Nota explicativa .....................................
Chegamos .............................................
1. O arrependimento .....................................
Comentário ......................................
2. Prontidão ............................................
3. O baderneiro .........................................
4. Sob o impacto das verdades ...........................
5. O poder da fé ........................................
6. Mais explicações .....................................
7. Resistências .........................................
8. Experiências .........................................
9. O dia seguinte .......................................
Comentário ......................................
10. Um dia de folga ......................................
11. Exercícios físicos ...................................
12. A figueira de Jesus ..................................
13. O aloprado ...........................................
14. Da economia ..........................................
15. Palavreado ...........................................
16. Recheio ..............................................
17. Bons companheiros ....................................
Comentário ......................................
18. Aflição e calma ......................................
19. Cheio de sono ........................................
20. Depois do repouso ....................................
21. Palavras de prudência ................................
22. Mudanças .............................................
23. Corpo de Deus ........................................
24. Psicografia e inspiração .............................
25. Um dia puxado ........................................
26. Distúrbios ...........................................
27. Um arrepio na espinha ................................
28. Cicatrizes ...........................................
29. Correspondência ......................................
30. Realizações ..........................................
31. Textos arrevesados ...................................
32. Sacrifícios ..........................................
33. Solicitude ...........................................
34. Correio sentimental ..................................
35. De última hora .......................................
36. À guisa de comentário ................................
37. Cantochão ............................................
38. Argumentos ...........................................
39. Simplicidade .........................................
40. Operações cirúrgicas .................................
41. Um bom arrazoado .....................................
42. Cabotinagem ..........................................
43. Despertar ............................................
44. Reforço espiritual ...................................
45. Dores no corpo .......................................
46. Seja feita a vossa vontade ...........................
47. Conclamação geral ....................................
48. Complementação .......................................
49. Prudência ............................................
50. Problemas afetos à leitura ...........................
51. O arrependimento .....................................
Encerramento .........................................
NOTA EXPLICATIVA
O grupo Irmãos em Deus, apesar de ter de cumprir temática obrigatória, obteve dos orientadores significativa abertura quanto aos assuntos, tendo desenvolvido os que se julgaram os mais adequados, no que respeita à capacitação de tão heterogêneo pessoal. Por isso, as comunicações se apresentam como verdadeira colcha de retalhos, podendo surgir aconselhamentos doutrinais ao lado de apreciações morais, bem como comentários sobre os Evangelhos e outros, tudo sob a norma estrutural da amorosa advertência.
Em mensagem pessoal, recomendou-se ao médium que não prestigiasse tão-só os espíritos mais evoluídos. Era preciso lembrar-se de que as aulas da Escolinha de Evangelização contam com a transmissão de todo tipo de desenvolvimento, o que irá privilegiar o ditado e não quem está a enunciá-lo, honrando, porém, seus autores.
No comentário inicial, foram indicadas algumas características do grupo e, ao encerrar-se, foram analisados os resultados, tendo em vista as ocorrências que influenciaram nas transmissões. Releva observar que o médium foi estimulado a passar da escrita manual para a datilográfica, o que alterou, substancialmente, a formulação de contexto, como se verá. Apesar de tudo, a atuação do grupo foi extraordinariamente serena, surpreendendo pela segurança das apreciações. Caso notável, nesse sentido, foi a refacção da primeira mensagem (O arrependimento), a qual se deu sem que o médium suspeitasse do fato, esquecido que estava da promessa do grupo.
Para registro, devemos mencionar que os ditados se deram de 3.6 a 8.7.92, tendo sido mantida a ordem cronológica.
Gratos ficamos pela atenção dos amigos e rogamos a Deus que nos ampare em mais este empreendimento.
CHEGAMOS
Cá está a nova turma, desde já cognominada de Irmãos em Deus, pois reúne gente das mais disparatadas origens. Eis que o traço comum, pois, é a filiação divina que todos carregamos.
Não se atropele, prezadíssimo escrevente, ao apanhar-nos o ditado, pois pretendemos ir transmitindo as vibrações bem no momento em que a pena se aprestar para grafar a palavra. Achamos que o sistema é absolutamente seguro quanto às intervenções do mediador, embora lhe onere um pouco a tranqüilidade.
Outro toque deste pessoal é a refacção imediata, quando julgarmos conveniente, sem que se despreze, de forma alguma, a possibilidade de futuros aperfeiçoamentos, sob a assistência direta da equipe.
Fique, caro amigo, pois, bem à vontade para o trabalho e aguarde pacientemente o desenvolvimento dele, para perceber quais os temas que nos trazem à escrita.
Hoje, prazerosamente, cumprimos o sagrado dever de comunicar que o grupo Paciência, Perseverança e Amor (ver Primeiros Passos, nesta coleção) lhe envia carinhoso abraço, pela paciência, perseverança e amor que você lhe dedicou.
Voltando às instruções, queremos deixar assinalado que há forte determinação para que as manifestações possam vir a ser úteis para os encarnados, havendo de esforçar-nos para produzir algo publicável. Fique o aviso bem claro, pois contraria frontalmente a deliberação da equipe anterior, malgrado não se possa, desde logo, afirmar que os textos a serem ditados venham a obter o alvará final dos orientadores.
Fique, caro irmão, de sobreaviso, para apanhar os ditados de forma bem leve. Não se apoquente se a pena ficar por instantes pairando no ar, indecisa. É que o grupo irá compor as mensagens em conjunto e a transcrição poderá oferecer surpresas de última hora. Essa a causa mais importante para as correções imediatas. A demora evidenciará, por seu turno, que o grupo está em confabulação.
Estamos contentes com o desempenho do amigo, embora notemos certa apreensão. Não se aborreça se não conseguirmos atingir todos os objetivos. O principal deles, entretanto, é de obrigação, qual seja o de amparar todos os membros, no sentido de lhes dar possibilidade de testar sua eficiência mediunizadora.
Fique com Deus e receba, antecipadamente, os agradecimentos de todos.
O pessoal tem diversos instrutores, de forma que não iremos destacar o nome de cada um deles. Apenas para registro, o único que já trabalhou com o escrevente é o amigo Marcelo, ao qual se destinou a tarefa de aplainar as ondulações, para se achegar ao aparato intelecto-sentimental do mediador.
Vamos realizar de novo a prece de abertura, para propiciar ao próximo elemento a assunção do posto.
Muito obrigado!
1
O ARREPENDIMENTO
Quando o homem se arvora em juiz perante os semelhantes, seja togado ou não, pretende estabelecer princípio de justiça para tomar decisões que configurem que cada qual recebeu o que lhe é devido por direito, seja sua expectativa de ver os bens devolvidos, por ter havido indébita apropriação, seja em qualquer outra circunstância, em que se desforra socialmente de malfeito de que foi vítima.
A sujeição do indivíduo à deliberação de outrem é sintoma de que a instituição social está repercutindo favoravelmente junto aos cidadãos. Claro está que há pessoas que se sentem acima das leis e que, portanto, não se conformam com a investidura das autoridades. É que elas mesmas se constituem em princípio, meio e fim de seus desideratos, criando como que vida própria em relação ao grosso da população.
Hoje, nós sentimos por toda parte que os humanos tendem a desprestigiar as instituições governamentais, inclusive as relativas à justiça. É que o descrédito está instalando-se nos corações, à vista da impunidade que protege certa camada criminosa da sociedade.
Se quiséssemos, poderíamos exemplificar ad nauseam os casos particulares. Para tanto, bastaria observar o que se passa nos logradouros públicos, nos gabinetes dos governantes e em inúmeros locais de encontro de pessoas. Para nós, que temos o acesso quase inteiramente livre à maior parte dos pontos em que se reúnem os encarnados, é muito fácil de arregimentar exemplos abonatórios dos descalabros que ficam impunes pelas leis dos homens.
Corolário obrigatório da observação anterior, os amigos deverão concluir que existe a possibilidade de conhecimento de todas as ações humanas, o que deverá levá-los a supor que nenhum crime, por mais insignificante possa parecer, irá ficar sem punição.
É engraçado, contudo, que nem quando as forças espirituais denunciam o seu poderio os homens se abalançam a desconfiar de que devam mudar de rumos, evitando serem apanhados nas próprias armadilhas.
O lucro indevido só poderá vir a ser gozado, enquanto o ser estiver na posse do corpo material. Quando se vir despojado da vestimenta, não haverá como esconder as atitudes que geraram prejuízos aos semelhantes e lhe será inquirida qual a lei maior, segundo o evangelho do Senhor; como poderá afirmar desconhecer? Não haverá fugir do castigo, pois a só compenetração da culpa preencherá a consciência da necessidade de recompor aos ofendidos a estrutura primitiva, não no que respeita ao aspecto material, mas no que se refere às perdas de caráter moral, ou seja, as oportunidades de melhoria. Mesmo quando os indivíduos vitimados adquirirem plena consciência do perdão, utilizando-se da situação de inferioridade para seu progresso espiritual, ainda assim o agressor estará na contingência de se ver na obrigação de ressarcir o irmão, simbolicamente, para que se inteire do princípio cármico de que a cada ação corresponde uma reação, conforme a palavra de Jesus, segundo a qual a cada um será dado de acordo com as suas obras.
Eis que surge o arrependimento.
Comentário
Estamos observando que o texto, que era bem curto, ficou muito extenso, quando colocado nos termos do linguajar humano. Tínhamo-nos esquecido do quanto de prolixidade existe na mente dos encarnados, de modo que todo raciocínio tem de passar por fases obrigatórias em sua confecção silogística.
Não vamos, contudo, arrefecer o ânimo, mas que isto nos sirva de incentivo para prosseguirmos elaborando textos cada vez mais condensados e equilibrados.
Por hoje, estamos muito satisfeitos com o resultado deste ditado, mesmo que o título não tenha sido exatamente aquele que aporíamos à mensagem depois de pronta. Cabe ao escrevente reler tudo, para que indiquemos algumas modificações necessárias. Fique bastante calmo que chegaremos lá.
De volta para esta fase da escrita, devemos assinalar que não nos agradou o resultado final. Talvez, com o decorrer dos dias, se nos for permitido, retornaremos para novo ditado a respeito do mesmo assunto.
2
PRONTIDÃO
O irmãozinho não deve preocupar-se conosco. Saiba que aqui estaremos de prontidão para efetuar os trabalhos que de nós se esperam, assim que o médium se predispuser à cooperação. Só não vamos prometer que tenhamos absoluto domínio da imantação, para que o resultado final seja o mesmo de quando estamos com o tempo mais à vontade.
De qualquer modo, faremos o máximo que nos for possível, mesmo porque, parece-nos, as condições de trabalho prejudicadas por fatores inesperados constituem desafio a enfrentar e vencer.
Por hoje, basta-nos ter estado na companhia do irmão durante toda a manhã, observando, analisando e aprendendo em conjunto, mormente quando procede a leituras de textos que nos sejam desconhecidos. Mais do que os encarnados, contamos com a presença dos mestres, que desenvolvem os temas em debate, de modo que de todo proveitosa fica a aula.
Temos para conosco que a hora de trabalho, por isso, apesar de restrita em seus minutos, pode vir a ser valiosíssima para o desenvolvimento das unidades de ensino. Por exemplo, estamos diante da manifestação de um dos orientadores, o confrade Marcelo, que nos dá verdadeira demonstração de como utilizar o instrumento em situações desvantajosas.
O que pode parecer incongruente ou inverossímil é que o texto se construa na primeira pessoa do plural, como se fora o grupo todo a produzi-lo, quando estamos a nos referir a um único espírito comunicador. É que o transmissor propriamente dito opera o instrumento, mas passa mensagem de toda a turma, resultante das discussões que previamente se estabeleceram.
Por isso, bom amigo, fique com o ânimo bem serenado que o dever está a cumprir-se integralmente. Como sempre, dê tempo ao tempo para avaliar da propriedade destes conceitos, pois aí estará apto a verificar que tudo transcorreu de acordo com os princípios estabelecidos para este contacto.
Até há pouco, Marcelo demonstrou a maneira antiga de comunicação. Neste preciso instante, adotou a sistemática anunciada anteriormente, de sorte que podemos bem cotejar as duas maneiras, para podermos dar sentido a uma e à outra, segundo os méritos de cada qual. Na verdade, até no texto final somos capazes de perceber bastantes diferenças redacionais, pois os impulsos energéticos são descodificados de várias maneiras pelo mediador.
Com o ditado de segmentos maiores, é capaz o médium de elaborar trechos mais ou menos longos, ficando a escrita sempre um pouco atrás das informações, de sorte a ensejar razoável aproveitamento do cabedal de conhecimentos do encarnado. Desta outra forma, ou seja, quando a transmissão da idéia se dá no justo instante em que se vê o escrevente na necessidade do registro, a escrita parece dispor-se um pouco menos compacta, pois o amigo não consegue perceber a seqüência de modo nítido, surpreendendo-se, a cada passo, com o novo rumo que vamos imprimindo ao pensamento.
Embora consigamos consignar algo de algum proveito, o mais importante fica nas mãos do pessoal do etéreo, que se capacita a aprender o sistema, conforme vai assinalando as reações psíquicas do escrevente. Como estamos fazendo questão de não dar ritmo uniforme ao ditado, mais valiosa vai tornando-se a boa vontade do amigo, pois fica-lhe claro que estamos, realmente, assumindo integral responsabilidade pelo trabalho. Esta a função que desejávamos passar, para que pudéssemos dar às transmissões o cunho de nossa personalidade.
É bom levantar aqui outra valiosa hipótese do resultado, qual seja a de que nenhum pensamento irá repercutir na mente do mediador como inteiramente conhecido, como se fossem tópicos, desenvolvimentos, arquétipos fáceis de perceber e, portanto, de transcrever, sem a necessária atenção a possíveis novas sugestões. A cada passo, o médium pára a fim de verificar o ponto seguinte a lhe brandir a sensibilidade intelectual, de forma que vai caminhando trôpego, como se a estrada oferecesse diversos perigos reais.
A curiosidade maior desta tarde foi a necessidade que tivemos de volver ao tema da modalidade de impulso que a equipe está adotando, pois fomos forçados pela circunstância atípica de termos de suspender o ditado após pouquíssimo tempo.
Ficarão surpreendidos os leitores se souberem que, apesar de tudo, só estamos trabalhando há pouco mais de vinte e cinco minutos? Pois é isso aí. Como não queremos desviar o amigo de seus interesses particulares, submetemo-lo a intensíssima labuta, sem abrirmos mão do desiderato mediunizador.
Fique na paz do Senhor, prezadíssimo amigo, e retorne após satisfazer os seus desejos. Caso haja possibilidade, prosseguiremos com esta tarde psicográfica. Se, ao retornar, não houver condições, volte outro dia, sem o temor de não ter cumprido a obrigação. Sabemos muito bem com quem estamos lidando.
3
O BADERNEIRO
Seria injusto relembrar ao amigo que não deve oferecer-se ao trabalho mediúnico sem assistência dos protetores?
Pois foi assim que foi recebido certo médium pelos parceiros da espiritualidade. Tendo insistido para além dos limites preestabelecidos entre os contratantes, aproveitou-se do ensejo um baderneiro do espaço, para desequilibrar as comunicações, favorecendo decréscimo de confiança do encarnado nos poderes dos guias. Entretanto, dada a estreita vigilância que exerciam, deixaram o pobre infeliz tentar a iniciativa, para poderem, em seguida, ministrar ótima lição a ambos.
Aos poucos, tanto no plano espiritual quanto no material, foi perfazendo-se a consciência de que havia desatenção e maldade.
O bom e inadvertido companheiro médium logo percebeu que o teor do texto não convinha para quem desejasse pautar o procedimento pelas diretrizes evangélicas.
O representante das trevas se viu a ferros, impedido de divertir-se com os trejeitos lamuriosos do encarnado, assim que se viu na obrigação de dar continuidade à comunicação, indo além do que planejara, pois foi incitado a demonstrar os efeitos deletérios de cada pequeníssima atitude da personagem que representava.
Desse modo, curaram-se dois defeitos, pois tanto o médium como o brejeiro tiveram de reconhecer, perante os orientadores, que estavam convictos dos erros, propondo-se para a argüição correspondente, prometendo, inclusive, que iram modificar-se à vista da necessidade de progredir.
Apesar de não ter sido programada, a tarde psicográfica foi comemorada pela turminha de socorristas como de vitória insofismável contra a ignorância.
Que bom seria se todos pudessem oferecer-se ao trabalho com tamanha maleabilidade intelectual e segurança emocional! Desse modo, dar-se-iam condições de excelência para se socorrerem inúmeros seres que pairam indecisos na erraticidade.
Hoje, há bastante evidência de que os desejos humanos se configuram plausíveis, desde que se estimem os contactos mediúnicos como algo de que se podem servir os encarnados, para desenvolvimento espiritual alvissareiro. Rapidamente estão formando-se núcleos de caminheiros do bem, a ponto de se contarem aos milhares, constituindo-se o povo dito espírita em milhões de habitantes em todo o planeta. É considerável, portanto, a influenciação dos espíritos mais adiantados, o que não impede de termos embusteiros e loroteiros badernando a intimidade de muitos médiuns desprovidos da necessária margem de segurança, para impedirem a aproximação deles desguarnecida da vigilância dos protetores.
Sejam, irmãos, espertos e não se deixem embair pelo primeiro que chegar. Assegurem-se de que os contactos sejam contratados com rigor e jamais deixem de se orientar pelas comunicações seguras de quem se dirige pessoalmente ao mediador, com mensagens de prudência e de incentivo ao bom senso e ao equilíbrio moral.
A ansiedade que se sente, quando se está sob a dominação dos seres muito imperfeitos, será o indício seguro de que temos de rememorar os princípios doutrinários insertos nas obras que trazem os roteiros da mediunidade. Não são, pois, de se menosprezarem as recomendações de muito estudo e de muita prece, que são os pontos básicos dos mais experientes nos dois planos.
Fiquemos por aqui nas advertências, pois não há acréscimo valioso, quando, verborrágico, o escrito se estende por muitas laudas, chegando os leitores a perderem o interesse inicial.
4
SOB O IMPACTO DAS VERDADES
Quem se nega a apreciar o valor dos seres com quem convive, poderá perder sagradas oportunidades de socorro. Se a pessoa amiga tiver ensejo de oferecer auxílio material, por que não fazê-lo também do ponto de vista moral, intelectual ou espiritual?
Nem sempre se tem o dom do despertar voluntário, havendo necessidade de os mais velhos, mais experientes e mais sábios, se proporem a conduzir os que se perdem nas malhas traiçoeiras das circunstâncias.
Da mesma forma que os maus atormentam os indecisos, os bons devem promover-lhes conforto, ofertando carinhoso afeto e segura orientação. Nada mais justo, quando há amor e amizade, companheirismo e fraternidade, afeto e bem-querer.
A benevolência deve prever as reações impróprias, de forma a prevenir-se o conselheiro quanto à oportunidade e às fórmulas adotadas para a aproximação. Havendo confiança no desejo de ver o companheiro melhorar, com o peito aberto, com as cartas na mesa, nada melhor do que ajudar o amigo desvairado na reflexão que deverá levar a efeito, para a superação da crise.
Quase sempre a atitude de acentuar os aspectos positivos esconde o malicioso desejo de se furtar ao compromisso do amor, pois toda ajuda gera responsabilidade, já que haverá, necessariamente, o devido empenho do socorrido, na forma de débito a vir a ser saldado.
Entretanto, que não haja hipocrisia mas absoluta vontade de estabelecimento da verdade, pois o caminhante só se sentirá bem se tiver ao lado os companheiros de jornada, em mútuo amparo de amor.
Eis nossa curta manifestação, tendo em vista o tema ter sido levantado em discussão íntima. Não se atemorize o escrevente, porque temos acesso a suas excogitações, conforme contrato assinado. Não é verdade?
5
O PODER DA FÉ
Jesus repousava sobre o travesseiro, estando o barco a jogar, impelido pela ventania. A água ameaçava abocanhar a todos, o que deixou os apóstolos desesperados.
Acordado o Mestre pelo temor que se infundia pelos corações, bradou aos céus, impondo sua vontade à intempérie, serenando o clima e amenizando o rancor do mar, após o que censurou os discípulos, argüindo-lhes a fé.
Foi assim que se registrou o episódio nos Evangelhos (Mt. VIII: 23-27; Mc. IV: 35-41; Lc. VIII: 22-25), para êxtase dos assombrados olhos dos leitores, deslumbrados pelo poder miraculoso do Senhor, como lá mesmo se assinala relativamente à perplexidade dos apóstolos.
Seremos nós ingênuos em acreditar nos aspectos "físicos" do vozeirão a ordenar quietude às forças da natureza? Evidentemente, não. Mas também não seremos afoitos em afirmar que o episódio não tenha acontecido e que ali está, criado pela imaginação dos evangelistas, para pôr medo no coração dos homens que se atrevessem a duvidar da superioridade espiritual do Cristo.
Teria Jesus, realmente, colocado cobro ao ritmo assustador assumido pelas vagas e pelos rugidos e estampidos ameaçadores das nuvens trovejantes? Não nos parece sensato que precisasse derrogar as leis naturais para acalmar os espíritos temerosos.
Não está lá registrado que argüiu a fé aos discípulos? Pois, então. Ao ser acordado, vendo que o pessoal temia pela vida, censurou-lhes o pavor da morte, já que preciso era que tivessem a convicção de que, se morressem, teriam novas oportunidades junto ao Pai, quer no progresso a que estariam fazendo jus por suas novas concepções da existência, quer no campo material, através de novo encarne regenerador
Não houve, portanto, ato positivo do Senhor no que concerniu à fúria dos elementos, mas no que respeitou às reações íntimas prejudiciais à postura evangélica que deveriam ter assumido. Que lutassem pela vida era certo e justo; mas que se vissem desamparados do Pai era atitude de desconfiança na divina misericórdia.
