Mercado Público de Samaria. 875AC.
1. Profeta admoesta a Casa de Onri.
Ao redor de uma caravana de mercadores estrangeiros, samaritanos trocam moedas e produtos agrícolas por utensílios de vidro, marfim, e perfumes.
O alarde dos mercadores anunciando seus produtos é quebrado pela chegada de uma escolta militar. Um jovem príncipe, de seu andor conduzido por escravos, acompanha a milícia. Os mercadores são coagidos a pagar tributo aos cobradores de impostos através da intimidação por chicotes e lanças.
Dirigindo-se ao seu acompanhante, o príncipe comenta.
(JOVEM PRÍNCIPE)
Caro tutor Obadias, por que estes estrangeiros se negam a pagar os impostos de meu pai?
Antes que o tutor pudesse responder, em meio aos protestos, um ancião cego profetiza atraindo a atenção de todos.
(PROFETA CEGO)
O povo hebreu está dividido pela espada da incredulidade! De um lado Asa, legítimo herdeiro de Davi, e do outro Onri, usurpador do trono de Israel, que seguiu os passos de Jeroboão, e desprezou a Aliança com o Senhor . Não tardará e a própria iniqüidade do povo israelita o destruirá, seja pelo fogo ou pela espada, e punir-se-ão os atos de seus ímpios governantes.
Com revolta, o príncipe ouve atentamente as palavras do o ancião.
(JOVEM PRÍNCIPE)
Aquele maldito desrespeita a casa de meu pai. Ele deverá ser punido!
(OBADIAS)
Príncipe Akabe, aquele pobre homem é apenas um ancião delirante. Não é conveniente que se envolva com essa gente. Permita que eu vá conter essa situação.
(JOVEM PRÍNCIPE)
Meu pai não ergueu a cidade de Samaria sobre o monte Sêmer para ser insultado por um mendigo incapaz. Eu mesmo farei o que é digno de um futuro soberano!
A reprovação de Obadias não é capaz de conter o ímpeto do jovem príncipe. Os escravos declinam o andor, e Akabe caminha rapidamente ao encontro do profeta. Diante do ancião, Akabe atira uma moeda no cesto de esmolas e solicita.
(JOVEM PRÍNCIPE)
És capaz de revelar o teu próprio fadário, vidente?
(PROFETA CEGO)
Serei poupado de ver o infortúnio de meu povo, mas lamento que desgraça maior que a chama ardente que recairá sobre Israel será o teu reinado de corrupção e idolatria!
O jovem príncipe golpeia o vidente com sua espada. Em meio ao olhar estarrecido dos espectadores, o profeta põe as mãos sobre o abdômen e tomba lentamente. Com olhar fixo, o ancião murmura suas últimas palavras intercaladas às gotas de sangue que se desprendem da lâmina.
(PROFETA CEGO)
Não tardará e a palavra do Senhor ecoará sobre o Reino do Norte como um relâmpago trovejante que queimará a alma dos ímpios e acalentará o fardo dos humilhados.
O gemido do ancião é suplantado pelo som metálico da espada que se desprende da mão do príncipe. Akabe, atônito, se dirige para o andor em silêncio reflexivo. Com o retorno do príncipe, Obadias ordena gestualmente aos escravos a rápida retirada.