Desde os dias de Adão até hoje, as religiões de Deus tornaram-se manifestas, uma após a outra, e cada uma delas cumpriu devidamente sua função: revivificou a humanidade e proveu educação e esclarecimento. Elas libertaram os povos da escuridão do mundo da natureza, e os conduziram ao resplendor do Reino. À medida que cada sucessiva Fé e lei era revelada, ela permanecia durante alguns séculos como árvore abundantemente frutífera, e era-lhe confiada a felicidade do gênero humano. Com a revolução dos séculos, entretanto, envelhecia, não mais florescendo ou produzindo frutos, e, por isso, era então rejuvenescida outra vez.
A religião de Deus é uma só religião, mas precisa sempre ser renovada. Moisés, por exemplo, foi enviado aos homens e estabeleceu uma Lei, e os Filhos de Israel, mediante aquela Lei mosaica, foram livrados da ignorância e entraram na luz; foram erguidos de seu estado abjeto e atingiram glória imperecível. Ainda assim, ao passarem-se longos anos, desvaneceu-se aquele brilho, findou aquele esplendor, aquele dia iluminado transformou-se em noite; e quando essa noite se tornou triplamente escura, alvoreceu a estrela do Messias e assim novamente a glória iluminou o mundo.
O que queremos dizer é isto: a religião de Deus é uma só e é o meio de educar a humanidade, mas, ainda assim, deve necessariamente ser renovada. Quando plantas uma árvore, sua altura aumenta dia a dia. Nela aparecem folhas e flores e deliciosos frutos. Contudo, depois de longo tempo a árvore envelhece e não há mais qualquer frutificação. Então o Lavrador da Verdade retira a semente dessa mesma árvore e planta-a em solo puro, e - eis! - lá está a primeira árvore, assim como era antes.
Observa cuidadosamente que, neste mundo da existência, todas as coisas devem sempre ser renovadas. Olha para o mundo material ao redor: vê como ele foi agora renovado. Os pensamentos têm mudado, os modos de vida têm sido reconsiderados, as ciências e artes mostram novo vigor, descobertas e invenções são novas, percepções são novas. Como, então, seria possível que um poder tão vital como a religião - que é a garantia dos grandes avanços da humanidade, que é o próprio meio para se atingir a vida eterna, a promotora de infinita excelência, a luz de ambos os mundo - como seria possível tal poder não ser renovado? Isso seria incompatível com a graça e a benevolência do Senhor.
A religião, ademais, não é uma série de crenças, um conjunto de costumes; a religião consiste nos ensinamentos do Senhor Deus, ensinamentos que constituem a própria vida da humanidade, que estimulam a mente a pensamentos elevados, que aperfeiçoam o caráter e estabelecem a base para a imperecível honra do homem.
Considera a agitação que tem dominado as mentes, e as chamas da guerra e do ódio, do ressentimento e da malevolência entre nações, e a agressão de povos contra povos, todas as quais têm destruído a tranqüilidade do mundo inteiro - acaso poderia isso tudo ser algum dia mitigado por outro meio senão pelas águas vivificadoras dos ensinamentos de Deus? Não, nunca!
E isto está claro: um poder acima e além dos poderes da natureza deve forçosamente ser aplicado para que essa negra escuridão transforme-se em luz, e ódios e ressentimentos, rancores e vinganças, intermináveis disputas e guerras sejam substituídos por fraternidade e amor entre todos os povos da Terra. Este poder não é outro senão os sopros do Espírito Santo e o poderoso influxo da Palavra de Deus.
(Seleção dos Escritos Bahá’ís)