Fizemos questão de desenvolver este tópico, que havíamos sugerido ao escrevente por via intuitiva, para atendê-lo em seu pedido íntimo. Fizemo-lo também para que não se esqueça do argumento, caso necessite de levar o conhecimento de mais uma interpretação aos amigos de curso.
6
MAIS EXPLICAÇÕES
Os dois curtos desenvolvimentos desta tarde estão a demonstrar como o médium pode contribuir para favorecer o trabalho aos irmãos do grupo. Não que estamos desejando que levante problemas para nos dar azo à peroração. O que desejamos é vê-lo solerte, dando vazão aos impulsos, mesmo quando o tema lhe parece solucionado em seus aspectos problemáticos, tendo em vista ter chegado a conclusões muito parecidas, durante os momentos de reflexão. É dessa coragem mediúnica que estamos necessitados, pois há que se ter bastante destemor ao enfrentar as acusações possíveis de animismo.
Prossiga ajudando, amigo, para que nos saiamos bem em nossas atribuições.
7
RESISTÊNCIAS
O ser humano tem algumas reações que costuma categorizar de resistências, tanto para o mal, quanto para o bem. Muitas vezes, os amigos do plano espiritual se apresentam para o trabalho, tornando intuitivas as penetrações no campo vibratório do médium, mas este interpõe forte obstáculo, de molde a impossibilitar o contacto. O mais interessante é que o fato se passa freqüentemente no momento mesmo da concentração para o trabalho mediúnico, quer em casa, quer nos centros espíritas destinados à consecução de tal mister.
Precisamos entender as reações humanas, pois tais bloqueios têm origens diversas, sendo a mais comum o temor pela influenciação a que está acostumado, principalmente quando tem o vezo de se deixar embalar por malévolas sugestões a maior parte do tempo, imaginando que tudo seja criação sua.
Mas não vamos estender-nos a respeito dos que não se deixam sujeitar por medo. Vamos concentrar-nos naqueles que, em muito maior número, desejam só o apanhado de mensagens de alto teor, propícias a espantar os parceiros e demais integrantes da comunidade espírita.
É claro que todos gostaríamos de poder elaborar belíssimos textos, adequados para todos os seres inteligentes e sensíveis. No entanto, a nossa experiência está condicionada ao grau de adiantamento conseguido, de forma que nem sempre somos capazes de manipular com maestria o instrumento que está ao dispor, menos ainda quando nos tomam por seres muito inferiores e imperfeitos, impedindo-nos de trazer a nossa humilde mensagem de estímulo à aprendizagem e à abnegação do amor pelas criaturas.
Não sejamos demasiado críticos diante da fenomenologia mediúnica. Saibamos ater-nos a transcrever ou a reproduzir oralmente as vibrações que nos chegam, confiantes em que os organizadores da sessão saberão doutrinar os espíritos em vias de comunicação.
Apanhados felizes de ditados são raros. Até mesmo texto muito trabalhados no etéreo e absolutamente coerentes com as verdades evangélicas, no mais puro estilo da língua culta, emitidos com segurança e traduzidos com precisão, por nomes consagrados tanto num quanto noutro plano, não recebem universal aceitação, havendo resistências até mesmo para eles, em diversas camadas da sociedade, uns, por não compreenderem exatamente o labor do artífice, outros, invejosos de tão magnificente realização.
Caros amigos, não fiquem bravos conosco por estarmos a acicatá-los com a lembrança da pobreza intelectual e sentimental. Caso os dizeres não lhes digam respeito, perdoem-nos, como Jesus nos ensinou, pois o menos que queremos é deixá-los apáticos ou indiferentes relativamente ao entrelaçamento sadio que deve haver entre os planos. Talvez não logremos comovê-los através da aproximação com pessoas queridas, mas, apesar de tudo, abram o coração para quem está a desejar-lhes todas as felicidades do mundo.
Vivamos em paz nas mãos do Senhor e saibamos reconhecer na natureza a presença do Pai, já que não temos outros recursos sensórios capazes de nos comprovarem a existência da vida espiritual, a não ser por informações deste tipo.
Eis que se revela o objetivo final de nossa fala: a necessidade de se compreender a vida como sucessão de conseqüências morais forjadas por nossos atos, a cada instante da existência. Não vamos falir, para não termos de resgatar em dor, penosamente, o produto da intemperança.
Chega de recriminações! Abramos os corações e aliviemos a carga emotiva das frustrações que nos pesam na consciência. Compreendamos as resistências que opomos à evolução e saibamos romper as presilhas que nos atam a esta maneira retrógrada de ser.
Que os avisos do Alto nos repercutam favoravelmente na mente, para que reconheçamos em Deus o criador excelso do universo. Oremos para que tudo se faça segundo a vontade do Pai.
8
EXPERIÊNCIAS
Não temos outro objetivo senão exercer o direito que nos foi passado de aplicar-nos aos estudos, sendo a psicografia um dos exercícios mais importantes do roteiro escolar.
Claro está que não iremos abusar (não é essa a pretensão de qualquer elemento do grupo), mesmo porque estes momentos são preciosos para nós, que queremos diplomar-nos na categoria de socorristas, apesar de não termos vocação para a escrita. De qualquer forma, o desempenho que obtivermos nestas tardes servir-nos-á como arrimo para prosseguirmos no curso, já que nos destinamos para a influência intuitiva, podendo ocorrer de nos tornarmos orientadores ou doutrinadores, caso sejamos aceitos em alguma comunidade espírita necessitada de auxiliares desse tipo.
Ainda que o texto produzido possa parecer fundamentado nos ensinos de Jesus — não havendo permissão para qualquer outra divagação de caráter pessoal —, mesmo assim não deve ser considerado como superior, pois nos falta o brilho da realização especial dos seres muito aperfeiçoados na arte de escrever.
Queríamos deixar bem claro este aspecto, pois havíamos prometido que os desenvolvimentos talvez viessem a merecer publicação, mas é que estávamos referindo-nos a certa qualidade de leitor, do tipo dos que necessitam de algumas palavras bem acessíveis. Caso o que viermos a produzir esteja muito além das possibilidades dos encarnados — e nosso nível de desenvolvimento nos proíbe afirmar que haja qualquer possibilidade disso —, toda a produção deverá ter como destino o cesto do lixo.
Se os irmãozinhos acharem que o que estamos a dizer é que somos verdadeiramente humildes, pedimos-lhes que não abusem das interpretações, pois o que deveras somos é paupérrimos, embora nossa formação nos impeça de cometer atos de rebeldia e de incitamento a ela.
Estamos atônitos por termos conseguido alinhavar algumas frases, sem termos de repetir as mesmas idéias. Fiquemos, então, restritos a este simples comunicado, pois já colhemos suficiente material para as discussões da equipe e para as explanações dos mestres.
Pai de infinito amor, recebei a nossa prece com carinhoso afeto, pois isto é o máximo que nossas condições nos permitem oferecer-vos. Se estamos muito preocupados conosco, querido Pai, acreditai que bem gostaríamos de estar solicitando pelos irmãos que sofrem e se encontram em piores situações. Acontece, porém, que somos tão frágeis que nos atemoriza o fato de dirigirmo-nos a vós de forma indelicada e improcedente. Por isso, Senhor, perdoai os nossos pecados e atendei aos pedidos dos irmãos em desespero!
9
O DIA SEGUINTE
Incontinênti, tendo avaliado a situação, ponderou o anfitrião que a visita iria passar a noite no quarto de hóspedes. Não haveria como recusar.
Joaquim aceitou a oferta e dispôs-se a conversar com o mestre no dia seguinte, após noite bem dormida e repousante.
Hoje é o dia seguinte.
Logo de manhãzinha, acendeu-se o fogão e se cozeram as castanhas para acompanharem o leite e o pão, refeição frugal que se completava com algumas frutas frescas.
O amigo do etéreo sabia receber aqueles que, pela primeira vez, se punham sob seu teto protetor.
Mas o assunto não se poderia mais adiar. Joaquim esperou o amigo terminar a rápida refeição e iniciou longo discurso em que expunha, minucioso, todas as peripécias da vida até o decesso.
Nada havia de notável aos olhos do instrutor, mas para o recém-chegado tudo parecia pender para o sofrimento e a dor da ânsia de se ver compelido a penosíssimos resgates.
— Coisa pouca! — disse, ao término da narração. — Basta que o jovem se deixe envolver pelo halo de luz que se desprende do evangelho. Saber quais são e como adquirir as virtudes é o primeiro passo inadiável. Daí para frente, os fatos irão ocorrendo à medida do avanço, segundo sua capacidade. Nunca demonstre pressa, na azáfama da conquista. Sedimente os conhecimentos e se ponha de bem com todos. Se puder auxiliar alguém, faça-o com extrema boa vontade, pois será o meio mais eficaz de progredir. Fique na paz de Deus!
Ao sair da residência do orientador, Joaquim sentia-se totalmente aliviado das pressões psíquicas que o haviam atormentado. Então, era de tão boa mente que eram recebidos os que chegavam da carne? Não se lembrava de ter sido nunca assim, nos vislumbres da memória que lhe vinham de tempos idos.
Não importava. Agora era correr mundo para obter os méritos que lhe faltavam. Primeiramente, procuraria os seus, que deveriam...
Aqui se encerra a narração. Os acontecimentos que se seguiram duraram quinze anos, até que Joaquim pudesse apresentar-se para este trabalho. Sei que é obra sem valor; todavia, quanto não representa em avanço desde que recebi as orientações seguras do mestre!
Vou dizer-lhes que estou mui feliz em poder comparecer para a comunicação; mas não se compara esta alegria com a que me dominou ao retirar-me da casa do guardião. Sentia-me desfalecer, crente de que imenso peso me era retirado das costas.
Escrevo isto para não pensarem os leitores que irão poder furtar-se ao encontro da verdade. Façam como eu: não mintam nem desejem aumentar ou diminuir a importância dos fatos. Tudo que puderem compreender, estará de há muito nos domínios cognitivos do anjo protetor.
Fiquem calmos e não esperem muito do encontro, se não tiverem tido o correspondente arrependimento por tudo que houverem realizado contrariando as diretrizes de Jesus. Rezem bastante para não se deixarem envolver por idéias de grandeza e não finjam humildade que não possuam. Ajam com sinceridade e naturalidade, para poderem conhecer o verdadeiro gosto da alegria.
Saibam que sempre haverá um dia seguinte para apresentarem a sua causa. É o tempo que se dá aos confessados, para pensarem e repensarem a respeito de suas atitudes na vida.
Fiquem na paz do Senhor!
Comentário
É tão importante o texto que o grupo transmitiu que não nos atrevemos a trazer mais nada, nesta data, à consideração dos amigos.
É preciso estar atento para os momentos de concentração consciencial, que são os mais decisivos para quem almeja ingressar em campos novos de energização, mais elevados e freqüentados por entidades mais evoluídas. Não se pense, entretanto, que todos serão igualmente recebidos com hospedagens de primeira e refeição substanciosa. Isso se consegue por merecimento.
Vamos, pois, trabalhar desde já, tendo em vista futura recepção de amor. Para tanto, é preciso compenetrarmo-nos de que nem tudo que fazemos está perfeitamente adequado à recomendação evangélica. A todo momento, haveremos de necessitar interrogar-nos a respeito de cada mínima vibração, pois é santo o temor de ofender as leis que regem o bom procedimento universal.
Saibamos reconhecer no Senhor o divino mestre que nos trouxe os mais elevados ensinamentos. Havemos de entender o que nos determinam suas palavras de amor e seu exemplo de vida. Havemos de reconhecer que temos muito que aprender e que realizar, em função do amor a Deus e ao próximo, o que nos foi instituído como premissa maior, para merecermos o reino do Senhor. Havemos de muito caminhar, mesmo se apaniguados por serenos e sábios conselhos de nosso anfitrião, como se viu a personagem da história. Se errarmos, busquemos rigorosa correção, para não mais cairmos na mesma esparrela. Sintamos no coração a força que os instrutores gostariam que nos fundamentasse o pensamento e a determinação. Deixemos de lado a falsa potencialidade malévola de quem se arremete no mundo para usufruir vantagens sobre os irmãos. Soframos as desditas da humildade, da pobreza, da miséria, se for o caso, mas não percamos o élan na busca da eterna felicidade.
Que de sacrifícios precisam ser feitos para superação dos males! Pois saibamos ponderar com sabedoria, para não termos de exclamar os horrores dos sofrimentos atrozes provindos do remorso e da impotência de fazer volver o tempo, para desatar as amarrações com que nos prendemos ao mal. Pensemos no dia seguinte, realizando hoje o melhor que nos for possível.
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UM DIA DE FOLGA
Bem que gostaríamos de poder usufruir um dia de folga, da forma pela qual gozam os encarnados certos momentos de êxtase diante da natureza, espairecendo, longe das responsabilidades e das tarefas sagradas de cada hora.
Hoje seria esplêndido dia para isso, pois o tempo está sobremodo agradável e tudo convida a participarmos da vida instintiva dos pássaros, que voam despreocupados, pois têm assegurados o sustento e a segurança para a ninhada.
Os homens, no entanto, não se satisfazem com alguns dias durante o ano. Querem os fins de semana, os feriados, as férias e, se possível, algumas horas a mais diante da perspectiva de pontos facultativos extemporâneos. Os que vivem do comércio de portas abertas até que ficam molestados com tantos dias de folga, mas não reclamam, pois há eventos especialíssimos, próprios para se incrementarem as vendas.
Não vamos ficar a lamuriar a falta que nos fazem as regalias que os encarnados têm, nem vamos injuriá-los por estabelecer para si mesmos imensos períodos de inanição intelectual. Nós é que nos sobrecarregamos quando percebemos o quanto deixamos passar de oportunidades preciosas, já que, em vida, tivemos exatamente a mesma atitude daqueles que desejam livrar-se do peso do trabalho.
Eis que a advertência que tínhamos se completa de maneira perfeita, ou seja, o hábito do descanso gera duas posições distintas mas complementares: a primeira, do desejo de prosseguir na flauta, mas com a consciência de que isso é prejudicial; a segunda, da necessidade de vencer os aspectos do progresso que deveriam ter sido adquiridos, o que nos pressiona e angustia.
Normalmente, os espíritos têm momentos de lazer e de reconforto moral, mas sempre advindos da alegria de se alcançarem objetivos. Se demasiado sofredores pelo remorso insofreável, são provisoriamente afastados das lides socorristas, para as quais deixaram de contribuir positivamente, e recebem ordem de espairecer, como em estação de tratamento. O período de convalescença é o que mais se assemelha ao dia de folga à beira da piscina, com a diferença de que, no etéreo, o ser não está em condições de trabalhar e, na matéria, o encarnado quase sempre está adquirindo alguma moléstia ou desajuste que irá carrear para os dias em que deveria estar plenamente na posse das energias.
Se os caros amigos têm a possibilidade de veranear ou hibernar, não se esqueçam de levar consigo algo que signifique progresso, como sejam os livros da codificação ou outros da literatura espírita. Caso tenham desenvolvidos os dons da mediunidade, participem de alguma mesa de socorro fraterno, no local de destino. Não se afastem da caridade e do amor e assistam, com desvelo, a quantos necessitados lhes cruzarem o caminho. Se dessas atividades imprevistas lhes brotarem alegrias e consolações, podem crer que será o melhor aproveitamento que se fará de qualquer período de repouso.
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EXERCÍCIOS FÍSICOS
Para a manutenção da saúde, todo espiritista deve precaver-se dos males da inércia, do sedentarismo, buscando realizar exercícios de caráter regenerador das forças desgastadas no labutar diário. Para tanto, não há necessidade de se filiar a qualquer associação esportiva, já que nem todos estão aptos a despender a quantia correspondente à mensalidade.
Caso seja esse o seu caso, procurem a companhia saudável dos parceiros em idêntica situação e passem a fazer longas caminhadas, alegres e felizes, que se constituem na melhor maneira de conservar o tônus muscular, cardiovascular e humoral absolutamente em ordem.
Claro está que não estamos recomendando algo que possa vir a ferir recomendações médicas expressas de resguardo, em caso de doenças crônicas, para as quais o exercitar-se significa agravamento. Tudo deve ser feito com segurança e serenidade, o que nos obriga a dizer que se deve partir da premissa da recomendação especial de algum facultativo da área.
Não havendo óbices de caráter médico, a conservação da saúde só poderá redundar em proveito para a participação do amigo ou amiga nas tarefas de assistência fraterna. É preciso preservar o corpo material, para dar à alma condições de realizar os objetivos com que se encarnou. Tudo se resume nisso.
Boa sorte, companheiros! Que a paz de Jesus os alcance, onde quer se encontrem!
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A FIGUEIRA DE JESUS
Há, nos Evangelhos (Mt. XXI: 18-22; Lc. XIII: 6-9), a belíssima parábola conhecida como A figueira seca. Quem não conhece o relato bíblico, segundo o qual Jesus, ao perceber que a bela figueira, toda vestida de folhas, não apresentava fruto algum, a fez secar, para ensinar aos homens o que lhes acontecerá se, em suas vidas, não produzirem nada de bom para os semelhantes?!
Existe interpretação corrente em que Jesus, por recursos fluídicos, executa fisicamente a transformação da árvore, obrigando-a a secar. Não concordamos com tal explicação, pois seria o mesmo que esquecer que, se há recursos fluídicos para a degenerescência, certamente haverá aqueles próprios para fazer o vegetal florir e frutificar.
Teria Jesus empregado tão mal os seus poderes especiais de espírito superior, incapaz de exemplificar com o bem? Responda você, bom amigo, sem ver em nossa postura indício algum de que estejamos censurando o Mestre. Estamos, tão-só, interessados em sentir a lição moral, sem descermos à crença na aplicação material do exemplo. Não é outra a função do socorrismo, ou seja, provocar as árvores infrutíferas a que produzam com muito amor e felicidade.
Fique o aviso para futuras apreciações junto aos amigos, nos debates íntimos dos grupos de estudo.
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O ALOPRADO
Há certos seres que se julgam sumamente agradáveis perante a opinião. Sendo assim, agem de acordo com essa idéia, procurando tornar o local alegre, através de trejeitos e brincadeiras, em que se tornam as figuras centrais. Na verdade, não estão bem postos no grupo, parecendo-lhes que, se não fizerem algo grandioso, heróico, não poderão os demais sobreviver ao tédio.
Estarão os irmãos inquirindo da verdade espiritual que possa conter-se nos comentários, uma vez que tudo transcorre no plano da matéria. É que a formação da personalidade desses amigos acaba por ficar absolutamente falha, impedindo que tenham acesso imediato a patamares superiores na escala evolutiva.
É nossa palavra, pois, de advertência, para que os seres encarnados se vigiem, caso estejam categorizados como leves e suaves, brilhantes e picarescos, mas sem se firmarem nas virtudes da seriedade, no trato dos ensinos cristãos. Muitos são até geniais em inteligência e tato, incapazes de ferir susceptibilidades, mas tudo que praticam faz com que se acredite que sejam verdadeiros aloprados, infelizes na escolha dos caminhos para o progresso.
Como ajudar a esses irmãos? Da forma mais corriqueira: puxando-os para o nosso lado e obrigando-os a ouvir tertúlias absolutamente coerentes com as premissas evangélicas. É também interessante não lhes permitir sucesso fácil através das costumeiras momices, insistindo em que tanto o ponto de partida quanto o de chegada sejam do conhecimento de todos.
Havemos de conquistá-los, se Deus quiser, para a salvação.
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DA ECONOMIA
Nosso irmão escrevente foi por nós coagido a devolver a folha quase vazia, para que iniciássemos nosso segundo ditado. Foi só mero exemplo que dispusemos ao vivo para ilustrar o tema desta mensagem: a economia.
O encarnado que trabalha e recebe o ganho correspondente em dinheiro julga que pode aplicá-lo onde melhor lhe apraza, esquecido de que houve o desgaste energético para auferir a quantia.
Isto nos leva, imediatamente, a perguntar onde fica o livre-arbítrio, já que o possuidor deve considerar-se dono da coisa possuída.
Raciocinemos por absurdo. O camarada trabalhou durante trinta dias, doze horas por dia e foi muito mal remunerado: seu dinheiro só dava para adquirir uma caixa de veneno ou um botijão de gasolina. Será que estaria exercendo seu livre-arbítrio se ingerisse os produtos adquiridos? Certamente. E estaria correto diante da Lei? Em absoluto.
Então, a conclusão óbvia é a de que a coisa possuída deve representar algo de maior valor do que simples objeto, mesmo que totalmente justa a propriedade. O que seria esse algo mais? A importância do instrumento que se utiliza como ferramenta para soerguer, para consertar, para remendar, para alavancar moralmente as criaturas.
Em matéria de dinheiro, fazer economia é de lei, pois o esbanjamento só significará alheamento das necessidades cármicas de ajuda ao próximo.
Não queiram ver nestas palavras o estímulo a que tudo se deva distribuir entre os carentes, de sorte a torná-los eternos dependentes da boa vontade alheia. Era o menos que se esperaria que pregássemos, pois a nossa iniciativa é a do trabalho e da consciência. Mas há serviços que precisam caminhar céleres, para que os frutos venham a ser colhidos pelos mais miseráveis, como a construção de hospitais, de estabelecimentos comerciais cooperativos, de indústrias que agasalharão mais empregados e assim por diante.
Haveremos um dia de aprender a utilizar com inteligência as nossas economias? Certamente, se nos inspirarmos nas palavras do Senhor.
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PALAVREADO
Quando a equipe discutiu a respeito das mensagens que elaboraria, buscou-se um norte, para que a estrutura textual se configurasse mais ou menos uniforme. Um dos pontos básicos estabelecidos foi a praticabilidade dos temas e dos ensinos que nos caberiam lembrar. Por isso, o palavreado deveria restringir-se ao comum dos leitores em condições de compreensão das aulas, ao nível da quarta série do primeiro grau de estudos no âmbito do ensino brasileiro.
