Não sabeis por que Nós vos criamos a todos do mesmo pó? A fim de que ninguém se enalteça acima dos outros. Ponderai no coração, em todos os tempos, de que modo fostes criados. Desde que vos tenhamos criados a todos da mesma substância, deveis ser como uma só alma, andando com os mesmos pés, alimentando-vos com a mesma boca e habitando na mesma Terra, a fim de que, do imo de vosso ser, através de vossas ações, se manifestem os sinais da unidade e a essência do desprendimento. É este o Meu conselho a vós, ó assembléia da luz! Atendei a este conselho, para que possais obter, da árvore da glória maravilhosa, o fruto da santidade.
Nenhum mal deves tu ouvir, nem ver; não de rebaixes, nem suspires, nem chores. Nenhum mal deves falar, para que não o ouças falado a ti; nem aumentes as faltas alheias, a fim de que as tuas próprias não se afigurem grandes. Não desejes a humilhação de ninguém, para que não se torne evidente tua própria humilhação. Vive, pois, os dias de tua vida, os quais são menos de um momento fugaz, mantendo sem mancha a tua mente, imaculado teu coração, puros teus pensamentos e santificada tua natureza, de modo que, livre e contente, possas abandonar esta forma mortal, recolher-te ao paraíso místico e habitar, para todo o sempre, no reino do eterno.
Não vos afeiçoeis à soberania mortal, nem vos deleiteis nisso. Sois como o pássaro incauto chilreando sobre o ramo, em plena confiança, até que o caçador, a Morte, a lança de repente sobre o pó, e esvaecem-se a melodia, a forma e a cor, não restando destas traço sequer. Atendei, pois, ó escravos do desejo.
Tenho feito da morte a mensageira do teu júbilo. Por que lamentas? A luz, Eu a fiz derramar sobre ti o seu esplendor. Pó que te ocultas diante deste esplendor.
Tu queres o ouro, e Eu desejo que dele te livres. Tu te julgas rico por possuí-lo, e Eu reconheço a tua riqueza em estares santificado acima dele. Por Minha vida! É este, Meu conhecimento; aquilo, tua fantasia; como pode Minha ação estar em harmonia com a tua?