Jardim das Delícias, Samaria. - 859 AC.
12. General Naamã desafia Jezabel.
Sobre o elevado do bosque figuram imponentes e monumentais obeliscos, os postes sagrados. Próximo aos símbolos fálicos a mesa de imolação compõe o cenário dos ritos politeístas a Baal-Zebub.
Com movimentos sensuais, as odaliscas recepcionam os representantes estrangeiros, enquanto Akabe sentado a grande mesa, saboreia o farto banquete.
O rei sírio Ben-Hadad e seu general são recebidos com deferência por Obadias.
(OBADIAS)
Sejam bem vindos ao Jardim das Delícias! O rei Akabe e a rainha Jezabel vos aguardam ansiosamente.
Vislumbrando a encantadora Jezabel, Ben-Hadad caminha absorto pelo bosque. Ao lado de Obadias, o general Naamã observa uma linda jovem, em veste nupcial, mantida sob escolta pelos sacerdotes baalins.
(NAAMÃ)
O que reserva nossa anfitriã à sorte daquela jovem?
(OBADIAS)
Aquela virgem será oferecida em sacrifício como nova consorte de Baal-Zebub.
Naamã recorda-se daquela jovem que conhecera durante sua última visita ao Palácio de Samaria.
(NAAMÃ)
Myra...
(OBADIAS)
Boa memória general, aquela é a vestal Myra.
Jezabel acolhe Ben-Hadad com um sorriso.
(JEZABEL)
Quanta honra em receber o grande rei Ben-Hadad!
(BEN-HADAD)
Sinto-me honrado por ter lutado ao lado do exército fenício e israelita.
O grão-sacerdote ordena.
(AMALEQUE)
Que se iniciem os cânticos de saudação a Baal-Zebub.
Diante dos postes sagrados os sacerdotes entoam uma melodia iniciando o ritual. Myra é levada até a mesa de imolação pelos sacerdotes baalins quando em galope veloz o general Naamã captura a virgem, mutilando as mãos dos algozes.
O general sírio deixa a todos estarrecidos enquanto os sacerdotes gritam de dor.
(NAAMÃ)
Ofereçam a Baal-Zebub as mãos mutiladas como consolo!
A cólera se transborda em Jezabel.
(JEZABEL)
Desprezíveis usurpadores. Desrespeitam a casa de Onri!
Capturem o raptor sírio!
A cavalaria israelita parte ao encalço dos fugitivos. Akabe, com voz trêmula, tenta reconciliar o incidente.
(AKABE)
Perdoe Ben-Hadad, a exaltação de Jezabel.
Ao ver Akabe tentar se justificar a rainha investe furiosamente.
(JEZABEL)
Acaso estás rastejando como um verme aos pés desses infames?
Humilhado o rei sírio desabafa.
(BEN-HADAD)
Jamais fui tratado com tamanha impropriedade.
O reino da Síria não considera mais Israel uma nação amiga.
Tentando impedir a retirada de Ben-Hadad, Akabe apela.
(AKABE)
Jezabel está tomada de surto colérico. A união de nossos povos não pode ser destruída de forma tão intempestiva.
(BEN-HADAD)
A aliança entre nossos povos está destruída!
Transtornada, Jezabel reitera.
(JEZABEL)
Não espero ver ti, Ben-Hadad, e teu maldito general senão por estarem abatidos em combate pela espada dos israelitas.
(AKABE)
Cala-te Jezabel! Queres destruir a paz que meu pai conquistou com hábil maestria.
O vento que uiva, faz ondular os cabelos da rainha, no momento que Jezabel lança um olhar que paralisa do rei israelita.
(JEZABEL)
Pelo poder de Baal-Zebub, os abutres farejarão a podridão da carne do sírio Naamã, onde quer que ele se esconda!
Em direção a sua carruagem, Ben-Hadad ouve a maldição lançada por Jezabel.
(BEN-HADAD)
Arrepender-se-ão amargamente israelitas, pela imprudência se sua rainha sidônia!
Desolada, Jezabel apóia-se em prantos sobre a mesa de sacrifício. Obadias com recôndita satisfação ordena.
(OBADIAS)
Socorram os feridos!