Parece-nos que tal objetivo estamos logrando, posto aqui e ali vicejem expressões menos corriqueiras, pois, afinal de contas, havemos também de contribuir para a aprendizagem vocabular.
Evitados os preciosismos de terminologia e de construção, restava contornar o problema do jargão técnico, pois muitos termos extraídos diretamente das ciências exatas ou de comportamento iriam constituir-se em bloqueio para o entendimento. Optou-se, pois, por circunscrever os assuntos a exame mais simples e adequado para público de pouco conhecimento no âmbito da moralidade e da intelectualidade.
Por outro lado, o grupo encontrou inúmeras dificuldades para confeccionar extratos que contivessem visões completas, sem acumular conceitos, o que se tornaria em selva densa e intransponível para quem não estivesse habituado às leituras de caráter filosófico-doutrinário do espiritismo.
Por todas essas deliberações, inclusive pelo sistema adotado de comunicação, qual seja, o de palavra a palavra, não espere o escrevente que nos estendamos por muitas laudas de cada vez. Até este mesmo texto tem o sabor do improviso, pois teimava o médium em requisitar do grupo outra manifestação, considerando extremamente curto o contacto desta tarde.
Na verdade, míseras três páginas de psicografia, concordamos, é aproveitar bastante mal a boa vontade do colaborador encarnado. É que esperávamos também carta branca para estendermos o tempo disponível.
Entendemos o recado e anunciamos para a próxima vez a possibilidade de realizar algo mais substancioso do ponto de vista quantitativo.
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RECHEIO
Aos poucos, o amigo ia enfronhando-se nas manias do jovem, de modo que não demorou para que pudesse avaliar, de maneira precisa, quem era aquele ser que tudo fazia para ajudá-lo no campo espiritual, além de incentivá-lo a progredir materialmente.
Era incrível a solicitude de Juvenal pelo companheiro Ruiz. Digo mal: era de total abnegação e sacrifício. Mas a nossa história irá desbaratar os fantasmas, de sorte que elucidaremos, desde logo, o leitor a respeito do que se passava.
É que Ruiz havia produzido algumas coisas boas em favor do amigo, em encarne anterior, e isto o fizera penhorado. Acreditando-se em débito flagrante, desejava Juvenal tornar a dívida menos pesada na espiritualidade, onde bem pouco poderia fazer pelo amigo, já que o reconhecia bem mais avançado no campo evolutivo.
Estranha condição é essa: o ser, na carne, pode cooperar com alguém para quem muito pouco tem para oferecer no etéreo. São injunções carnais misteriosas, para os que não têm a luz espírita.
Nós, acostumados com os deslizes dos humanos, até que nos surpreendemos com a condição de Juvenal, pois parecia possuidor de todas as informações dos relacionamentos anteriores, em plena vigília.
Fomos, por isso, informar-nos do que estava ocorrendo e recebemos a notícia de que, como recheio obrigatório de sua contextura vital, recebeu Juvenal a incumbência de bem cuidar de Ruiz, causa primária exclusiva de sua internação na matéria. Era missão ou provação absoluta. O mais viria por acréscimo de misericórdia.
Não ficamos sabendo do resultado final da tarefa, mas temos a impressão de que haverá plenas condições para o missionário levar com sucesso até o fim o seu desiderato.
Ruiz está com quase noventa anos e precisa de toda a assistência de Juvenal, com quarenta e poucos. Eis que o trabalho não se apresenta como eventual nem facultativo. É prova irrecusável.
Têm os amigos leitores algo parecido para enfrentar? Ou avô, avó, tio, primo, ou mesmo, pai, padrasto, madrasta, sogra... Às vezes, a provação é demasiado grande, pois onerada por acréscimo de rejeição desta ou de outras encarnações. Entretanto, mesmo que não se caracterize a missão, é bom desempenhar o papel de bom samaritano desinteressadamente, pois pode estar aí o busílis da vitória sobre os males.
Havemos de encerrar o tópico, emitindo o desejo de que tudo se resolva pela forma melhor para todos, para o que oramos ao Pai com muito afeto e compenetração do valor da prece, para a realização dos objetivos maiores de cada qual.
Adeus, bons amigos! Fiquem na paz de Deus!
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BONS COMPANHEIROS
Ruiz e Juvenal eram companheiros na Terra, mas de difícil entendimento, porque Ruiz apresentava-se com noventa anos à época em que Juvenal estava com quarenta e cinco.
Mas Juvenal empenhava-se de maneira superior para o atendimento das necessidades do amigo. Parecia até que o mais novo é que orientava o mais velho em todos os aspectos vitais, inclusive nas doces recomendações de caráter espiritual, para o enfrentamento das vicissitudes da morte e do desligamento dos cordames perispiríticos.
Saberia Juvenal que estava em débito para com Ruiz? Tudo levava a crer que sim, pois todos os seus atos de vida se condensavam para o auxílio ao irmão necessitado.
Como estranhássemos muitíssimo tal situação, saímos a investigar o caso e descobrimos que Juvenal tinha extenso rol de maus serviços relativos a Ruiz, desde vários encarnes anteriores. Incompreensivelmente, permaneceram ligados intimamente na carne, já que Ruiz apresentava aspectos da aura que evidenciavam grau mais elevado de adiantamento evolutivo. Após muito refletir, chegamos à conclusão de que assim é que deveria ser, pois, no etéreo, Juvenal teria muito poucos recursos para oferecer seus préstimos ao credor. Ficou-nos evidente, por conseguinte, que ambos anuíram para essa espécie de encarnação em missão ou provação, a fim de provocarem o não compromisso do endividado.
Não teriam os amigos leitores algum parente ou amigo nessas circunstâncias, de modo que o débito estivesse para ser resgatado? Um avô, avó, tios, primos, cunhados, madrasta, padrasto, sogros... Às vezes, a provação é tão grande que se onera da rejeição. Em tais casos, não fica bem nítida a missão do auxílio, entretanto, a nossa recomendação não poderia ser diferente: cuidar do necessitado poderá significar a desobrigação de compromissos cuja lembrança não se tenha fixado na memória de modo tão impositivo como o que ocorria com Juvenal.
Vamos encerrar a participação, orando com fervor para que este aviso encontre os amigos dispostos para receber em paz a notícia da necessidade cármica. Onde quer que estejam, velem pela realização de todos os objetivos do encarne, sem esmorecimentos, sem temores e sem estremecimentos. Valham-se do Senhor e apelem pela ajuda dos companheiros desencarnados, mas não deixem de executar tudo que possam, com a máxima boa vontade, em prol dos mais velhos.
Fiquem nas mãos do Senhor!
Comentário
Entre as duas mensagens intermediou um período de pouco mais de hora e meia, em que o escrevente esteve repousando por aconselhamento nosso. Nesse período, o grupo discutiu a primeira versão e chegou a alguns resultados surpreendentes: a mensagem não estaria a contento do amigo leitor acostumado com textos mais positivos e diretos. Houve suspense inútil quanto às idades das personagens.
Pedimos aos amigos que comparem as duas formulações, chegando a opinar a respeito da que melhor os satisfez, principalmente no aspecto do convencimento da necessidade de auxiliar alguém em idênticas circunstâncias em que jazia Ruiz, para o que apresentava forte relutância. Haverá possibilidade disso?
Estamos inovando mediante a normal concepção de nossos textos, pois temos de cumprir alguns compromissos com o socorrismo, já que é forçoso que auxiliemos os encarnados como obrigação inadiável.
Graças a Deus, temos tido a compreensão de muitos espíritos cordatos e generosos. Oremos para que todos estejam nessa mesma faixa de vibração espiritual.
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AFLIÇÃO E CALMA
A hora da morte é terrível para quem está com a consciência prenhe de males e sabe disso. Ao justo, bom e misericordioso, àquele que praticou a caridade, que cumpriu os deveres, que deu à luz os seres com quem manteve contrato de internação na carne, tudo fazendo para criá-los, educá-los, amá-los e encaminhá-los, não lhes parece de modo algum assombroso ter de enfrentar o mistério.
De qualquer forma, o desplante da última hora que visa a derrubar os muros que parecem antepor-se, tendo em vista passado de crimes e de vícios, pode ter o efeito da superação do temor, mas não encontra repercussão alguma no etéreo, pois os jactanciosos, os violentos, os grosseiros não têm outra recepção senão de seres do mesmo nível de vibração.
Por isso, a recomendação mais inteligente, sábia e amiga que podemos oferecer para o enfrentamento inarredável é o da tranqüilidade fundamentada na confiança de que os protetores estão aguardando o companheiro que abandona a luta na carne.
Poderíamos categorizar inúmeros tipos de passagens de um para outro plano, mas não nos parece ser elucidativo a ponto de encaixar cada amigo leitor em determinada situação. Valha-nos a recomendação de caráter mais amplo, genérico e abrangente. O bem que se transformou em obras é que deve falar pelos indivíduos.
Moveu-nos a este comentário o desejo de conhecer o que cada criatura traz embutido na psique, mormente após a observação temerosa de certa pessoa mui querida, atacada hoje de modestíssima moléstia, mas debilitadora da vontade e da reflexão.
Aceitem os amigos esta dissertação como modelar de quantos pedidos nos forem formulados, ou seja, quando há temas importantes, levantados em condições oportunas, com o coração batendo mais forte e com o desejo de solução baseado em honestos propósitos de compreensão, podem os irmãos concentrar-se que receberão, por via intuitiva, amplos esclarecimentos da parte dos guardiães espirituais. Nem sempre prometemos atender, pois há questões que ultrapassam nossa capacidade e nossos conhecimentos. Mas isso deixaremos bem claro na mente do inquiridor, já que aí será ele quem estará estimulando os parceiros do etéreo à pesquisa e à meditação.
Esperando ter deixado claras as intenções do grupo nestas circunstâncias de auxílio, pomo-nos à disposição de quanto amigo pretenda esclarecer dúvidas verdadeiras. Insistimos que não haja armadilhas para a espiritualidade, porque, por afinidade de vibrações, quem irá apresentar-se para as respostas não estará em condições morais adequadas para prestar as informações necessárias. Cuidado, pois, companheiros, com os sentimentos e intenções!
Fiquem sob os cuidados do Senhor!
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CHEIO DE SONO
Aos poucos, após cerrado sono, a pessoa vai despertando para a realidade circunjacente. É verdade que, em estado sonambúlico, esteve o espírito fortemente ligado à realidade íntima da existência consciencial, de forma a propiciar-lhe a absorção do desenvolvimento espiritual que se vai promovendo, à medida que lhe crescem em virtude as habilidades. É como se alguém pudesse ir tomando pé de todas as modificações físicas que se operam no período do crescimento ou do acabrunhamento do vigor orgânico.
Da mesma forma que fica impregnado o cérebro imperceptivelmente para o consciente, vão ficando impressas no perispírito, de modo imponderável, as alterações que o procedimento moral cristaliza ou derrui.
Mas o indivíduo desperta, ou seja, volta a preponderar-lhe na mente as sensações externas, restando-lhe um fio de memória dos acontecimentos vividos durante o sono, mas não passíveis de caracterização, dado que a maneira pela qual as representações agem imageticamente tendem a fixar cenas e episódios aproximados do que a memória guarda das experiências da vigília.
Digamos, para argumentar, que o todo deste comunicado tenha sido escrito pelo próprio encarnado, cheio de sono por ter recentemente acordado, incentivado para a escrita por impulso prévio irresistível, uma vez que no âmbito das responsabilidades coercitivas da vontade. Seria o que teria para registrar, à medida que se sentisse ainda envolvido pelo entorpecimento. Entretanto, a nível de racionalidade elaborativa, a ponto de redigir mensagem completa, ou seja, coerente, equilibrada e, sobretudo, verossímil, para não afirmar que verdadeira, não estaria apto a grandes produções, o que desmentiria, se possível, a condição de sonolência a impedir manifestações lúcidas.
Para o âmbito das experiências espirituais, contudo, tal estado da mente é muito favorável à transmissão de ditados psíquicos muito próximos da verdade do emitente, já que o escrevente se predispõe com mais facilidade a aceitar os impulsos que lhe chegam diretamente ao centro de comando da expressão verbal.
Todo o roteiro deste texto se fundamentou, na prática, no estágio do despertar anunciado desde o título, quando sugerimos que o médium estava obscurecido mentalmente, por encontrar-se cheio de sono.
Perdoe-nos ele o atrevimento da condição a que o levamos quando lhe sugerimos que se deitasse, para rápido sono de pouco mais de uma hora. Não tem consciência, neste instante, do contrato estabelecido entre nós durante o período de alheamento corpóreo, mas demonstra muito boa vontade ao perceber que algo está a redigir com absoluto aspecto de verdade.
Oremos, irmão, para que dêem certo as experiências postas em prática pela espiritualidade, no intuito de transferir para os encarnados conhecimentos básicos da realidade psíquico-espiritual, em consonância com os requisitos da densidade corpórea do organismo humano como concretização do ideário evolutivo do cosmo, para não dizer em cumprimento da divina lei impressa nos códigos genéticos, para a realização na matéria concernente à essência onde se formam os organismos vivos.
Sabemos da extrema dificuldade de registro dos impulsos energéticos constitutivos da realidade espiritual, em função das deficiências organizacionais da psique encarnada, mas releve-nos o leitor os percalços que não pudemos contornar e atente para o fulcro das apreciações, buscando resgatar para si os conhecimentos que a linguagem humana traduziu, por esforço de concentração mediúnica conjunta emissor-recebedor.
Coloquemo-nos todos nas mãos de Deus, cientes e conscientes de que um dia teremos plenitude de raciocínios na concepção das verdades existenciais, para o que, desde já, nos apliquemos à compreensão e absorção das pregações cristãs, procurando entender o porquê da afirmação de Jesus de que através dele é que se abre o caminho para o Pai.
Com sono, embora, saibamos coagir a violência temperamental dos instintos e reajamos de maneira o mais humanitária possível, voltados para o enriquecimento moral, intelectual e afetivo do nosso irmão, para o que nos enchamos de poder vibratório, para crescermos em virtudes.
Graças a Deus, com algum esforço, conseguimos traduzir o que havíamos preparado para esta tarde. Agradecemos a boa vontade do amigo escrevente e rogamos ao Senhor que nos abençoe a todos.
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DEPOIS DO REPOUSO
Hemos dito que é sempre possível conseguir-se contacto mediúnico, principalmente em estado meio sonambúlico, como está quem desperta de profundo sono e se põe a trabalhar. Eis que nosso mediador está precisamente em tais condições, o que o levou a ter a esperança em que os amigos da espiritualidade se aprestassem para a comunicação.
Realmente, aqui estamos, mas é necessário saber que existe contrato de trabalho entre nós, o que favorece a que o irmãozinho receba tratamento espiritual condigno. Assim, a recomendação para a psicografia tem seus limites, pois pode ocorrer, pela freqüência do receptor, que espíritos menos aparelhados para o bem lhe assumam a pena, mistificando mensagens de amor e ternura, mas induzindo-o a erros de interpretação evangélica, de forma a conseguirem submetê-lo a sevícias mentais e morais.
Hoje o tema não nos permite desenvolvimento muito longo, pois o essencial era deixar claro que nem sempre se pode, inocentemente, buscar as forças do etéreo. Sendo assim, a segurança do ambiente resguardado do centro permite desenvolvimento mediúnico mais efetivo, sem percalços desagradáveis, dado o esquema de bloqueios aos acessos aos menos previdentes funcionar com perfeição, o que permite a todos serenidade no trato dos temas de interesse espiritual da humanidade.
Vamos deixar o irmãozinho sossegado, afirmando que, em todo caso, se houver boa intenção do mediador, se as preces forem sinceras, se o intuito socorrista existir impregnado na vontade de auxiliar, aí os penates acorrerão para salvaguarda da situação de exposição às forças do mal, podendo, se houver condições favoráveis, promover alguma espécie de manifestação elucidativa.
Nada na vida realizado com amor e pureza de intenções frustrará as expectativas dos orientadores e anjos guardiães, de modo que a precaução a que acima aludimos deve tomar-se quando se suspeitar de hipocrisia, de desejo megalômano ou, simplesmente, de inveja e ciumeira relativas aos irmãos que têm o apanágio de habitualmente trabalharem insulados.
Rogando a Deus nos perdoe o atrevimento destas orientações, já que não nos sentimos com as qualidades de bom samaritano, agradecemos à equipe que nos assessorou e ao médium de quem nos servimos.
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PALAVRAS DE PRUDÊNCIA
Explicando a razão por que requisitamos do mediador que dormisse antes de se propor ao trabalho mediúnico, esteve o companheiro desenvolvendo o tema do resguardo da psicografia, para que não descambem os irmãos em vãs tentativas de contatar os protetores, despreparados para o conhecimento das verdades e das mentiras que possam assinalar nas comunicações que lhes forem passadas.
É sempre útil deixar impressas palavras de prudência, contudo também se deve expor a algum perigo, caso os iniciantes estejam certos de seu desejo sadio de intermediar grupos amigos da espiritualidade, necessitados de alguém em quem possam confiar, para prolongado e feliz contacto educativo recíproco. Sempre haverá o recurso da apreciação a posteriori dos méritos dos trabalhos, quer pelo próprio escrevente, quer por amigos mais habilitados.
Se é arriscado deixar-se obsedar por algum frívolo companheiro da erraticidade, também é preciso oferecer-lhe apoio para melhoria das condições morais, seja por meio das preces do mediador, seja pela assistência do grupo socorrista interessado em sua cooperação. Sempre as produções julgadas indignas poderão merecer o destino do cesto de lixo, acompanhadas de orações em favor do mistificador.
Finalmente, chegamos ao tópico importante do animismo, pois, inseguros quanto à veracidade do apanhado real de ditados de origem espiritual, muitos se precipitam a escrever o que lhes vai pela cabeça, desenvolvendo temas conhecidos. Nesse caso, não há perigo algum, a não ser que se repitam mui constantemente as mensagens, sem que os amigos percebam o próprio enredamento em que se fizeram cair.
Este é um pouco o caso destas manifestações de agora, pois o nosso instrumento recebeu, como nos declara, várias composições a respeito destes assuntos. Havemos, em nosso caso, de lembrar o grande volume de mensagens, dos mais diferentes temas, através de formulações diversificadas, para caracterizar que não deve temer estar sendo engodado pelo inconsciente.
Encerrando estas apreciações muito perfunctórias, vamos orar ao Senhor, para agradecer a desenvoltura que todos obtivermos no trato dos fenômenos espíritas, fundamento sobre que se erigirá a obra dos mentores dos clãs, em função do crescimento moral de todos.
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MUDANÇAS
Pode parecer pouco o fato de nos propormos a mudar a maneira de ser e o procedimento. Mas, se a intenção for honesta, será valiosíssimo para os empreendimentos que se seguirão.
Quando alteramos a simples disposição dos móveis da casa, pomos à mostra imensa série de pequeninas ocorrências que merecem atenção, sejam roupas em desuso que podem ser doadas, seja a presença de cupim a devorar alguma peça importante, seja o foco de inseto daninho a fabricar suas teias, pondo em risco a saúde dos habitantes.
Encaremos a limpeza como necessária, mas desde que exercida de modo profundo, o que só se consegue com o afastamento dos utensílios do lugar que ocupam. Vejam que já não estamos referindo-nos às mobílias da casa, mas às condições morais daqueles que se propõem a melhorar o padrão de comportamento.
A exposição é simples e não requer capacidade alguma para entendimento. Esperamos em Deus que tudo possa ser tão fácil e rápido, pois é sempre chegada a hora da perfilhação dos ideais evangélicos de Jesus.
Vamos, amigos, elevar o espírito para o Alto e cotejemos o nosso desempenho espiritual com o das figuras excelsas que se prontificaram ao auxílio da humanidade, desprendendo-se das ânsias individuais inferiores. Cataloguemos as atitudes de caráter positivo e obremos com amor para suplantar possíveis malfazejas intenções. Desliguemo-nos da malícia e da hipocrisia e esforcemo-nos por deixar para trás os vícios daninhos que corroem as entranhas do organismo e da consciência. Saibamos reconhecer a necessidade do aperfeiçoamento das qualidades e não nos arrefeçamos na arremetida rumo à perfeição.
Eis que estaremos atendendo à solicitação de Jesus:
— Sede perfeitos como o Pai é perfeito!
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CORPO DE DEUS
Há um ano atrás, nesta mesma data festiva do Catolicismo, os amigos de outra turma desenvolveram, de modo sério e responsável, longa mensagem a respeito do simbolismo religioso a serviço de vis interesses materiais (ver Corpus Christi, in: Passando em Revista o Sentimento, pelo Grupo do Amor).
Queremos confirmar as mesmas proposições e apontá-las como absolutamente coerentes com a necessária postura moral que devem ter os amigos que se juntam sob a bandeira espírita.
Não se deixem envolver, irmãos, pelas exterioridades que assumem os cultos e demais tópicos litúrgicos das religiões das massas. Se é bonito ver o desforço dos colegiais e dos fiéis a enfeitarem as ruas por onde passará a procissão, também é de lei que se encham os corações de flores para o recebimento de Jesus em sua intimidade.
Para isso, muita prece e muito trabalho socorrista, no duplo sentido do auxílio material e espiritual. Acreditem que os amigos da espiritualidade anseiam muito mais peregrinar sobre tais homenagens do que os mortais estimam caminhar sobre os esforços reverentes dos que se ajoelham no calçamento das ruas para adorar publicamente o Senhor.
Se há resquícios de vontade de participar de festejos religiosos, nada há que impeça tal manifestação; mas que fique claro que nada supera a prece dita no íntimo da alma, no quarto, a portas fechadas, em secreto, como nos orientou o Cristo—Jesus.
Que cada qual erga os pensamentos a Deus e vibre, nesta data, em harmonia com todas as criaturas que têm desenvolvido o espírito religioso e cristão. Desse conjunto de vibrações se construirá catedral de amor, que alcançará a Jesus, de quem receberemos as bênçãos mais ternas e eficazes para o soerguimento de todos os que sofrem.
