E em função disto, foram criadas, na gramática, regras gerais para facilitar a comunicação, tanto da linguagem escrita quanto da oral. Sendo assim, o estabelecimento de uma gramática diferente para cada camada popular seria um processo retrógrado, uma vez que só dificultaria a comunicação entre os segmentos sociais.
Citemos, como exemplo, as gírias e as variações regionais da linguagem. É inevitável o surgimento de expressões típicas de cada região ou de gírias específicas de determinados grupos da sociedade como surfistas ou esportistas quaisquer. Em vista disso, a criação de regras gramaticais distintas para cada camada da população seria como tornar a comunicação um verdadeiro caos.
Além disso, o domínio da Língua Portuguesa depende, fundamentalmente, da qualidade educacional oferecida à população. No caso do Brasil, o ensino de ponta é privilégio de poucos que têm renda suficiente para pagar as mensalidades de um colégio particular. As instituições educacionais do governo não têm nenhuma credibilidade, e esta é a razão pela qual a maioria da população não tem acesso à educação de qualidade.
A necessidade real não é de se criar em ramificações da gramática correspondentes às distintas camadas populares, mas sim, de disponibilizar uma educação de alto nível a todos esses segmentos sociais. Só assim o povo brasileiro vai dominar a gramática original que é, por fim, a correta!