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PSICOGRAFIA E INSPIRAÇÃO
Imaginou o escrevente que os textos desta data pudessem estar tão-só sendo inspirados ao seu intelecto. Explicando melhor: sugeriu que, à vista da necessidade que se põe diante da consciência de cumprir as obrigações para com os orientadores espirituais, talvez tivesse sido ele mesmo o autor das comunicações, recebendo apenas sustentação do campo vibratório etéreo. Não seria nada mais que animismo subvencionado pelos instrutores ou guardiães. Não seria animismo puro, porque não deu vazão às preocupações desta fase da vida, nem obsessão, por julgar que o teor dos textos não conduziria o médium ou os possíveis leitores a elaborarem em erro.
Respeitamos as observações do amigo, tanto que nos propusemos a esclarecer o fato. Desconfia ele de que as idéias que expressou talvez lhe tenham sido endereçadas pelos habituais freqüentadores de sua pena e, nisto, tem plena razão. Todavia, dada a aquiescência e a meia aprovação dos conceitos da dúvida, podemos dizer que tais proposições sejam de sua autoria.
Mas não terçamos armas por tão pouco. O que nos traz de novo à sua presença é a necessidade de afirmar que as intuições acima estão totalmente equivocadas. Na verdade, houve transmissões completas da parte dos alunos escalados, que cumpriam obrigações escolares no âmbito das atribuições que lhes são determinadas na Escolinha.
Mudando o rumo das observações, mas permanecendo no setor das suspeitas, temos de comentar outro reparo do escrevente, este relativo à confecção dos textos em seqüência, como se capítulos fossem de obra encomendada, através de planejamento rígido e seguro. Não será preciso estender-nos muito a respeito, bastando dizer que o todo dos ditados comprovará a veracidade da assertiva. De qualquer modo, deve ficar evidenciado, desde já, que a intenção é dar cumprimento a algo bem definido nesse sentido, para que, além dos exercícios de aula, possamos contribuir com algo que possa vir a ser valioso para os encarnados necessitados deste tipo de esclarecimentos.
Como afirmamos, sentimo-nos bem à vontade para o comentário oportuno às vibrações interrogativas séria dos amigos. Tal é o nosso interesse em colocar respostas válidas às questões, que até somos capazes de instigar a mente dos companheiros encarnados, para que expandam raciocínios atrevidos a respeito de temas pouco conhecidos, o que nos dará ensejo a desenvolvimentos deste tipo, que são os que programamos para a turma.
Serenamente, vamos pondo um ponto-final nesta tarde magnífica de psicografia pura, agradecendo a boa vontade do médium e alegrando-nos com as mudanças que vem propondo para o arranjo das mobílias da residência. Esperamos que não fique apenas nisso.
Marcelo.
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UM DIA PUXADO
Imaginemos que o mediador esteja muitíssimo cansado de tudo que fez durante o dia e, à noite, se apresente para os trabalhos mediúnicos no centro. Não é isso o que mais comumente ocorre?
Pois, então, que se pedirá ao que tenha tamanha boa vontade senão que se predisponha a sacrifício extra, de modo a poder-se atender ao plano da espiritualidade necessitado de sua cooperação?!
Este pequeno desenvolvimento é para estimular a todos os bons irmãos que, muitas vezes, se sentem afadigados e, por isso, temerosos de que suas vibrações venham a prejudicar os trabalhos.
Nada mais falso, pois estão os mentores capacitados a avaliar as condições perispirituais e físicas, fazendo por temperar as energias, dando-lhes a força e a vitalidade condizentes com os desgastes que se espera vão acontecer.
De qualquer modo, a serenidade da postura e a confiança nas providências dos amigos do etéreo induzem os médiuns experientes a aguardar o fim das tarefas, com ganhos significativos no campo da energização, saindo do centro de forma bem melhor dispostos do que quando chegaram.
Quando não atendidos nos aspectos materiais, a só evidência de que foram úteis, mediante o resultado das comunicações que intermediaram, é suficiente para restabelecer os elos de alegria com a própria função. Aí é de ver com que satisfação se elevam comovidas preces de agradecimento.
Eis tópico que deve ser bem compreendido, para que eventuais desânimos ou simples arrefecimentos de vontade não se tornem em sérios obstáculos, afastando até o trabalhador da mesa de assistência fraterna.
Fiquemos por aqui, neste simples escorço sugerido pelas condições de verdadeira exaustão física do escrevente. Eis que se apercebeu ele das verdades do discurso e já se encontra de ânimo novo, a verificar com que facilidade se dispôs ao ditado.
Oremos sempre ao Senhor comovidas orações de agradecimento, crentes de que receberemos os eflúvios magnéticos de recomposição orgânica perispiritual.
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DISTÚRBIOS
É evidente que nossa tendência mais atual é a de permitir que o médium se utilize do moderno método da escrita através do computador, pelas imensas vantagens que o aparelho tem sobre o manuscrito. Não fora a possibilidade de falha na corrente elétrica a desligar a máquina e, conseqüentemente, anular o ditado em andamento, nenhum obstáculo encontraríamos a opor a tal benefício da tecnologia.
Gostaríamos de ter podido efetuar, desde o início, o treinamento nesta máquina de reprodução, para termos, nesta altura do trabalho, mais habilidade. De qualquer modo, não nos perturbaremos com a novidade, pois nos parece que a diferença entre os impulsos para o manuscrito e os da datilografia são mínimas, dado que a influenciação se faz, não sobre o braço ou os dedos, mas sobre o centro de recepção intuitiva do cérebro.
Não nos interessa ficar a deslindar os problemas da transmissão, senão dizer que estamos maravilhados com esta possibilidade muito mais segura e enérgica, preponderantemente no que respeita ao desempenho categórico do mediador, no sentido de não se perturbar com a grafia e os possíveis deslizes do registro dos vocábulos, uma vez que sabe que o resultado não será jamais definitivo, havendo inteira possibilidade de remendar o texto, a ponto de corrigir, sem indício, todos os erros, omissões e acrescentamentos inoportunos.
Queremos agradecer a boa vontade do mediador em ter oferecido o recurso desde logo lhe foi possível, para o que envidou esforços no sentido de aprestar-se para reservar sossego absoluto para o trabalho. Além de tudo, ainda resta o benefício da concentração, pois não há como fugir ao interesse da vibração em consonância com o tema em desenvolvimento.
Desejamos, finalmente, enfatizar que todo o grupo se ajustou em derredor do mediador para avaliar-lhe a desenvoltura, em confronto com as experiências conhecidas. É, realmente, muito confortador estar a ditar a mensagem neste feliz encontro entre o moderno e o antigo, pois nós nos consideramos bastante ultrapassados relativamente às novidades da eletrônica, já que nosso tempo de convívio entre os encarnados aniversariou diversas vezes, havendo quem nem chegasse a conhecer sequer a facilidade da máquina de escrever elétrica, sem ainda as complicações eletrônicas mais recentes.
Sabemos que existem planos no etéreo de utilização direta do computador, sem que haja necessidade de o médium datilografar mecanicamente, como está o amigo a fazer. Entretanto, não temos qualquer possibilidade de avançar nas informações, uma vez que o que sabemos nos foi diretamente fornecido pela mente do escrevente, já que somos tão-só meros alunos de primeiros atrevimentos no campo da evangelização. Se tivéssemos algum conhecimento científico de caráter espiritual superior, certamente outra seria a atitude diante do fato.
Julgamos necessário, neste primeiro comunicado eletrônico, assinalar o êxtase e os problemas relativos ao grupo, para deixar bem claros os rumos que se seguirão, impedindo o escrevente de qualquer entusiasmo fantasioso. É preciso estarmos dentro da realidade, para poder servir-nos dela ou servir a ela.
Vamos ficando por aqui, renovando os agradecimentos efusivos ao amigo, pelo desfrute de sua companhia e de seus atributos e conhecimentos.
Marcelo (pelo grupo).
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UM ARREPIO NA ESPINHA
Desejo iniciar a participação nesta festiva tarde de início de inverno com a introdução costumeira dos que se sentem demasiado pobres para relevantes mensagens de evangelização, ou seja, dando, inicialmente, a notícia de que não tenho grandes projetos para este momento psicográfico, a não ser o de aprender, através do trabalho, o próprio trabalho. As informações, conselhos e demais serviços socorristas que se podem realizar por meio da mediunidade ficam pálidos diante da necessidade do contato puro e simples.
Estou percebendo que o ditado está apresentando evidentes diferenças do anterior, mesmo porque o conhecimento dos termos da parte dos orientadores é mais preciso e firme, já que mais afeitos a lidar com este tipo de composição, que tem definidas as regras para o corpo de comunicadores.
Estou, todavia, empolgado com a tarefa desempenhada, pois o resultado está se pondo, literalmente, diante dos olhos, sob forma de brilho em luz que a tinta da caneta ajuda a esconder, quando o que sentimos é profunda alegria pela concretização do trabalho.
Não estranhe o escrevente este tipo de manifestação, acostumado que está com a facilidade de outros comunicadores. Estou tão-só servindo de modelo para os amigos, pois o exemplo do irmão Marcelo não nos serviu completamente, dado que suas disponibilidades intelectuais e morais são de superior quilate, em confronto com as do grupo de alunos, como exige que consignemos.
Tudo está indo muito bem, mesmo no que diz respeito às expectativas do mediador, pois sentimos, em suas reações emotivo-intelectivas, que está também bastante entusiasmado com o andamento das transmissões. Não vê a hora de terminar o apanhado para poder corrigir as falhas e elaborar conceito crítico sobre o teor dos comunicados. Parece-lhe que muito do que se está deixando registrado advém de sua psique profunda, tantas foram as vezes que deixou fluírem pelas mãos as vibrações dos amigos da espiritualidade. De qualquer forma, acostumado a ficar admirado com o resultado, não opõe resistências muito grandes, de forma que estamos bem à vontade para demonstrar pensamentos e sentimentos em relação ao trabalho desta tarde atípica.
Confiamos em que o primeiro dia esteja indo bem, até além das expectativas do grupo, pois o amigo se põe a escrever com velocidade bastante acentuada, superior inclusive à de quando datilografa os textos prontos para enfeixá-los.
Aliás, estamos acompanhando a datilografia da turma que nos antecedeu e devemos dizer que muito nos admiramos de que tenha havido bastante indecisão quanto à possibilidade de publicação das manifestações. Não seremos nós quem irá julgar dos méritos literários ou doutrinais, mas nos parece evidente que os trabalhos mereceram bastante empenho dos amigos, de forma que o resultado final, como um todo, pode vir a significar alguma ajuda para quantos encarnados se interessem por desenvolver a mediunidade, principalmente porque julgamos que haja pouca literatura espírita relativamente àquele tipo de recomendações íntimas. Não estamos, evidentemente, diante de obra acabada de seres espiritualizados na luz do Senhor, mas, sem dúvida alguma, são informações bastante próximas da realidade dos problemas mais corriqueiros de quantos se atrevem a iniciar-se na complicada tarefa de intermediar os planos, principalmente com o objetivo de servir para o crescimento dos conhecimentos técnicos da parte dos espíritos.
Sentimos que nosso ajustamento a este tipo de escrita esteja indo de vento em popa, tanto que o volume da mensagem está passando em muito dos limites estabelecidos para a média das apresentações desta turma, cujas diretrizes bem se fixaram ao início das transmissões.
Acreditamos em Deus que o dia de hoje frutificará e para breve poderemos dizer que tudo transcorre em plena normalidade, quando o amigo se posicionar diante da máquina.
Registre o nome de Orlando, mas saiba que houve muitos irmãos que compareceram para tentar sentir como é que se dá a transmissão para a escrita com ambas as mãos, utilizando-se dos mecanismos adestrados do médium.
Fiquemos todos na paz do Senhor!
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CICATRIZES
Sabemos conferir exatamente a cada ser a importância que tem diante da criação, isto é: somos todos filhos de Deus. Não é assim que nos denominamos no portal das comunicações? Mas acontece que as criaturas se julgam diferentemente, atribuindo-se valores que não têm, ou deixando de consignar méritos, que não percebem por excessivo cuidado com presumível orgulho. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Vamos ficar em saudável meio-termo e compenetremo-nos de que os nossos atributos são variáveis apenas nos aspectos acidentais. O essencial vem de Deus e, portanto, é o mesmo para todos. Mas surge obrigação existencial para quantos se reconhecem filhos de Deus: a necessidade de cumprir a Lei da Evolução, pois progredir é imprescindível, para que nos ajustemos ao reino do Pai, conforme nos assinalou o Mestre Jesus, nosso caminho luminoso.
Evidentemente, não somos ingênuos a ponto de abraçar indiferentemente a todos, confundindo os que trabalham pelo aperfeiçoamento com os que se debatem nas sombras da ignomínia. Se Deus forneceu igualmente a todos a centelha da criação, também nós temos de manter acesa a chama da esperança de encontrarmo-nos com o Pai em condições de superior desenvolvimento. Sabemo-nos imperfeitos, mas reconhecemo-nos perfectíveis, caso contrário não haveria necessidade de existirmos na carne, pois, na cômputo dos bens e dos prejuízos de caráter material, dificilmente deixaremos de levar desvantagens. No entanto, acreditamos na vida, na organização da família e no amor das criaturas, e aceitamos, incondicionalmente, perlustrar tantas vezes quantas necessárias as estradas do orbe, muitas em condições de extrema inferioridade carnal. Não é bela essa concepção da vida, em engrandecimento, sem retrocessos, sem perturbações, sem ameaças de degradação?!
Fiemo-nos, irmãos, nas lições de Jesus, que nos pediu que sejamos tão perfeitos quanto é perfeito o Pai, tão perfeitos que sejamos capazes de bem compreender a figura, pois, para o cumprimento da diretriz evangélica, não há jamais que nos considerarmos envoltos na densidade da matéria desta essência carnal.
Parece-nos que a dissertação está bastante clara, para podermos, desde já, impor, como dever, a ação de virtude, em prol dos irmãos que pelejam com maior dificuldade, para atingir os objetivos de sabedoria que nos parecem de fácil intelecção, mercê de nossa desenvoltura mental. Não é à toa que somos capazes de elaborar textos e somos ainda mais eficazes em decifrá-los, acolhendo as boas formulações, juntando exemplos próprios, segundo o modelo bíblico dos evangelistas, e acrescentando experiências de vida adquiridas nas batalhas travadas nos campos da benfeitoria amorável do espírito caridoso a que pugnamos por obedecer, principalmente porque a consciência vai aperfeiçoando-se, em função dos embates da dor e do desespero.
Realizada a pregação das virtudes, restar-nos-á elaborar projeto de ajuda bem seguro, de modo a nos integrarmos na irmandade dos santos, com a finalidade de adquirirmos vezos de angelitude, desde os pequenos trabalhos que realizarmos em benefícios dos irmãos necessitados de socorro afetivo e efetivo.
Mais dia, menos dia, deparar-nos-emos com problemas de difícil resolução para nosso aparato mental, uma vez que iremos aperfeiçoando-nos e adentrando na compreensão da realidade mais concernente aos ganhos espirituais de todos os tipos e que se põem como inadiáveis. Aí a inexperiência nos campos novos das decisões morais nos torna perplexos diante da complexidade das soluções e dos entreveros conscienciais. Restar-nos-á recorrermo-nos aos amigos de superior categoria, para o que necessitaremos aprender a orar com fervor. Eis que se completa o ciclo das atividades possíveis, em função dos ganhos que se espera que todos os encarnados consigam.
Não há escapar desse círculo. É de obrigação para todos tornarem-se bons e justos e misericordiosos e caritativos e honestos; em suma, perfeitos.
Agradeçamos ao Pai o vislumbre do caminho e saibamos ver no Cristo o mais luminoso farol para nos guiar através da negritude da miséria atual. Aceitemos o destino de dor, se assim nos foi determinado, por razões que por ora quedam desconhecidas, mas jamais nos revoltemos contra as circunstâncias, que sabemos transitórias, querendo ver nesses fantasmas que se desvanecem no ar a realidade definitiva ao lado do Senhor.
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CORRESPONDÊNCIA
Se recebemos bastante, devemos comprovar que somos hábeis o suficiente para fazer com que haja muito no momento da cobrança, a qual certamente se dará, mais cedo ou mais tarde. Se tivermos recebido um grãozinho de nada, saibamos preservá-lo e, se possível, aumentá-lo, para que estejamos aptos a ser aprovados na prestação das contas.
O que estamos colocando é bíblico e não será preciso muito investigar para encontrar, entre os evangelistas, quais os que mantiveram o discurso de Jesus. (Mt. XXIV: 42-51; Lc. XII: 42-48.)
Como caracterizar o que recebemos de forma a bem definirmos o que deveremos repor?
É difícil de responder à questão proposta, principalmente porque os encarnados criam certa carapaça de direitos humanos com que pretendem manter o status, de modo que tudo o que possuem lhes parece fruto do acaso, pois se certificam de que pertencem a esta ou aquela família, que se situam nesta ou aquela casta social etc. Temos bastante desenvolvido o censo social, o que nos impede de avaliar o que realmente nos foi colocado como ótimo pelas forças espirituais encarregadas do reencarne. É duro ter de reconhecer, por exemplo, que a visão perfeita é bem de inestimável valor; que a saúde deve ser preservada incorruptível e reverenciada como sacrossanto atributo, dado como suporte para os feitos de benemerência que deveremos acrescentar ao patrimônio inicial. Saber que temos dificuldade de locomoção talvez nos indique que devamos realizar algo melhor com os poderes que se concentraram no cérebro, inteligência a forçar que a vontade realize em prol dos semelhantes. Assim são os méritos que temos de empréstimo e os correspondentes atributos que deveremos juntar, para que, no momento do ajuste de contas, estejamos preparados para receber os encômios pelo desempenho feliz e oportuno.
E quem recebeu pouco? Bem, estes têm de agradecer a oportunidade de terem de devolver menos, pois não estão compromissados integralmente. No entanto, não devem lastimar, mas bem ponderar que sua parte, conquanto menos significativa, também é assaz importante para o seu próprio desenvolvimento. Quem sabe não tenham condições de enfrentar maiores responsabilidades, devendo desenvolver de modo mais preponderante alguma faculdade moral em falta?!
Em tudo existe a sabedoria divina a transparecer. O que nos falha, costumeiramente, é o poder de julgamento, pois não temos o brilho intelectual imaculado; ao contrário, é só percebermos que a inteligência e o poder de compreensão da realidade circunstante nos é fácil, providenciamos raciocínios através de silogismos de preponderância e prepotência, de sorte que, em pouco tempo, estamos tornando os menos lúcidos em escravos de nossa vil determinação. O crescimento fenece, o que tínhamos em abundância se volta contra nossa contextura psíquica e acabamos soçobrando moralmente, justamente quando melhor aparelhados para enfrentar os embates mais gloriosos.
Saibamos lutar a boa luta, refazendo a cada instante os passos dados, para bem reconhecermos o quanto de verdade se concentrou em nossa postura diante dos fatos da vida e da existência. Deliberemos sabiamente para não termos a desventura de, tendo trazido cesto recheado de supimpas provisões, retornar ao etéreo com ele recheado de péssimos atos e pérfidos atributos.
Utilizamos o dia para estender-nos mais longamente a respeito das vicissitudes cármicas da vida, pois não nos podemos furtar a demonstrar aos irmãos em Deus que temos urgentes necessidades de evoluir, para justificar o convite que nos foi feito. Rezemos agora, agradecendo esta oportunidade, qualquer tenha sido a quantidade de qualidades com que fomos apaniguados nesta travessia. Quem sabe, algum dia, venhamos pejados das mais formosas atribuições, como missionários da luz, o que nos obrigará a realizar façanhas, para as quais sequer estamos aparelhados atualmente a compreender. Confiemos em que o Pai é misericordioso e velará para que todos os filhos tenham iguais oportunidades, durante seus trajetos existenciais. Agradeçamos, sobretudo, se nos percebemos maleáveis e dóceis à influenciação amorável dos protetores, cujos interesses em nos exalçar à vista do Senhor estão diretamente ligados às atribuições que lhes foram passadas para o período correspondente ao do nosso transitar pelo planeta.
Alcemos os pensamentos para as forças do etéreo e vejamos, em cada pequenino serviço prestado, luzinha a se acender no manto das esperanças de um dia conseguirmos adentrar o paraíso, onde iremos demorar-nos aos pés do Senhor.
Perdoem-nos a linguagem figurada tão ao gosto das religiões oficiais. É que, na ultima encarnação, tivemos o dom da palavra e subimos muitas vezes ao púlpito, para vergastar os vícios e exaltar as virtudes. Só que o que mais fazíamos era apontar os pecadores, esquecidos de descobrir as trilhas abertas pelos pecados. Acusávamos, em lugar de perdoar e encaminhar. Dávamos inúteis exemplos bíblicos de sacrifícios pungentes, mantendo-nos, porém, à distância dos desprendimentos. Fazíamos, com a nossa capa de mágico, proezas incríveis de prestidigitação, a envolver as consciências de vãos temores. Não éramos capazes de elucidar um ponto da doutrina de forma cabal e completa, levando os paroquianos a uma ação eficaz para debelar os problemas morais que os assediavam. Tínhamos todos os brilhos da luminescência mais poderosa; aclarávamos, contudo, quartos vazios e trilhas que não levavam senão ao orgulho, à vaidade e ao egoísmo.
Falamos de nós mesmos e damos a impressão dúbia de que nos emendamos e nos aperfeiçoamos. Ao contrário, é a forma que encontramos para a advertência oportuna. Se pudéssemos, em lugar desta facilidade verbal, transformaríamos toda esta luxúria em uma única gota de sangue, para demonstrar que estamos todo inteiro nestas vibrações, que se transformam neste texto tão arrevesado, complexo e mal argamassado. Acreditem, irmãos, que a vontade seria tomá-los suavemente pelos ombros e encaminhá-los pelas sendas do sofrimento por que perpassamos e ainda não deixamos totalmente, para que se evitem desagradáveis e inevitáveis surpresas. Que nos baste a perspectiva da boa vontade de cada amigo, para que nos contenhamos no desejo de aplainar o caminho, levando-os a pensarem seriamente a respeito de cada ponto por nós colocado como prioritário, em função dos graves desvios que se observam pelas tentações do mundo.
Por ora sentimo-nos satisfeito por termos podido realizar este longo discurso. Lutaremos daqui por diante que chegue ao maior número possível de pessoas, não tanto pela publicação duvidosa e insegura, mas porque o treinamento nos foi utilíssimo para habilitar-nos a utilizar o conhecimento, nas influenciações diretas que procederemos junto às consciências de quantos abrirem os corações para a influenciação mediúnica.
Como último apelo, incitamos a todos os irmãos espíritas que alvorocem os centros de auxílio espiritual, no sentido de fazer com que o povo se inteire da necessidade de adiantarem-se no campo evolutivo, mediante a leitura e aplicação das diretrizes estabelecidas pelo irmão Kardec, principalmente em seus justos comentários a respeito da revelação de Jesus. Saibamos instruir-nos na verdade do cristianismo redivivo que é o Espiritismo Kardecista e sacrifiquemo-nos, se preciso for, para que todos os irmãos possam receber uma migalhinha que seja do lauto banquete que temos a possibilidade de compartilhar com nossos pares. Saibamos devolver, não a Deus, mas ao próximo, tudo o que nos foi ofertado, pois assim jamais nos enganaremos relativamente ao quanto que deveremos, na hora do ajuste das contas.
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REALIZAÇÕES
Aos poucos, vamos acostumando-nos com o sistema proposto pelo irmãozinho médium de transmissão mediúnica datilográfica.
Ontem, empenhamo-nos em realizar duas comunicações bastante avantajadas, pois queríamos experimentar o sistema, aplicando à mente do encarnado eflúvios vigorosíssimos. Como bem observou o amigo, hoje diminuímos fortemente o empuxo vibratório, de modo a facultar-lhe apanhado bem mais sereno, a ponto de colocá-lo à vontade para perceber falhas de composição, principalmente no que respeita à possibilidade de se evitarem repetições, as quais, de resto, demos ensejo de propósito para chamar a atenção do escrevente para o fato. Não se deve, pois, alijar a presente mensagem, pelo menos até este ponto, das fórmulas convencionais adotadas pela Escolinha, pois têm significação exemplificativa.
De novo estamos levando o grupo a se conformar com a novidade da escrita, de sorte que o êxtase da facilidade prossegue, cada vez mais intenso, já que aspectos diferentes são postos à apreciação de todos. Fique, portanto, o médium bastante satisfeito, por ter tomado tão importante iniciativa, uma vez que o ritmo dos trabalhos está recebendo impulsos valiosíssimos, enquanto a contextura textual vai impondo-se ainda melhor, no que concerne aos imperativos de caráter espiritual, porque a participação do mediador se dilui com extrema facilidade, não estando capacitado a seguir os desenvolvimentos frásicos da mesma forma que ocorre quando se põe a manuscrever, perdendo quase totalmente a noção do conjunto. Só por esforço de memória é consegue relembrar vagamente o que escreveu ao início do período, sendo-lhe, portanto, quase impossível dar seqüência própria ao desenvolvimento temático. Este resultado não estava nas cogitações dos instrutores, de forma que é ganho suplementar de importância, no sentido de se impedir a participação cultural e doutrinária habitual na maioria dos médiuns capacitados a tomar ditados.
Como se pode observar, este texto não está sendo improvisado, mas foi preparado com extremo cuidado, após prolongadas discussões de todo o pessoal encarregado das avaliações setoriais, pois coube a cada pequenina fração do conjunto ficar atenta a tópicos significativos, no que tange à comparação que deveria nascer naturalmente do confronto entre as duas modalidades oferecidas pelo auxiliar.
Somos, assim, levados a considerar esta tarefa em desenvolvimento como de suma importância para a compreensão do título atribuído à mensagem, pois faz parte das realizações a que devemos aplicar-nos para transpor os umbrais da ignorância, no plano do conhecimento das formas de contato da realidade corpórea.
Estamos imensamente felizes com os resultados, tanto que não nos cansamos de repetir a admiração pelos lucros que esta forma está propiciando a todos.
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TEXTOS ARREVESADOS
Aceitamos a crítica de termos trazido textos em linguagem complexa e de difícil intelecção para a maioria da povo, uma vez que, em geral, os homens não primam pela escolaridade. Além do mais, não há preocupação da parte deles em buscar mensagens que possam trazer conhecimentos, ensinamentos e até discussões a respeito de pontos essenciais para a compreensão do que seja a existência e a vida.
Havemos de convir, todavia, que a simplificação da terminologia ou o empobrecimento sintático só tendem a afastar os que têm capacidade de entendimento, sem a contrapartida da atração dos que estão em piores condições quanto à intelectualidade. Em outras palavras: estaremos desvestindo um santo, sem o correspondente revestir de outro, o que tornaria a emenda bem pior que o soneto.
De qualquer forma, o que se pede a cada qual é esforço, no sentido da aplicação intelectual sobre os diversos temas espíritas, o que tanto deverá fazer-se no que tange ao entendimento de textos considerados mais acessíveis, como os que Kardec colocou sob a rubrica de O Evangelho Segundo o Espiritismo, como no que concerne à introjeção das matérias mais científicas e técnicas, condensadas, por exemplo, na obra A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo.
Não seremos nós, evidentemente, os pioneiros a elaborar mensagens consideradas de difícil percepção pela maioria dos leitores. Mas, com certeza, haverão todos de palmilhar um dia estes mesmos caminhos, pois não há como facilitar a compreensão, a não ser como impulso inicial de interesses. Mesmo quando o indivíduo exerce a profissão de mestre na crosta ou se alinha entre os socorristas no etéreo, devemos levar em consideração que sua responsabilidade, no máximo, estará em auxiliar na aprendizagem, em orientar; aprender caberá ao orientando, ao aluno, desde que, para isso, se empenhe.
Não nos iludamos: qualquer seja o nível das exigências, sempre haverá quem esteja bastante defasado em relação ao que se está propugnando como necessário de ser assimilado. Não houvesse analfabetos e até poderíamos dizer que todas as obras deveriam conter artifícios de elucidação condizentes com o desenvolvimento mental de cada um. Mas escrever obras para analfabetos seria contrariar a natureza. Não será esta observação passível de estender-se no caso em tela, ou seja, que a escritura tão-só destinada aos mais fracos levaria o todo humano a imaginar que tudo no universo possa conter-se na jarra menor?
Outros argumentos poderíamos acrescentar a esta já longa série, mas não teriam qualquer valor para os que ainda não entenderam a necessidade de que haja textos sérios, fundamentados em teorias complexas emanadas de conhecimentos produzidos por profundas investigações no cerne existencial da consciência, e improdutivos para os que se capacitaram a entender que os homens irão crescendo à medida que se dedicarem ao aprimoramento das qualidades. E isto ninguém jamais será capaz de fazer por ninguém.
Que bom seria se um anjo de luz imaculada descesse do céu, brandindo as asas com suavidade, e, cheio de amor, nos carregasse para o seio de Deus, jejunos, embora, quanto ao conhecimento do valor da sabedoria, mas ingênuos e puros, santos por termos só realizado o que está ao nosso alcance mais imediato, ignorantes, contudo, das lutas empreendidas pelos sábios, em função do deslindamento das verdades para o efeito do aperfeiçoamento dos recursos à disposição, para que se possa efetuar o máximo em proveito de todos! Que bom seria!...
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SACRIFÍCIOS
Paralelamente ao desenvolvimento da mensagem anterior, temos ainda de colocar diante dos olhos dos amigos série de considerações a respeito dos méritos de quem se sacrifica para conseguir obter bens de valor transcendental, como sejam o conhecimento da verdade, o hábito das virtudes, o vezo de pensar de modo reto e positivo e a aplicação das forças emocionais para a sensibilização íntima da consciência, em função de tornar-se permeável à beleza da grandiosidade da criação. Outros tipos de aquisições poderíamos relacionar, como o emprego da meditação para a compreensão da própria realidade divina, como o desenvolvimento da mediunidade para o contato imediato com as forças do etéreo encarregadas de encaminhar as entidades para o desfecho em felicidade das encarnações, como o aprimoramento das faculdades de aceitação do outro como semelhante e, por isso, necessitado de ajuda e socorro, independentemente das feições que possam assumir suas posturas em relação à sociedade em geral e aos indivíduos em particular.
São ganhos que não se alcançam sem sacrifícios, uma vez que, para cada conquista no sentido positivo, haverá de haver o esquecimento de alguma vantagem material que a oportunidade da vida estará oferecendo. É nesse sentido que nos pomos à disposição dos amigos, já que é de obrigação para os socorristas alertar para a necessidade do desenvolvimento das qualidades, se a diretriz imposta à vida é a da ascensão na escala evolutiva. Não há fugir ao aprendizado, o que nos leva a concluir, de pronto, que, sem estudo, não se poderá avançar. E isto depende da boa vontade e do alto nível de desprendimento de cada um, o que, se não se realizar agora, terá de ser feito mais tarde, talvez até em condições menos tranqüilas. Aprender pelo amor será sempre preferível a ter de enfrentar a dor, o sofrimento e o desespero da compreensão de que as oportunidades foram perdidas, porque desejamos, um dia, prevaricar.
Aliemo-nos, amigos, em torno dos ideais evangélicos e saibamos reconhecer, definitivamente, que os ensinamentos de Jesus não são quiméricos, mas condizentes com a necessidade de progredir que cada ser humano traz consigo existência afora. É condição essencial para que sejam alcançados os objetivos da vida, qualquer seja o nível espiritual em que nos encontremos. Saibamos reverenciar os otimistas, os quais julgam tudo possível, porque têm a certeza de que estão sendo amparados pelo Senhor.
Caso estejamos descrentes, cansados, irresolutos, desanimados, afastemos as depressões, argüindo a nossa fé em Deus e incitando-nos a corresponder aos anseios que se notam por toda a parte pela concretização dos esforços vitais, em consagração ao amor do Pai por nós.
Oremos, então, a prece que melhor nos traduza as expectativas em relação aos eventos que nos faltam perfazer para atingirmos o ápice das realizações desta encarnação, e supliquemos que estejamos absolutamente certos nas conclusões a que tivermos chegado. Isto, sim, parece-nos bastante simples de conseguir, pois conversar com o Criador dentro do coração, provavelmente, seja o ato menos sacrificial.
Encaremos a vida com denodo e ajamos com a certeza de que teremos sempre a companhia dos protetores e guias, os quais não desanimam, não arrefecem, não se agoniam, mesmo diante dos fracassos mais terríveis dos pupilos, porque sabem que Deus é pai de misericórdia e que jamais abandonará qualquer das criaturas.
Relevem, caros amigos, a forma de pregação que adotamos para estes textos. Transformem as mensagens segundo o modelo que lhes parece melhor. Tornem o estilo mais leve, a frase mais solta, o pensamento mais compreensível, o texto mais suave, os temas mais adequados; mas não deixem de consagrar-se à instrução, mesmo que isso represente incríveis sacrifícios: a recompensa não tardará e as bênçãos de Deus se espargirão de forma a tornar-lhes a vida jardim de felicidade, prenúncio do Éden.
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SOLICITUDE
Estranha-nos o fato de muitos encarnados se endereçarem à espiritualidade para a solicitação de benefícios, muitos dos quais meramente carnais e provisórios, recusando-se, no entanto, mesmo quando instados por forças da melhor categoria moral, a se proporem ao auxílio mediúnico das entidades necessitadas. É como se só desejassem ver realizar-se a promessa divina do vinde a nós o vosso reino, não abrindo mão sequer de um pouquinho de tempo para a devida retribuição. Não estamos lançando censura sobre ninguém, senão que constatamos simples fato, aliás verificável por quantos tenham a acuidade mental de perceber o quanto de temor, muitas vezes, se instalou no fundo da alma desses pobres estropiados das religiões oficiais.
Entretanto, nós, por estarmos muitas vezes acompanhando os passos desses infiéis seguidores dos templos cristãos, somos testemunhas das fugidias investidas aos terreiros do Candomblé, quando não até da Quimbanda, para o efeito da vingança espiritual.
É de interesse observar que quase sempre os pedidos são atendidos, com o máximo de solicitude, de acordo com as forças e as possibilidades das entidades a quem se dirigem as rogativas.
Por outro lado, não nos esqueceremos também de referirmo-nos aos protetores familiares, aqueles seres dotados de energias específicas no tratamento e na orientação individualizada, segundo o espectro vibratório do assistido, ao qual poderão auxiliar ou não na prestação dos serviços requeridos, desde que de acordo com a programação estabelecida e da qual têm conhecimento. Neste caso, os seres a quem se recorreu submetem seus alvitres a tais protetores, desde que haja merecimento da parte do requerente encarnado. Muitas vezes, há tanta aleivosia, que os pedidos são atendidos, mesmo que ofereçam graves riscos de contaminação pelo mal que espargem sobre outras criaturas.
Pode parecer que estejamos tentando meter grande medo nos corações dos leitores, mas a verdade é que é preciso extremo cuidado ao se estabelecerem os contactos com a espiritualidade, principalmente quando não se pretende formar via de dupla mão, no intuito de só se obterem certos lucros, mediante pagamentos inexpressivos de velas, galinhas ou garrafas de cachaça. O oferecimento de dinheiro é o mais geral, mas a estimativa da paga assim concebida onera por demais as consciências, pois sempre sobram resquícios de pundonores e estremecimentos íntimos, por se julgar que o trabalho não deva ser remunerado, talvez por não se aceitar que assim pudesse ser se os papéis se invertessem e os requerentes estivessem exercendo as funções de benfeitores. São melindres sutis que não pesam absolutamente a favor de quem esteja pleiteando o mal ou até mesmo o bem, sem o devido ressarcimento das dívidas, por medo de que os sacrifícios a serem exigidos possam vir a ser superiores ao que se tinha em mira despender.
Até este ponto da mensagem, nada do que dissemos deve considerar-se novidade alguma, pois estamos francamente colocando todas as cartas na mesa, sem que tenhamos tomado o partido de ofender ou de estabelecer acusações agudas para comoção das consciências. Ao contrário, convidamos os bons amigos a que nos sigam os raciocínios e, caso verifiquem que haja falhas interpretativas, a que nos alertem, para que possamos reformular os pensamentos, dando-lhes estrutura mais solidamente fincada nos ensinos cristãos.
Ainda que não tenhamos convencido ninguém, mesmo assim estamos satisfeitos pelo desempenho que tivemos, por mais mísera venha a se constituir a presente enunciação, isto porque estamos a exemplificar ao vivo os fundamentos do ditado, já que conseguimos, diante do grupo dos alunos, revelar que temos tentado demonstrar agradecimento não da boca para fora, mas de dentro do coração, uma vez que esta produção exigiu de nós profundos arrebatamentos.
Posta a condição de inferioridade do comunicador, pedimos vênia para deixar o posto, elucidando que a responsabilidade pela confecção da mensagem coube tão-só ao livre-arbítrio do aluno e não, como muitas vezes acontece, ao amparo direto dos instrutores. Fizemos um apanhado das intuições íntimas que se nos alojaram na consciência, dispostos, todavia, a ouvir com atenção e humildade a exposição amiga dos orientadores. Demos corda com que pudessem enforcar-nos, se assim podemos dizer, sem que isto se possa chamar de desafio em qualquer sentido.
Da mesma forma que temos a certeza de termos sido perfeitamente entendidos em nossa sinceridade pelos mestres, gostaríamos de ser bem recebidos pelos encarnados que, porventura, se abalançarem a perlustrar-nos os pensamentos.
Então, bons amigos, é de sua solicitude que estamos carentes, pois temos tido algumas necessidades no campo da mediunidade, sem que encontremos muitos corações abertos para receber-nos em sessões de psicografia até certo ponto sacrificiais. Se tiveram coragem de pedir, tenham também a de aceitar os pedidos. Se confiaram em que estão sob o amparo das forças espirituais designadas para a preservação cármica de suas vidas, não tenham receio de ser enganados e aventurem-se por esse campo de profundas alegrias íntimas. Saibam dar, pois precisarão também aprender a pedir, quando estiverem do lado de cá e se postarem perto de alguém inclinado ao atendimento.
Elevemos a Deus os pensamentos agradecidos e solicitemos dele, agora sem nenhuma oferta possível de retribuição, que nos abençoe e nos inspire, para que possamos transpor galhardamente as metas estabelecidas para a atual existência na carne.
Rafael.
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CORREIO SENTIMENTAL
O amigo Rafael desejou estabelecer vínculo a um tempo racional e sentimental com os encarnados, querendo saber quais argumentos melhor se coadunam com a emissão de laços para prendê-los nas malhas do serviço socorrista de caráter espiritual. Tal atitude é extremamente encontradiça entre os alunos que verificam que há falta de colaboradores no plano carnal, pois sentem a urgência do trabalho para os quais estão preparando-se abnegadamente.
No entanto, assim que se retiram do posto de psicografia, recebem a primeira ducha de água fria, uma vez que percebem, nas reações dos colegas e dos instrutores, que sua ânsia não se compõe com a serenidade que deveriam ter mantido, para que frutificasse a atitude de absoluta confiança de que a vontade do Pai sempre haverá de prevalecer, quaisquer sejam as decisões das criaturas.
Fazemos questão de frisar que a comunicação de Rafael está formulada segundo roteiro seguro, no sentido do teste que se pretendeu dos argumentos. Tal artifício, entretanto, não obterá resposta imediata, pois deverá o emitente esperar as reações de quantos humanos puder contatar no momento da leitura.
Não queria ouvir a voz dos instrutores? Pois aqui está a resposta.
Temos outras observações, mas são tão específicas que deixaremos para serem formuladas pelo grupo, em reunião própria para a discussão temática dos problemas que se inseriram no corpo da mensagem. Aliás, se os bons amigos encarnados tiverem oportunidade de também efetuar sessões de estudos, tentem descobrir as falhas mais evidentes da dissertação, não deixando de considerar os aspectos positivos, pois pode parecer que a crítica que estabelecemos derrui totalmente o texto. Não é assim, pois, se assim fosse, não permitiríamos que o amigo externasse opiniões próprias, mas faríamos com que se mantivesse fiel aos temas trazidos à baila durante as aulas da turma.
Sabemos que o querido companheiro Otávio deixou registradas muitas unidades de ensino, para que os encarnados possam desenvolver a acuidade mental e moral, em função de situações problemáticas postas em discussão (Ver Estudando Espiritismo com a Equipe do Irmão Otávio). No entanto, atrevemo-nos a encarar o mesmo tipo de realização, com o duplo objetivo de levar os alunos da Escolinha a se habituarem com este tipo de condução das reflexões, e os leitores a considerar que nem tudo lhes será passado do plano da espiritualidade, já que, como vimos nas mensagens anteriores, havemos todos de pelejar por conseguir compreender o que seja existir no universo.
Parabéns ao irmãozinho Rafael pela lucidez das proposições. Esperamos que desenvolva suficiente paciência para aguardar em paz pela manifestação introspectiva dos encarnados.
Marcelo.
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DE ÚLTIMA HORA
Não sabíamos, até um instante, atrás sobre que discorreríamos, pois não nos preparamos convenientemente para nos apresentar perante os encarnados.
Tal discurso seria possível, se tivéssemos sido apanhados de surpresa; no entanto, alunos da Escolinha de Evangelização, não temos o direito de dar como desculpa tão imprópria observação, já que é dever elementar de todos os do grupo saber, com antecipação, que deverão comparecer para a psicografia com o texto formulado.
Se os caros amigos leitores estiverem sendo assaltados por idéias de demasiado preciosismo, uma vez que tal discurso se inicia pela contraprova e não pela tese, relembrando as lições escolares, segundo as quais o grande orador Padre Antônio Vieira é quem ousava conturbar o espírito dos ouvintes com arroubos de eloqüência, dentre os quais se podia reconhecer a introdução pela forma que empregamos, como recurso de impacto para atrair a atenção sobre a idéia central que desejava passar para o auditório, oratória de convencimento e de formação de opiniões de que se utilizava, não vejam, em nossa arremetida por esse mesmo campo, nada mais do que a base para a demonstração de que tudo faremos para trazer-lhes à consciência a necessidade de adotar definitivamente na vida os princípios evangélicos que se consubstanciaram no espiritismo.
Sendo assim, De última hora é título que não deverá enganar, pois já se cristalizou, na mente dos amigos habituados com a pregação desta turma de Irmãos em Deus, o pensamento de que estamos treinando arduamente para nos constituirmos em missionários da verdade, pobres, insignificantes, míseros, ásperos e broncos, mas com total vontade de acertar.
Digam-nos vocês, bons amigos, se não houve, em sua vida, alguns momentos de hesitação relativamente à aceitação destas mensagens como produzidas por entidades incorpóreas, habitantes do etéreo espiritual. Sabemos, com absoluta certeza, que a resposta haverá de ser sempre positiva, no sentido de confirmar-nos as suspeitas, uma vez que as palavras de que nos utilizamos fluem do vocabulário do humano linguajar, construindo frases inteiramente possíveis de serem elaboradas por qualquer mortal, digno representante da classe social habilitada ao manuseio do discurso com força cultural, segundo os padrões estabelecidos pela humanidade, conforme desenvolvimento histórico dos povos. Em outras palavras: tudo o que escrevemos poderia ser escrito por qualquer pessoa desejosa de ver os irmãos envolvidos por argumentação insidiosa, de forma a conduzi-los para as searas próprias, talvez no intuito de impor-lhes uma doutrina que os iria explorar financeiramente, através da venda de livros ou da cobrança de mensalidades, como muitas das instituições que se dizem caritativas ou assistenciais.
Mas não se esqueça de que raciocinar com as mãos nos bolsos, prendendo firmemente a carteira, para não se arriscar a deixar escapar nenhuma nota ou moeda, faz com que os braços também se imobilizem para o abraço amigo e afetuoso aos que se tornaram vítimas de processos cármicos dolorosos e que se intrometem à nossa frente, para que os possamos enxergar, amparar e auxiliar a vencer as vicissitudes, principalmente de caráter moral.
Após a leitura desta composição, infelizmente, jamais admitiremos, da parte de qualquer um, que se diga surpreendido diante da necessidade de exercer o socorrismo evangélico, sob as luzes dos ensinamentos de Jesus. A partir de agora, qualquer idéia de desprendimento não poderá dizer-se de última hora, pois a nobreza de caráter que adivinhamos em cada amigo obrigará a que tome a iniciativa de se inscrever em grupos de assistência fraterna material e/ou espiritual, para o trabalho inadiável, inarredável, irretorquível, do amor ao próximo.
Ou será que existe alguém que não esteja interessado em que os olhos do Mestre se volvam benignos e afetuosos para a sua figura?
Respondam vocês que não estão interessados e ouvirão, do fundo da consciência, aquela voz poderosa a desancá-los, por mentirosos, por hipócritas, por miseráveis, por viciados, por marginais, por... Não vamos concluir a lista, pois só a consciência dos culpados propiciará adequados adjetivos com que caracterizar os seres em descompasso consigo mesmos.
Não estamos atacando o pobre infeliz que se aventurou por estas páginas, esperançoso de encontrar alívio para as ânsias de despertar para a paz interior. Ao contrário, propomos guerra árdua e desassombrada contra a viciação, o desleixo e a impostura, e não damos trégua para o competente momento de reflexão, de meditação, de tomada de consciência das verdades superiores do espiritismo que estão embasando o sermão que resolvemos deixar fluir em jorros de oratória.
Está ultrapassada a nossa pregação? Deveríamos dizer só frases curtas? Estamos atrasados cerca de vários séculos na parenética missionária? Os exemplos não se põem com o vigor da evidência? A terminologia é rebuscada e completamente fora do alcance da maioria da população? O método de perguntas é arcaico? A retórica está caduca? O nosso espírito se supõe arrogante e pouco maneiroso? Estamos indo com muita sede ao pote? Quem com ferro fere, com ferro será ferido? Que outras observações devemos prevenir nesta altura da dissertação para a contra-argumentação e tenaz refutação?
Não precisamos de nada disso, pois conhecemos o coração bondoso daqueles que se atreveram a seguir o arrazoado, já que se incluem entre os fiéis da proposição do Cristo. Sentimo-nos desde já perdoados, sem restrições, sem condenações subjetivas, sem meias medidas. Sabemo-nos perfeitamente integrados no espírito amoroso com que sempre somos recebidos por quantos compreenderam os objetivos do Senhor ao nos dar a vida, para que possamos alcançar o ponto evolutivo ideal para o ingresso entre categorias espirituais mais elevadas.
Retiramo-nos agora mui felizes, orando fervorosamente a Deus, para que tudo o que estamos deixando impresso possa, um dia, orientar, a pregação que se exigirá de todos os que perpassarem pelos bancos das instituições evangélicas de caráter educativo localizadas nas plagas imensas do etéreo, para que não venham a ser surpreendidos por solicitação de última hora.
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À GUISA DE COMENTÁRIO
Dentre os tópicos obrigatórios colocados como pontos do programa curricular, para todas as turmas, acha-se o discurso argumentativo, para o convencimento dos leitores de que se estimulem ao trabalho caritativo, sob a orientação evangélica ditada por Jesus. Portanto, não se estranhem os desenvolvimentos que temos apresentado nestes últimos tempos, especialmente desde que estamos ditando as mensagens para serem apanhadas mui velozmente pelo companheiro encarnado, que tem de datilografar, sem prestar atenção aos rumos que vão tomando as frases e os períodos. Por isso é que estabelecemos prioridade para temática cediça, o que favorecerá, da parte do mediador, certa facilidade, por estar bastante habituado com o tipo de vocabulário exigido.
Por outro lado, é preciso enaltecer os companheiros que têm comparecido, pois bem compreenderam o espírito da solicitação que lhes fizemos, a ponto de elaborarem cuidadosamente textos de dificuldade bastante avançada para o apanhado contínuo a que submetemos o médium. Sendo assim, além do treinamento do irmão aluno, estamos também habilitando o irmão escrevente, ao mesmo tempo que ilustramos, de forma mui valiosa, o irmão leitor. Queiram os irmãos instrutores receber também elogios pelo trabalho em desenvolvimento, pois souberam dar o devido valor para os aspectos inusitados que a nova modalidade de transcrição está propondo à argúcia interpretativa de todos.
Fiquemos por aqui, acrescentando tão-só que o apanhado dos dois ditados do dia não está demorando mais do que cerca de quarenta e cinco a cinqüenta minutos, já que imprimimos à mente do companheiro incrementos de velocidade bastante significativos, em cotejo com o tempo que levávamos para realizar os ditados manuscritos.
Graças a Deus, temos obtido sucesso em mais este empreendimento, de forma que ampliamos as possibilidades da emissão e da recepção, capacitando o grupo a desempenhar mais proficientemente as tarefas. A bem da verdade, estes dois últimos parágrafos estão sendo transmitidos na velocidade mais apropriada ao apanhado manuscrito, o que está submetendo o escrevente a certa escravização à necessidade de que a terminologia se apresente menos de afogadilho, requerendo de sua argúcia lingüística que se amolde à nova configuração, para oferecer-nos recursos mais amplos a serem extraídos de seu cabedal de conhecimentos.
Ainda estamos exercendo o direito que nos deu de testá-lo, sob todas as condições, para dar-lhe desenvoltura, tornando-o apto ao recebimento de qualquer tipo de informação mediúnica, sempre, é claro, sob a mais estreita vigilância dos amigos protetores.
Sabemos que pouco interesse têm estes desenvolvimentos paralelos para o grosso da população. Mas não iremos deixar de apontar os mecanismos técnicos adotados nos trabalhos, pois julgamos utilíssimos para quantos se deixarem incentivar pela maravilhosa participação nas mesas da benemerência espiritual.
Agradeçamos a Deus estar tão adiantados que somos capazes de bem compreender as intenções que não se declaram mas que jazem ocultas sob os escombros resultantes destes arremessos vibratórios, que vão adquirindo a forma de composições ou arranjos fraseológicos denunciadores da vontade que temos de que mais e mais irmãos se predisponham a aceitar o labor glorioso da integração com o plano da espiritualidade.
Como nos disse o irmão palestrante, acreditamos que estamos nas mãos de pessoas sábias o suficiente para bem entenderem o valor do perdão, já que não nos resta outro mérito que não o de, humildemente, reconhecer que nossa escritura peca em demasia contra o nível de aspiração dos encarnados, que buscam consolo e amparo e só encontram preocupação de acerto silogístico e interesse em que as tarefas se realizem da maneira mais perfeita possível do simples ponto de vista escolar, esquecendo-se, muitas vezes, o mensageiro de que deve respeitar, antes e acima de tudo, os ideais de vida dos seres espiritualizados a quem evocamos sob a denominação de bons amigos leitores.
Pediram-nos que comentássemos. Estão satisfeitos?
Abramos o coração em prece final de agradecimento e solicitemos do Pai que nos ilumine, para que possamos aperfeiçoar os dizeres com que, mais tarde, almejamos aproximar-nos das entidades que nos forem apontadas para amparo socorrista. Reconheçamo-nos, diante de Deus, meros aluninhos de primeiras letras.
Pai nosso, que estais...
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CANTOCHÃO
A música, tradicionalmente, é reconhecida como sendo a linguagem universal. Mas há acordes maravilhosos que despertam a alma para as ternuras de Deus, os quais são entoados dentro dos templos católicos, por vozes profundas de barítonos e de baixos, a causarem vibrações de forte estremecimento nos corações. O cantochão, independentemente da significação dos vocábulos, demonstra o respeito, a adoração e a profunda vocação religiosa dos humanos. Não fosse a ambientação necessária e a conseqüente exteriorização do culto, poderíamos dizer que, ao reverenciarmos o Senhor através desse sublime espetáculo da arte e da criatividade, estabelecemos reais vínculos com os poderes espirituais mais elevados.
Temos visto, em outros cultos e até mesmo junto aos amigos espíritas, demonstrações de benquerença endereçadas ao Pai através do canto, da música e da poesia. Tudo é válido, quando a alma está despojada de orgulho, de vaidade e de egoísmo, o triunvirato que preside a todas as más ações do espírito humano. Entretanto, é dentro das naves das igrejas, debaixo das reverberações monumentais dos sons puríssimos, que melhor conduzimos os pensamentos e os sentimentos em direção ao Criador.
Este entrecho está aqui para provocar algumas reflexões importantes, relativamente à necessidade, muitas vezes, de se congregarem as entidades para o efeito coletivo do respeito que a comunidade deseja demonstrar. Sabemos de cor o trecho em que o Mestre nos designou os refolhos íntimos da alma para ali estabelecermos os contactos com o Pai, pois melhor se livra dos males acima apontados quem não tem de evidenciar nada a ninguém, em conversa franca com Deus, sem hipocrisias.
Mas havemos todos de concordar em que existem suavíssimas melodias, entoadas por coros dulcíssimos, compostos por entidades situadas, em virtude de augusto desenvolvimento, nos páramos mais elevados que se tem notícia no campo magnético do cosmo administrado por Jesus. Será que as reuniões são absolutamente casuais, ou haverá quem componha, quem instrumente, quem congregue, quem reja, quem toque, quem participe dos coros angelicais?... Quer parecer-nos que haja muitas descrições levadas ao conhecimento dos encarnados de centros culturais e artísticos, bem como de templos, de modo que a exteriorização do sentimento religioso existe no etéreo, talvez em condições propícias a reproduzir a alegria íntima de se religar o indivíduo com o Senhor, ao mesmo tempo em que as vibrações do conjunto formam maravilhosa harmonia, a demonstrar, de modo inequívoco, a aspiração de servir e de exaltar, de agradecer e de bendizer.
Não hesitemos em fugir dos aparatos e símbolos, que só têm o mérito de despertar para a necessidade da introjeção na mente e no coração da ânsia que todos devemos ter de elevarmo-nos perante o Senhor, para o que devemos alijar-nos de todas as viciações e sobrecargas dos males que soem infestar a personalidade dos encarnados. Predisponhamo-nos a enfrentar a necessidade de partilhar o amor com toda a humanidade, negando a nós mesmos as prerrogativas da ascendência sobre quem quer que seja. Isso somente irá poder realizar-se integralmente, quando estivermos absolutamente convencidos de que a participação nos diferentes grupos de atividades deverá incluir também o que se destina a homenagear o Criador, sendo o canto, a música, a exaltação melódica e harmoniosa, uma das formas mais abrangentes, a capacitar-nos a transcender a simples condição de criaturas em débito, para nos arremeter, em êxtase, aos pés do Senhor, como filhos diletos.
Saibamos conduzir-nos com serenidade, para não ferirmos os princípios universais, já que o todo se orquestra em magnífica harmonia, como que a reverenciar o Criador.
Se estivermos, um dia, perto de igreja onde se presta exaltada homenagem a Deus, através dos belíssimos acordes dos cantos em que os corais colocam a alma e transformam o empenho das habilidades em prece, não nos deixemos intimidar pelo que os outros poderão vir a pensar, ao nos verem adentrar o templo. Esqueçamos as diferenças de opinião, de tendências, de filosofias e de doutrinas, e perfilemo-nos diante do Pai, unindo-nos à humanidade ali representada, para chegar um pouco mais próximos do reino de Deus.
Sentimos ter de trazer estas pobres observações aos amigos que, pensamos, estarão mais afeitos a perlustrar estas leituras ditas psicografadas, ou seja, aos espíritas, quando sabemos das injustiças que lhes têm sido cometidas, em relação às posturas diante da vida e da existência, por aqueles que mantêm igrejas e monastérios. Mas não há que ver: todos somos irmãos em Deus e todos, em conjunto, deveremos formar as legiões de anjos que pleitearão, um dia, ascender a esferas de maior espiritualidade, onde as virtudes cruzam ruas e praças, como moedas correntes.
Musiquemos a existência, mas admitamos a necessidade de que, para isso, deveremos, forçosamente, de entrar em harmonia com os demais corações. Agradeçamos ao Senhor a oportunidade da vida, enaltecendo a sabedoria com que tudo se harmoniza no universo.
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ARGUMENTOS
Temos recebido instruções para elaborar as teses das comunicações, através de raciocínios montados sobre bases silogísticas rigorosas, levantando os argumentos mais ponderáveis, para que os leitores não se deixem envolver por fugidias impressões sentimentais, mas que tenham a possibilidade de seguir os raciocínios, de forma a embasarem as próprias conclusões, mesmo que contrárias aos pontos de vista exarados pela equipe.
O que nos importa é justificar a presença diante dos leitores, fornecendo-lhes fortes motivos para prosseguirem impondo às suas vidas a necessidade de prestar atenção aos ensinos evangélicos, como a forma mais eficaz de se conseguir, bem rapidamente, ascender em méritos, para fazer jus ao progresso a que todos almejamos, quando nos damos conta de que, sem evolução, jamais lograremos estar em graça, para termos a pretensão de sermos convidados ao banquete do Senhor.
Bem diferentes são os enunciados dos que tentam comover os espíritos através de ponderações afetuosas, consoladoras ou meramente extraídas das necessidades sentimentais que todos temos, principalmente quando fortemente ligados aos vínculos próprios da família, onde se realizam os primeiros passos em direção à compreensão do que seja o espírito da solidariedade, da abnegação e do sacrifício. Muitos são os que não tomam o caminho do rude raciocinar, mas que desfilam enormes fieiras de razões, para o respeito, a consideração, a fraternidade, como vias de dupla mão. Entretanto, nesse tipo de considerações, há que se prestar atenção à tendência de se menosprezar tudo aquilo que não esteja rigorosamente padronizado pelos valores a que os indivíduos se habituaram, desde que se conhecem como gente, ou seja, desde o dia em que se sentiram mui pequenos diante do todo e se viram na necessidade de reconhecer que há forças a reger os destinos do cosmo, pelo menos no que tange ao fato de que o que existe deve representar indício seguro de que, por trás de cada criatura, deve haver um criador. Se estendermos esse estremecimento perceptivo transcendente às notações simplórias das sensações, para nos prendermos, irremediavelmente, a algo muito mais grandioso, que mal somos capazes de conceber com toda a potencialidade do cérebro, certamente, além dos elementos de envolvimento pessoal como força atrativa, integradora, vibratória e subjetiva, através da aplicação energética de que nos deixamos capturar, deveremos estar empregando também os recursos que a mente possui de dominar o ambiente e tudo o que nos cerca, através da compreensão que acalma e que induz ao conhecimento ôntico.
Não vamos persuadir ninguém da necessidade que estamos tendo de trazer à presença dos amigos as causas mais claras e os argumentos mais lúcidos que nos levam a afirmar que o ser existe e que precisamos prestar ao Criador o respeito elementar de quem se reconhece completamente sob os influxos energéticos do universo, sobre os quais quase nenhuma influência somos capazes de exercer, principalmente na consideração de que tudo o que temos, neste planeta, aqui mesmo vamos deixar, como todos os que jazem perdidos nos tempos. Mas, se tivermos a consciência despertada para a criação, como sistema anterior e posterior à passagem pela carne, seremos obrigados a concluir que deveremos envidar todos os esforços, no sentido de bem compreendermos as vantagens e desvantagens de viver em função do material ou do espiritual.
Quem sabe Jesus estivesse certo quando nos disse que o maior dos mandamentos é o amor que devemos dedicar a Deus e que o segundo se refere ao amor que devemos ter pelo próximo, mesmo que seja inimigo declarado. A reconciliação será o efeito da aplicação dos ensinos de Jesus, mas será também a ilação absolutamente correta a se tirar dos princípios rigorosos dos raciocínios que vimos postulando, em função de subsidiarmos integralmente o pensamento humano. Aí talvez adquiramos a convicção de que Jesus estivesse realmente certo.
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SIMPLICIDADE
Muitos encarnados são adeptos da integral compreensão, da parte de todos, de todos os pontos da doutrina. Entretanto, possivelmente admitam a necessidade de que haja algo de superior dificuldade, ou tudo irá resumir-se em algumas regrazinhas básicas, muito elementares, incapazes de abranger as próprias leis da natureza, para cujo enunciado as civilizações percorreram inúmeros caminhos de acerto e erro, até que, finalmente, se fez a descoberta através de algum luminar, por meio de intensíssimos estudos e profunda meditação. Se, na natureza, existe o que não seja, absolutamente, simples, como condensar toda a sabedoria, de molde a facultar sua absorção aos ignorantes e analfabetos — e não estamos menosprezando ninguém por incultura, já que estamos nós mesmos envoltos em espesso manto de incompreensões e falta de conhecimentos?!
Gostaríamos de saber se todos os humanos são capazes de decifrar todas as teorias colocadas em forma de escrita pelo próprio Allan Kardec, nas obras de divulgação doutrinal e filosófica. Evidentemente, não são, ou não haveria qualquer dificuldade em propalar o Espiritismo pelo mundo.
Ao reler as últimas peças produzidas pelos colegas de turma, estranhamos sobremaneira que os desenvolvimentos estejam carregados de profundos argumentos, muitos dos quais incompreensíveis até da maioria dos mais eruditos conhecedores da doutrina espírita, embora tivesse havido interesse em facilitar o entendimento por meio de vocabulário acessível.
Caberia, mui humildemente, neste instante, instar que os leitores que vieram até este ponto, tendo deixado de lado muito do que se disse, por extremamente hermético, dificultoso, incompreensível, voltassem atrás e intentassem reescrever as mensagens, tornando-as assimiláveis por, digamos assim, mentalidades de quinze ou dezoito anos de idade intelectual, ou seja, criaturas no início do segundo ciclo ou do curso universitário.
Pode parecer ridículo que estejamos propondo exercício de entendimento ou de interpretação de texto a quem, muitas vezes, não está tendo tempo sequer para prosseguir nestas leituras de modo corrente, ao sabor dos temas e das reflexões que sejam capazes de sugerir. Mas a verdade é que, sem que nos dediquemos em profundidade a perscrutar a intimidade existencial dos seres ou de inferir a natureza da vida, para descobrir-lhes os objetivos, segundo o ponto de vista de sua criação, com a finalidade de deslindar a destinação do universo, não teremos a certeza de que terá valido a pena viver, enquanto seres impregnados energeticamente das vibrações cristalizadas na natureza deste orbe. Em outras palavras, como diria a esfinge: decifra-me ou devoro-te!
E onde fica, diante de todas estas colocações, a tão propalada simplicidade? Nas intenções, nos sentimentos, na lhanura do trato, na assistência aos que sofrem, na compreensão, em suma, da necessidade de pautar a vida pelo amor a Deus e ao próximo, o que é extremamente simples de expor, mas enormemente dificultoso de cumprir.
Não vamos espiralar os conceitos que cruzam provindos de todos os lados, para a concepção genérica da existência, da vida, do ser, da criatura e do Criador; isto seria por demais complexo para a nossa minúscula capacidade de entendimento. Se temos dificuldades imensas para saber o que de mais comezinho existe na programação curricular deste curso que freqüentamos, como é que nos atreveríamos a expender idéias, a montar raciocínios, a expor pensamentos, a respeito de temas que nem os seres mais angelicais se capacitaram a compreender?!
Eis que a simplicidade que se tem em vista talvez possa ser a mesma complexidade que teriam seres menos evoluídos, em territórios não visitados pela civilização primeva dos inícios da idade da pedra. O que estamos querendo dizer de modo tão arrevesado é, apenas, que a simplicidade é também relativa, de modo que o que possa ser exageradamente simples para os gênios, certamente, será incompreensível para os deficientes mentais, ao mesmo tempo que esses mesmos gênios talvez sejam meros deficientes para os seres das esferas de maior desenvoltura intelectual.
No fundo, no fundo, todos temos o desejo de tornar tudo muito simples, o que só demonstra a necessidade que nós mesmos temos de compreender o que nos parece obscuro. O que está, pois, a perturbar, muitas vezes, os raciocínios dos irmãos intransigentes defensores da simplicidade talvez seja a necessidade que têm de ver todos aptos a bem se integrarem nos corpos assistenciais das instituições de auxílio fraterno.
Se esse for o seu temor, caros amigos, não tenham o coração confrangido por perceber que há irmãozinhos que rejeitam o Espiritismo, por não entenderem os princípios metodológicos da doutrinação, que se estabelecem em muitas salas de estudo ou na voz dos tribunos, já que nem todos partilham desse mesmo ideal de simplicidade. Aceitemos o mundo tal qual é; analisemos, proficuamente, o que pode ser alterado para melhor e apliquemos a esse ponto, integral atenção, de forma a orientar, o mais que pudermos, as ações, no sentido de tornar tudo mais facilitado, sabendo, embora, que a complexidade existe e que, um momento ou outro, nós mesmos iremos deparar-nos com pontos que nos oferecerão resistências para além dos nossos atuais limites. Ou temos a convicção de que estamos aptos a tudo compreender desde agora? Ou pensamos estar totalmente evoluídos, faltando tão-só tornar tudo bem simples, para nos rojarmos aos pés do Senhor, dizendo-lhe: "Eis-me aqui, Senhor, preparado para integrar as falanges dos santos ou as legiões dos anjos!"?
Façamos votos para que tal dia não esteja distante, malgrado nos internemos na densidade corpórea de tão rude planeta de provas e de expiação.
Senhor, dai-nos a possibilidade de entender o que nos falta para ascender em paz aos páramos das celestes moradas. Se estamos muito distanciados desse objetivo final da existência, que nos seja dado perceber o ponto de evolução em que estacionamos, para que possamos realizar os próximos passos orientados por vossa divina luz, sob o amparo das lições inolvidáveis do amado mestre Jesus. Fazei-nos, também, Pai Santíssimo, compreender como estão caminhando nossos irmãos, para seguir-lhes os passos, se vão sob o brando jugo de Jesus, ou para demovê-los da direção, se renitentemente contrariam os dispositivos de vossas sacratíssimas leis. De qualquer forma, Pai, perdoai-nos a ânsia de obtermos tudo sem esforço, em contradição com a nossa própria visão do universo, que sabemos complexo e quase indecifrável. Esperai-nos crescer, para nos soltar em algum mundo mais avançado, onde por nós estarão aguardando os que, mais inteligentes, mais cordatos, menos orgulhosos e egoístas, lá chegaram bem antes, mercê do muito trabalho que realizaram em benefício da humanidade. Resumi, Senhor, todo este longo circunlóquio em apenas uma única palavra: amor, e tereis o que vos devemos; e tereis o que não vos falta. Assim seja!
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OPERAÇÕES CIRÚRGICAS
Em muitos hospitais do orbe estão, a cada momento, sendo realizadas operações cirúrgicas, assistidas por inumeráveis entidades do plano espiritual. Ao mesmo tempo que os médicos lutam para restabelecer o bom funcionamento dos órgãos avariados pelas causas mais variáveis, os irmãos socorristas da espiritualidade acorrem para amenizar, fluidicamente, os efeitos deletérios das moléstias sobre os perispíritos.
Para que obtenham êxito nas intervenções, há que se solicitar dos parentes e amigos imensa corrente energética, de sorte que o recolhimento e a concentração de caráter espiritual são exigências que os próprios encarnados compreendem e espontaneamente oferecem.
O nosso apelo é no sentido de colaborarmos todos, com as energias que temos de sobra, para o auxílio oportuno. Como alcançar tal objetivo? Isto sim é extraordinariamente simples: basta saber que constantemente há quem necessite de nós, para, nos momentos de repouso, quando a tendência dos pensamentos é fugir ao controle das boas emoções, revertermos o quadro de negritude vibratória, orando com ternura pelo bom sucesso das intervenções cirúrgicas e liberando o organismo para que possam os bons amigos do etéreo extrair o que temos em excesso e que absolutamente jamais irá fazer-nos falta.
Para tranqüilizar os irmãozinhos menos confiantes em que possam eles também dar de si para o restabelecimento dos que jazem nos leitos hospitalares, devemos dizer que todas as energias são, automaticamente, retemperadas pela própria prece que elaboramos ao doar-nos, uma vez que os fluidos que se situam no cosmo se condensam, por força de diversas leis incompreensíveis para os humanos, e completam o que tiver sido retirado.
Perguntar-se-á:
— Por que os amigos socorristas não se utilizam, então, desses fluidos espargidos pelo éter do espaço espiritual?
A resposta é franciscana em sua simplicidade: é porque o de que necessitam, para a ajuda aos encarnados, só pode ser ofertado pelos próprios encarnados. Bem comparando, é como se fosse verdadeira transfusão sangüínea.
Estas observações vão ao encontro dos desejos daqueles que se preocupam com o excessivo ócio de que estão dotadas as suas vidas, pois estamos dando-lhes recursos para se livrarem dos maus pensamentos e das más influenciações, ao mesmo tempo que indicando objetivo de superior realização no campo da benemerência. Não é verdade?
Esperando ter discorrido com simplicidade, para a compreensão de todos os leitores, fechamos a dissertação, rogando ao Senhor que nos ilumine, sempre que estejamos com a responsabilidade de dotar os encarnados de conhecimentos doutrinários do espiritismo prático, aquele que surtirá os melhores efeitos, no sentido de realizar na vida os bens que estão impressos nas tábuas do destino de cada qual.
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UM BOM ARRAZOADO
Desde criança na Terra, julgava que boas palavras deveriam surtir bons efeitos na mente dos ouvintes. É por isso que gostava imensamente de ficar a ouvir as histórias que vovó contava a respeito de príncipes e princesas. O interessante é que somente bem mais tarde é que fui perceber que, sutilmente, a amável velhinha ia colocando as personagens em contacto com o plano espiritual, encaixando todas as idéias espíritas que ouvia no centro ou que lia nas obras que lhe estavam constantemente debaixo dos olhos.
Vovó era pessoa muito culta, embora não tivesse muitos diplomas para expor nas paredes. Mas a biblioteca deixada por meu avô era farta e muito manuseada pela esperta senhora.
Quando bem infante, acreditava que todos os livros contivessem belíssimas histórias de cavaleiros andantes, que saíam em busca de amores ideais e puros. Quando dei por mim como gente, soube que as obras em geral versavam sobre Direito, advogado que tinha sido meu caro antecessor. Mas vovó não se dedicava a esse tipo de leitura, embora sempre estivesse disposta a ajudar muitos estudantes que por lá passavam à cata das informações solicitadas pelos docentes. Foi assim que minha vovozinha foi arrumando os livros nas estantes, segundo as necessidades dos consulentes, já que meu avô falecera antes mesmo que eu tivesse visto a luz.
Raramente, mais tarde, estive tão disposto a penetrar nos ensinamentos espíritas quanto quando me vinham à mente envoltos pelo amplo manto da fantasia com que vovó sabia enfeitar as histórias que contava. Adulto, não mais quis me ver às voltas com os espíritos e seus fantasmas, de forma que me dediquei mais profundamente à matéria, tornando-me engenheiro agrônomo, uma vez que alguém deveria cuidar das diversas fazendas de propriedade da família. Papai era médico e um dos meus irmãos, advogado, tendo seguido as pegadas do avô. Por isso, quando se instalou definitivamente em seu escritório, tendo montado casa própria para a família, herdou todos os livros da biblioteca, inclusive todos os volumes relativos às diversas religiões, desaparecendo de minha visão as maravilhosas obras kardequianas, que só conhecia por ter ouvido histórias em que os heróis comentavam passagens expressivas d O Livro dos Espíritos, d O Livro dos Médiuns, bem como d O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Mas o tempo passa para todos e não poderia deixar de ocorrer também com relação a mim. Em tranqüila tarde de verão, deixei o planeta para ingressar, pelos braços de vovó, no etéreo. Vinha com muito sofrimento, por não ter dado seqüência ao aprendizado iniciado na juventude. Na verdade, os interesses financeiros conseguiram suplantar todos os arroubos fantasiosos da infância e da adolescência.
Hoje, lamento profundamente não ter ouvido com maior atenção os roteiros belíssimos elaborados pela cara nona, apesar de mantê-los de cor na memória, tantas vezes se repetiam, dada a insistência com que ia correndo buscá-los na doce voz da anciã. Muito estranhei que a memória não se conduzisse para os fatores morais das historietas, porque foi o que mais fiz durante o período inicial em que fiquei sob tratamento no etéreo. Aqui, ao invés de recordar-me dos entrechos narrativos, o que surgia, com inteira nitidez, na minha mente cheia de problemas, eram os fundamentos morais e espirituais que embasavam as decisões dos heróis e das heroínas.
Gostaria de poder vibrar com muito amor, no sentido de deixar fortemente registrado aos caros amigos que devem levar as crianças à meditação a respeito dos temas mais importantes do Espiritismo, já que, um dia ou outro, deles necessitarão para firmarem opinião a respeito da vida e da existência. Não bastará todo o amor que vovó me prodigalizava, com o máximo de boa vontade. Creio que, se tivesse exigido de mim a reflexão dos porquês das atitudes, talvez não me tivesse atirado de cabeça na direção do aproveitamento e manutenção das riquezas familiais.
Em boa hora, entretanto, surgiu-me a dúvida de que, se não me tivesse entretido com tão saudáveis enredos, talvez meu desempenho moral tivesse sido bem mais acintoso quanto às leis humanas e divinas, já que, no fundo da consciência, sempre se erguia poderosa a vibração da necessidade de me manter honesto e absolutamente justo em relação aos empregados e demais servidores que conosco labutavam para a grandiosidade do nome da família. Há, ainda, a considerar que fui pai amantíssimo, tendo buscado, pelos meios disponíveis, dar aos filhos condições de, desde a mais tenra infância, se porem em contacto com as histórias de heróis que se podiam adquirir nas livrarias. Se não inventava enredos com fundo moralista, apesar de tudo buscava, nas obras com que os presenteava, algo que não os desviasse do caminho reto das virtudes. Será que devo isso também às corretas proposições da querida ancestral?!
Temo que esta pequena exposição não contenha os méritos das grandes análises, pobre ser infeliz que sou, preso aos cordames da matéria por laços que fiz questão de atar. Mas estou em fase de aprendizado, já que ouço, com muito cuidado, as preleções dos instrutores, que almejam servir-nos em nossas necessidades, proporcionando-nos atenção muito específica, segundo as reclamações intrínsecas que nossas personalidades deixam entrever.
Esta data será demarcada na minha caminhada como de absoluta felicidade, pois fui capaz de levar aos amigos encarnados algumas noções práticas, que podem ser aplicadas imediatamente ao seu dia-a-dia de pais e professores. Mas a satisfação não se delimita ao fato de ter discorrido, mesmo porque a linguagem é fraca e os argumentos, singelos. O que me deixa esfuziante é que vejo que consegui propor os temas como desafios às mentalidades encarnadas, afeitas à contradição, aos debates e às controvérsias. Se, de tudo que expus, alguma idéia conseguir frutificar na figueira moral dos amigos, certamente não se verão condenados à esterilidade e à abjeção.
Fiquemos todos atentos aos nossos passos de avós, pois a orientação que ensejarmos aos netos possivelmente falará bem alto por nós, quando estivermos enfrentando o nosso momento cármico, diante do juízo da consciência.
Agradeçamos ao Pai todos os benefícios que os nossos maiores nos tiverem propiciado e ajamos consoante os princípios evangélicos, até mesmo quando se trata de dar aos infantes as noções primeiras das virtudes, do amor e da sabedoria. Transformemos a nossa intervenção solidária com as entidades que chegam para a família terrenal em bons arrazoados, cheios do mais puro amor.
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CABOTINAGEM
Sob tal título, pretendemos retratar os desavisados que não se contentam em ferir os princípios evangélicos da falta de carinho em relação aos filhos e demais parentes, como ainda maltratam furiosamente os semelhantes que se vêem surpreendidos em situação de inferioridade física.
Existem indivíduos que se fazem passar por pessoas da mais integral pureza, diante dos olhos da sociedade, e, no entanto, praticam os atos mais absurdos, sob a desculpa de que estão narcotizados pela ingerência de bebidas alcoólicas. Há pais que ferem os filhos, justamente as criaturas a quem deram a vida, o que significa que postas ao amparo das pessoas que se viram as melhor categorizadas para o exercício da paternidade em relação a elas. Mesmo que o relacionamento estivesse precedido de péssimos hábitos contraídos em existências anteriores, por causa de todos os quiproquós a serem desfeitos na presente encarnação e em virtude do esquecimento total do grau de inimizade entre os desafetos, ora transformados em pai e filho, o espírito de solidariedade, que os laços sangüíneos deveriam preservar, deveria ser suficientemente forte para atar as mãos aos ofensores. Pois bem, apesar de tudo, ainda assim os instintos dos malfeitores fazem-nos agredir até jovens tão indefesos que nem se locomoverem pelos próprios meios conseguem.
Infelizmente, poucas recomendações chegam a esses desgraçados, pois quem assim age não está em condições de enfrentar simples leitura de textos de advertência moral. Resta-nos a esperança de que algum mentor de centro espírita esteja bem disposto a seguir o nosso parecer, prevenindo-se em relação a certos pais que dão a impressão de serem ternos e piedosos, mas que, de repente, se revelam os seres malignos que, na verdade, são. Confiar devemos em que todos estejam atentos para o cumprimento das obrigações, mas desconfiando sempre que há indícios que possam apontar para desvios fundamentais de conduta, principalmente quanto ao mau hábito da ingestão das famigeradas bebidas alcoólicas, que servem de muletas para todos os desatinos.
Crentes de que esta palavra possa chegar em boa hora para a advertência oportuna, vamos todos elevar os pensamentos ao Senhor, para rogar-lhe, em prece contrita, que nos abençoe com as suas luzes, de sorte que possamos superar todas as péssimas tendências de conformação moral, bem como que sejamos avisados, a ponto de não darmos a impressão de bonzinhos, quando, no fundo do coração, jazem artimanhas de cabotino. Saibamos suplantar todos os vislumbres de aproveitamento das oportunidades para nos desforrarmos dos adversários colocados fisicamente sob nosso domínio, sem dar oportunidade a que a má formação do caráter possa fazer ruir o edifício que vamos construindo paulatinamente, com muito sacrifício, em função de podermos, finalmente, pagar todos os débitos que temos para com a sociedade e para com alguns indivíduos que se constituíram em vítimas nossas.
Saibamos corresponder à confiança que se depositou em nós, quando nos foi oferecida a condição da paternidade e, mesmo que identifiquemos nos filhos os adversários de antanho, façamos com que o tempo caminhe em nosso favor, empenhando-nos por dar proteção justamente a quem nos vem solicitando muito amor e carinho, uma vez que se pôs debaixo de nossa tutela, neste mundo de tanto horror e carnificina. Saibamos respeitar a vida para que os nossos direitos todos sejam respeitados, já que não haveremos de fugir da condição de criaturas necessitadas de prestar contas, para podermos pleitear melhores condições, quer no etéreo, quer em futuras encarnações.
Ponhamo-nos nós mesmos sob a proteção do Pai, que, ele sim, jamais se furtará a nos abençoar.
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DESPERTAR
Um dos mais belos e felizes temas que podem os espíritos pleitear junto aos mentores, para desenvolverem para os encarnados, é este do despertar para a alegria de bem compreender os ditames evangélicos, especialmente quando se incorporam na maneira de ser dos indivíduos.
Nós estamos bem longe de ter conseguido perlustrar os caminhos indicados pelo Mestre Jesus, pois é extraordinariamente dificultoso assimilar as leis do amor, da caridade, da boa vontade, do desprendimento, da justiça, muito embora estejamos pautando todos os procedimentos pela fé em que Jesus estará sempre ao nosso lado e pela esperança de virmos a ser apaniguados pela integral sabedoria evangélica.
Como vêem os amáveis leitores este ponto essencial do aprendizado? Acham que não vale a pena dedicar-se com tanta ênfase ao estudo dos aspectos morais, preferindo dar cobertura mais imediata aos intelectuais e sentimentais?
Pois bem, conquanto muito a medo, devemos chamar-lhes a atenção para o fato de que o desenvolvimento moral trará como acréscimo, pela infinita misericórdia do Pai, o conhecimento das verdades e as profundas efusões da alegria que só a certeza do dever cumprido pode trazer ao coração humano.
Vamos ler os Evangelhos, vamos ouvir as interpretações de Kardec, vamos perlustrar as obras dos amigos da espiritualidade, vamos organizar grupos de estudos, vamos auxiliar os que se apresentarem com maiores dificuldades, vamos socorrer-nos dos que demonstrarem mais experiência e melhores condições de entendimento das leis e conceitos impressos indelevelmente nos princípios vitais e existenciais. Não tenhamos medo ou vergonha de afirmar a nossa ignorância, principalmente se revelarmos boa vontade em suplantar as deficiências, através de muito empenho, de algum sacrifício e de total aquiescência de que a verdade nos venha ao encontro.
Sabemos das dificuldades que a maioria possui de bem se integrar em grupos que se destinam ao aperfeiçoamento desinteressado, pois as fragilidades constituem barreiras emocionais graves, já que nos está sempre a parecer que estamos diminuindo-nos diante dos companheiros mais sabidos, mais eloqüentes, mais arrojados e, aparentemente, mais felizes e venturosos. Esqueçamo-nos de nós mesmos, lembrando-nos de que de nós dependem muitos, pois, a todo momento, estamos sendo solicitados para esclarecimentos de pontos importantes da doutrina espírita.
Notem bem que não estamos a referir-nos aos adventícios das campanhas de arregimentação para a causa espírita; estamos, sim, endereçando-nos aos amigos que de há muito vêm participando dos trabalhos assistenciais, quer no setor da benemerência material, quer junto às mesas de amparo e socorro espirituais. Todos estamos necessitados de crescer diante do Pai, uma vez que a nossa humildade está sempre a ponto de configurar que estamos precisando desenvolver um pouco mais esta ou aquela virtude, ou desfazer-nos deste ou daquele pequeno mau hábito ou viciação.
Mas falar sobre despertar para as virtudes, obrigatoriamente, tem de promover enorme satisfação no orador, pois é tema de profunda religiosidade, o que significa que quem está com tão grave responsabilidade também está sob o amparo carinhoso, amorável, benevolente, dos mentores e dos ouvintes, já que ninguém pode afirmar-se indiferente à necessidade de ver o discursante levar a cabo, em plena felicidade, a sua palestra.
Despertemos, irmãos, para a verdade do amor do Pai e saibamos ver em tudo o seu desejo de nos ter ao seu lado o mais breve possível, para o que designou muitos dos mais adiantados discípulos, com o dever de nos trazer palavra de conforto, de consolo e de sustentação vibratória.
Aqui estamos, pois, com essa missão dulcíssima, embora sob ponto de vista meramente curricular, já que nos foi atribuída pelos mestres do educandário. Apesar disso, sentimo-nos eufóricos e satisfeitos, pois sabemos que a boa vontade que demonstrarmos contagiará os boníssimos leitores, que se verão, por sua vez, chamados a colaborar no mesmo sentido, promovendo o despertar de quantos lhes estejam ao alcance da voz.
Humildemente, queremos deixar o mais sentido pedido de perdão, por termos transgredido várias normas da etiqueta espiritual, já que extrapolamos em muito o ponto que nos foi solicitado, indo atrás de argumentação afetiva, que julgamos mais apta a emocionar os leitores, predispondo-os a aceitar as reivindicações de caráter moral. Caso obtenhamos esse perdão, sentir-nos-emos absolutamente felizes, pois foi com muito amor que nos aprestamos a vir desempenhar o augusto papel de estimuladores para o bem e para a verdade.
Rezemos comovido pai-nosso em agradecimento por termos chegado ao final deste exercício. Ajudem-nos vocês, bons amigos, pois estamos necessitados do apoio de quantos entenderam o valor da escolaridade para a formação dos socorristas. Se todos os amigos puderem emitir vibrações favoráveis, certamente receberão de volta os mais poderosos fluidos de amizade e de solidariedade, já que da boa vontade de todos é que se faz a harmonia universal.
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REFORÇO ESPIRITUAL
Todas as boas mensagens que partem do etéreo para os encarnados têm o objetivo de se constituírem em reforço para a decisão de se pautar a vida pelos ensinos de Jesus em seu evangelho de amor. O mais que se pode obter é mera perfumaria espírita, já que é extremamente dificultoso atingir o conhecimento do plano da espiritualidade por meio das informações procedentes das exposições. As descrições, através da palavra escrita ou falada, esbarram em intransponível dificuldade: a impossibilidade do entendimento pelos encarnados dos princípios energéticos que dão contextura fluídica ao cosmo, no que respeita ao etéreo.
Se formos analisar as obras pictóricas dos mais perfeitos mestres, os quais trazem a sua mensagem por meio de médiuns extremamente hábeis em manipular as tintas, iremos verificar que as obras têm o condão de compor quadros de felicidade, de solidariedade, de amor, de serenidade, etc., ou seja, das qualidades inerentes aos seres superiores, sem que se situem, entretanto, em paisagens do local em que estão os autores inseridos. É mais fácil para o próprio encarnado descrever o que viu em suas peregrinações pelo éter do que conseguir o espírito trazer as informações que dariam total segurança interpretativa.
Os amigos da espiritualidade têm a missão de auxiliar no desenvolvimento das boas qualidades morais dos irmãos provisoriamente presos sob o jugo da carne e, por isso, não se cansam de vir demonstrar o quanto falta palmilhar na estrada da vida, para se sentir o ser humano dono de seu destino, por força do domínio que seja capaz de exercer sobre si mesmo, tendo como base do procedimento moral, sentimental, intelectual, em suma, psicossomático, as virtudes evangélicas.
Daqui estarmos constantemente a reforçar os comunicados, procurando desvendar os segredos da intimidade da alma humana, colocando à mostra os defeitos, os titubeios, as malícias, as intenções, os intuitos, a argúcia, os malabarismos silogísticos com que se disfarçam os maus pendores com se pretende manter o status quo da vida material, sempre que não se aspira a deixar de lado qualquer vício ou regalia.
Lamentavelmente, são poucos os que merecem ser elogiados por estarem percorrendo a estrada de Jesus, colocando, passo a passo, os pés nas pegadas do Mestre. Se, às vezes, trazemos mensagens de muito incentivo e de muita felicidade, como a anterior, em muitas outras ocasiões aqui estamos para investir contra as mazelas, contra os crimes, contra os malfeitos. Que bom seria se não precisássemos mais auscultar a realidade, no sentido de prevenir sobre este ou aquele tópico da malversação das oportunidades! Que bom seria se nosso ideal de amor coincidisse com as realizações dos mortais, em todos os campos de atuação! Que bom seria se pudéssemos relatar aos maiores que é hora de enviar ao planeta os melhores mensageiros, para trazerem as informações mais precisas a respeito do que cada qual conseguiu, podendo distribuir as medalhas de honra ao mérito e de louvor a que todos fizeram jus! Mas isto, por enquanto, é mero sonho dos protetores e guias, que buscam, nos ideais de sua concepção do reino de Deus, o refúgio momentâneo, para insuflarem força e vigor em sua disponibilidade de trabalho, já que arrefecer jamais irão, por força de saberem, com extrema propriedade, que o amor de Deus é infinito e que sua misericórdia atinge a todas as criaturas.
Como reforço nosso às deliberações de boa vontade e de altruísmo que lemos nas mentes dos bons companheiros, trazemos estas palavras de otimismo sadio, pois nunca iremos compactuar com aqueles que dizem que o mundo perdeu o impulso desenvolvimentista e que as pessoas pararam de crescer, o que anularia de vez a lei do progresso. Saibamos compreender o que se espera de cada um, saindo do marasmo que nos prende a vidas improdutivas, sofridas e inúteis. Vamos dar um empurrão no ânimo, aliando-nos aos semeadores da boa nova, para vermos os esforços coroarem-se de êxito, ao postarmo-nos diante da consciência e sermos por ela homenageados com o nosso galardão de felicidade.
Sublimemos os desejos de grandeza, no sentido de transformá-los em justa reivindicação de caráter evolutivo, pois está aí aspiração de superior quilate, a qual jamais poderá ser argüida de pretensiosa, de imodesta, de irrelevante ou de imoral. Humildemente, enderecemos apelos de luz ao Pai, convictos de que seremos contemplados com suas bênçãos, caso tudo realizemos por amor dele e de nosso irmão. Confiemos em que as palavras que nos chegam dos planos mais elevados só podem constituir-se em incentivos e nunca em problemas que se nos põem à decifração, levando-nos, dada a nossa ignorância e mui restrita capacidade intelectual, a supor que estejamos sendo manipulados por forças do mal, que só desejam confundir-nos, para nos absorver em suas legiões. Saibamos esperar das boas mensagens tão-só reforços para as atitudes de rebeldia contra as imperfeições, porque, desse modo, iremos, sempre e cada vez mais, tornando-nos dignos delas.
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DORES NO CORPO
Têm os humanos o vezo de reclamar de dores no corpo, por se esfalfarem, durante toda a vida, em busca de solucionar os problemas da matéria. Jamais, ouvimos, contudo, de quem quer que seja, a reclamação de estar com dores no espírito, na alma ou no perispírito. Será que existe insensibilidade ou o nível de aplicação, nesse setor das atividades cármicas, não se tem efetuado segundo as prescrições recebidas no momento do encarne?
Chega-nos às franjas da intuição a idéia de que os humanos possam estar pensando nos momentos em que se sentem frustrados por não alcançarem seus objetivos, de sorte que têm muito do que reclamar, embora não digam, explicitamente, que estão com dores do espírito, como sugerimos. Podem dizer que são expressões igualmente vigorosas as que usam para declarar que estão fatigados moralmente, intelectualmente ou espiritualmente, embora os do etéreo tenham sempre a impressão que não passem de lamentações a objurgar os eventos como excessivamente despojados de recompensas, abstendo-se o indivíduo da luta pelo amor do Pai ou dos homens.
É interessante a controvérsia que se pode estabelecer a partir dos argumentos aludidos, embora o que nos importe não seja exatamente polemizar, mas tentar influir decisivamente, para que os encarnados se voltem com mais otimismo para as conquistas, passando a agir segundo os padrões evangélicos.
Até em relação às famigeradas dores no corpo, podem manter certa disposição mais cordata com o destino, favorecendo o raciocínio de que algo devam ter feito para receberem, em contrapartida, o fardo que estão argüindo de pesados. Não é preciso muita argúcia, para perceber que o quanto a medicina progrediu, no sentido de vasculhar as causas das doenças, mesmo crônicas ou congênitas, é suficiente indício para saber que jamais o ser humano esteve ao desamparo, uma vez que existem, nos dois planos existenciais, inúmeros espíritos irmãos empenhados em produzir a cura ou a atenuação dos males físicos. Quem tem um pouquinho que seja de cultura histórica relativa aos progressos das sociedades terrenas, é capaz de saber que os humanos estão bastante adiantados no arrefecimento das dores, dadas as descobertas, no campo da neurologia, dos ingredientes capazes de amenizar ou de debelar as dores e sofrimentos pungentes provocados pelas rupturas ou pressões nos tecidos, quaisquer sejam as causas. Até doenças fortemente alienantes, dado o terrível flagelo que representam para os nervos, estão recebendo tratamentos bastante eficazes para o controle das crises. Há dor ainda? Sim, e muita, mas é possível dizer-se que quase noventa por cento dos pacientes conseguem arrefecê-la, através de medicamentos anestesiantes.
O mesmo se poderia dizer dos males psíquicos — morais e espirituais —, já que um simples lançar de olhos por sobre a literatura espírita nos atesta que o muito amor das entidades superiores tem produzido obras valiosíssimas para induzir os encarnados à compreensão do amor do Pai pelos filhos. Só a compreensão da divina misericórdia deveria ser suficiente para arrefecer os arroubos imprecatórios contra a má sorte, bastando levantar os olhos ao céu e solicitar que descaiam, sobre todos, as bênçãos da consolação e do reconforto.
Aceitemos as conseqüências físicas inevitáveis para quem possui corpo destinado à corrupção. Quanto mais se vive, mais se torna o aparato orgânico frágil diante das vicissitudes da carne. Como querer, apenas para raciocinar, que velhinhos de mais de cento e vinte anos possam ter o mesmo desempenho dos jovens de quinze?
Mas o que não pode parar de crescer é a compreensão do humano devir, em função dos aprendizados que estão programados para cada encarnação. Reconheçamos, se possível, os objetivos cármicos, e ajamos segundo os ensinamentos do Mestre. Se, porém, de todo nos não for possível saber a que viemos, dadas as naturais confusões que as circunstâncias fazem desabar por sobre nossas míseras condições intelectuais e emocionais, obremos com amor para superar as dificuldades, dando ao próximo total prioridade de atendimento e assistência, até mesmo quando estivermos sob o impacto das piores e mais atrozes dores no corpo.
O que não nos podem derrotar são os arrefecimentos morais, os titubeios sentimentais, as indecisões intelectuais, sempre que está em jogo o trabalho do socorrismo em prol dos sofredores. Deixemos o orgulho, a vaidade e o egoísmo de lado e, sacrificialmente embora, trabalhemos pelo irmão como bons samaritanos, a oferecer o nosso todo, para um nada que seja de aproveitamento da parte dele. E esse todo, necessariamente, tem de estar fundamentado nas virtudes da benquerença, da sinceridade, do desprendimento, da euforia de se poder levar aos que sofrem o lenitivo de nossa consolação, de nosso carinho, de nossa ternura.
Ajamos sob o impacto das palavras de Jesus, que nos recomendou que nos tornemos perfeitos, como é perfeito o Pai, esquecendo-nos de nós mesmos, na confiança de que Deus se lembrará de todos.
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SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
Dando prosseguimento aos temas de envolvimento no espírito evangélico trazido aos homens por Nosso Senhor Jesus Cristo, cabe-nos comentar a sagrada propositura que se encontra na prece que nos deixou indelevelmente impressa nas páginas dos evangelistas.
Verdadeiramente, nada existe de mais excelso no espírito humano do que reconhecer que a vontade do Pai deve prevalecer sempre, não só por absoluta, integral, definitiva, como ainda porque nada que façamos diferente dela pode significar qualquer avanço, no sentido do aperfeiçoamento da personalidade.
É evidente que muitos seres encarnados têm a tendência suicida de desprezar as intuições conscienciais que lhes prescrevem moderação, serenidade, harmonia, equilíbrio, solidariedade, desprendimento, o que evidenciaria estarem absolutamente integrados nas prescrições das divinas leis para este orbe de conturbação cármica, uma vez que para cá são bandeados magotes imensos de espíritos em débito, necessitados de aprimoramento para fazerem jus às promoções no campo evolutivo. Talvez mesmo por serem entidades muito atrasadas é que são incapazes de perceber que sua vontade deve submeter-se ao rigor da lei, já que estão aqui por permissão de Deus.
Por mais que sejamos infensos, todavia, aos raciocínios de caráter espiritualista, jamais se viu alguém negar que o exercício da cidadania não esteja condicionado ao nascimento, ou seja, à conjunção carnal entre criaturas preexistentes ao feto, que irá desenvolver-se, amadurecer, crescer e tomar lugar junto aos indivíduos, dentro de determinado grupo social. Há histórias de caráter mitológico em que criaturas idealizadas se teriam investido de determinadas formas, por caprichos próprios. Tais narrativas têm origem na vã tentativa de o homem se supor acima de qualquer compromisso com a entidade que lhe deu não só o direito à vida, como também à excelsa prerrogativa de existir perenemente, subtraído o efêmero que representam estas passagens pelos territórios do orbe.
Vamos ser bastante sinceros com o Criador e aceitemos que nada seríamos sem sua complacência e assentimento. Não sejamos cínicos, perversos nem arrogantes, pois, vai dia, vem dia, estaremos, de chofre, diante do mistério, tendo de quebrar a cabeça para deslindar o enigma da morte. Desde já, vamos acatar as determinações do nascimento e do trespasse, como injunções desta vilegiatura, às vezes morna e insípida, outras atraente e empolgante, a maior parte, sofrida e difícil. Seja qual for o nosso caso, saibamos elevar os pensamentos ao Senhor, agradecendo-lhe a oportunidade de crescimento em boas qualidades, reconhecendo que a vontade do Pai deve ser soberana, em relação aos nossos fragílimos lampejos de inteligência, e orando, fervorosamente, para que cada vez mais estejamos aptos a conhecer-lhe os desígnios, para podermos atuar sobre nós mesmos e sobre a sociedade, de maneira positiva e proveitosa.
Querendo ou não querendo admitir a verdade da propositura, pelo menos saibamos ver na postura de Jesus os atributos superiores de quem está portando vibrante facho de luz e de sabedoria, para podermos dizer com ele: ...seja feita a vossa vontade...
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CONCLAMAÇÃO GERAL
Sofridos são os dias dos que se reconhecem sem atributos para enfrentar as provas que se estabelecem para quantos se alçam para o plano da espiritualidade. É de se imaginar, facilmente, que todos temos de passar por testes rigorosíssimos, se desejamos progredir rumo ao reino do Senhor; ou seria mais fácil de imaginar que, através do perdão, Deus nos dê as oportunidades de crescimento, desconsiderando tudo o que deixamos passar, em qualquer dos aspectos da formação da personalidade espiritual? É claro que o mais ignorante dos mortais tem suficiente clarividência para saber que estamos referindo-nos aos exames de consciência, em função do aprendizado dos dons evangélicos, como a bondade, a benemerência, a caridade, a esperança, a fé, o amor e demais atributos da pessoa virtuosa, segundo os termos que se põem para os cristãos autênticos, ou seja, aqueles que reconhecem no Cristo—Jesus o legítimo enviado do Pai, prometido ao povo judeu na antigüidade, por inúmeros mensageiros da boa nova.
Não se surpreendam por estarmos, ao término do século XX, tão presos aos dizeres que se registraram há tantos milênios, como se de nós só se pudesse esperar messianismo, no pior dos sentidos. A verdade, contudo, é que o homem comum dos dias de hoje age tão mecanicamente, quando se trata de raciocinar religiosamente, quanto agiam os que peregrinavam pelos desertos, sob a pressão do desconhecido, uma vez que iam para regiões novas, totalmente despreparados para as eventuais necessidades de adaptação.
Ainda que mal disfarçadamente, todos se colocam sob esse mesmo ponto de vista, pois admitem apenas a existência daquilo que os olhos e demais sentidos lhes aponta como real, esquecidos de que, a todo momento, há quem parta para o enfrentamento do mistério.
Não vamos prolongar indefinidamente o que nos parece ter ficado absolutamente claro, já que o mais que possamos dizer será como que repetir, inutilmente, todos os preceitos que se insinuaram nos refolhos do inconsciente coletivo da humanidade. O que desejávamos era poder debelar completamente os graus de resistências que se vão implantando, à medida que se apontam os recursos do aproveitamento existencial ou vital como exigentes de repúdio completo da prevalência dos valores meramente materiais.
Mas quem vem lendo os artigos que os colegas de grupo estão a ditar não precisa de mais informações para o estabelecimento da reflexão mais lógica, a partir do momento que se concebe a vida após a morte como a continuidade natural desta em que estamos a nos rebelar contra até os poderes conscienciais.
Saibamos agradecer a Deus o vigor da vontade que nos trouxe até aqui, pois já é muito ter ditado, ter apanhado o ditado e ter lido tantas rabugices insistentes do mesmo ponto. Se os caros amigos estiverem tendo a paciência que se espera de quem não se aborrece por não encontrar nada de novo, quer na forma, quer no fundo das disposições moralizantes, é porque valorizam por demais o dinheiro que gastaram com este opúsculo; mas não esperem dos outros mais do que vocês mesmos seriam capazes de realizar. Nós temos a certeza de que quem quer que sejam os leitores terão muitas outras anotações para trazer em reforço deste pobre arrazoado, que não tem nada de especial a não ser o fato de ter sido transmitido por via mediúnica. Relevem este dado e ponham um ponto-final na leitura, passando a agir, incontinênti, em prol da elevação espiritual de sua alma e em função do soerguimento moral e material dos irmãos mais necessitados, incapazes sequer de compreender o significado da letras, para poderem apanhar o sentido das palavras, das frases, dos parágrafos, dos períodos e das composições. Estamos nós mesmos tentando evidenciar, pela simplicidade dos pensamentos, que todos temos a compreensão do comportamento que nos é pedido pelos ensinos evangélicos, mas que opomos feroz obstrução à consecução dele, como efeito da aplicação de nossas energias.
O último parágrafo deve ser bem entendido, para o que vamos suspender este mísero ditado, envaidecidos por termos tido sucesso no que respeita à transmissão, mas profundamente temerosos de que nada do que deixamos registrado vá poder efetivamente servir para quem quer que seja.
Muito obrigado, Senhor, por nos terdes deixado tão à vontade perante os encarnados. Fazei com que saibam reconhecer o quanto de verdade se possa conter em nossas palavras, para se comprometerem perante vós para o trabalho evangélico da caridade, do amor, da fé e da boa vontade. Que a singeleza e a ignorância com que foram criados se transformem em resplendores de sabedoria, para que venham a merecer, o mais rápido possível, apresentarem-se para o ingresso em vosso reino de amor. Que seja esse o sentido da preparação espiritual a que venham a predispor-se. Amém.
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COMPLEMENTAÇÃO
Finalmente encontramos alguém para o apelo mais direto e livre, capaz de chegar a qualquer mentalidade, por mais bronca que seja. É difícil, contudo, prever quais os efeitos que tal conclamação possa obter junto aos encarnados, pois o espírito refratário de quem não deseja perder as regalias pode preponderar no momento de receber o impacto do vozeirão do confrade pregador.
De qualquer modo, entretanto, não podemos deixar de executar a nossa parte dos trabalhos, já que o socorrismo principia pela anuência íntima do socorrido de se deixar envolver pelas razões superiores dos mensageiros do evangelho. Claro está que muitos argüirão o processo mediúnico de fraude ou de mistificação e o mediador de hipócrita e de embusteiro. Que novidade há nisso perante a história da humanidade? Nenhuma, pois, por todo o sempre, o que mais os homens têm feito é subtraírem-se à influenciação dos bons amigos da espiritualidade, principalmente se não conseguem ver na vida nada além do simples efeito de uma série de conjunturas materiais.
Paciência, é o que nos pedem os mentores, pois vêm que temos o hábito de correr em busca da efetivação das proclamações do amor de Deus por todas as criaturas e da necessidade da retribuição, para que todos consigamos alçar-nos aos páramos venturosos das etapas subseqüentes, por termos vencido as provas e expiações do planeta.
Eis por que temos tido a preocupação de solicitar dos leitores que se preparem para o enfrentamento das dificuldades que se anteporão, caso estejam desafiando os poderes dos irmãos maiores, poderes morais e intelectuais de quem perpassou pelas mesmas vicissitudes e sabe muito bem que teimar em dar importância e prioridade aos fatores da matéria é prender pesado trambolho aos pés. Não temos nós do etéreo outro recurso senão este mesmo de nos colocarmos diante dos amigos através desta palavra prudente, que sabiamente reproduz as advertências que estamos ouvindo dos mestres da Escolinha.
Sabemos à exaustão que não adiantam outras demonstrações de força, pois mesmo as curas consideradas mais miraculosas são colocadas sob suspeita, a partir do momento em que se podem até considerar como resultantes de auto-sugestionabilidade, ou seja, do poder de o próprio indivíduo se curar, ao conseguir do organismo que reaja naturalmente, oferecendo aos elementos intrusos as resistências que é capaz de produzir. A partir do momento que se sabe que existem imunidades e que tais ingredientes são manipulados de forma inconsciente pelo cérebro, que comanda os ataques aos elementos perniciosos, pode-se também imaginar que, para tudo o que venha a ocorrer, tenha havido a mesma cadeia de ações e de reações, despojando o plano espiritual de possíveis intervenções.
Pinturas velocíssimas, objetos que se deslocam por impulsos invisíveis, levitações, vozes que se produzem espontaneamente, registros apanhados em câmaras invioláveis, demonstrações inequívocas de visão a distância, nada terá força diante dos argumentos mais relutantemente incrédulos de quem não deseja ver a participação de outras energias que não sejam as que se condicionaram na natureza, mesmo que completamente desconhecidas quando à contextura física ou química, da mesma forma que, há algum tempo atrás, era impossível de se formular qualquer teoria válida para se explicar a luz, o relâmpago ou a própria energia elétrica produzida e controlada pela inteligência humana. Sempre haverá a dúvida.
Então, vamos deixar como coroamento desta humilde participação a afirmação de que o descrédito gerará frustrações e arrependimentos. É o mínimo que podemos dizer. Mas não vamos encerrar sem otimismo, pois sempre haverá nova oportunidade para reingresso na carne, em condições de reconhecimento de que a verdade do amor deve prevalecer como base para todo procedimento, mesmo que em condições inferiores de caráter material. Esperamos em Deus que o momento da conversão se dê quando ainda for possível alcançar o pessoal que conosco está em crescimento espiritual, para termos a sorte de ter em quem nos apoiar nos momentos de fadiga e de remorso. Se é bom ouvir a voz complacente de quem nos auxilia lá do Alto, é de inefável felicidade a ventura se ter com quem caminhar na busca da concretização dos ideais da existência.
Confiemos em que tudo o que pudermos fazer em prol dos semelhantes virá a ser reconhecido, para que nos sintamos deveras como irmãos em Deus.
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PRUDÊNCIA
É de todo importante que cada um saiba agir conforme as determinações da moral evangélica. Para tanto, uma vez que há rigor na aplicação das leis, faz-se mister providenciar grande cópia de paciência, de perseverança e de amor. A soma desses atributos só poderá resultar em incomensurável prudência, pois, a todos os atos da vida, haverá de preceder profunda meditação, para o domínio de cada faceta das circunstâncias que envolvem todos os aspectos da psique humana arrolados nas conseqüências.
A bem da verdade, se em tudo colocarmos o máximo de atenção, é possível que permaneçamos estáticos, incapazes de realizar o que quer que seja, por medo de ofender os princípios doutrinários ou os seres sob nossa responsabilidade. Mas deixar de executar o bem, em qualquer circunstância, é atitude de grave imprudência, de modo que a inação é fortemente prejudicial. Os antigos colocariam o problema de forma bastante simples: é preferível correr o risco de pecar por ação não totalmente correta, mas bem intencionada, a ser acusado de omissão.
Recusar-nos-íamos a tornar o irmão venturoso, mesmo sabendo que das atitudes brotariam ervas daninhas que deveríamos carpir depois? Só se tais sementes fossem previamente identificáveis como extremamente danosas, de modo a não justificar que as atirássemos ao solo produtivo juntamente com as sementes boas. É esse o tipo de prudência que estamos propugnando.
Pode parecer que a mensagem esteja irremediavelmente impregnada do moralismo mais barato e corrente entre os humanos encarregados das pregações dos púlpitos e das tribunas. Mas a verdade é que, se Jesus correu todos os riscos, terminando nas mãos de poderosíssimos algozes, que não hesitaram em sacrificar-lhe a vida, é por que sabia que teria o amparo do Pai, da mesma forma que poderemos considerar-nos igualmente sustentados pelos espíritos de nível superior, capazes de bem avaliar o quanto de desprendimento, de humildade e de amor estamos colocando nos atos de benemerência. Daqui não ser admissível postergar o socorro aos necessitados, na justa medida de nossa capacidade de auxílio fraterno, qualquer seja o campo a que deveremos dedicar os esforços.
Imaginemo-nos bastante avançados no rumo da angelitude, pertinho dos portais do céu, que se aprestam a se abrir para nos agasalharem. Será que titubearíamos em aceitar algumas missões junto aos sofredores? Pois sintamo-nos sempre assim, já que temos as luzes do evangelho e da codificação kardeciana. Que mais será preciso para nos estimular à prática do bem? Talvez alguma conclamação de caráter espiritual, bastante vigorosa e plena de sabedoria. Pois temos milhares dessas mensagens, apanhadas por centenas de médiuns das mais diferentes especificações, com os argumentos mais variados, com desenvolvimentos próprios para serem compreendidos por todos os indivíduos, sejam miseráveis párias da sociedade, largados pelos catres mais infectos, nas pocilgas mais nauseabundas, sejam literatos postados na vanguarda da intelectualidade, donos de posições sociais invejabilíssimas por quantos aspirem a ascender materialmente na vida. Todos têm sido lembrados para o chamamento oportuno. Serão escolhidos? Dependerá do grau de prudência com que aplicarem a atenção ao atendimento improrrogável.
Este mesmo texto de áspero odor, mais cheirando a ranços da sacristia do que a puro incenso do altar, eliminados os elementos que a pretensão do autor o fez imaginar que seriam imprescindíveis para a argúcia do arrastamento do leitor, talvez possa vir a ser depurado, no sentido de conduzir os de melhor boa vontade dentre os que não se convenceram de que devem perlustrar com amor os caminhos de Jesus.
Fiquemos por aqui, prudentemente, para não corrermos o risco de perder, por excesso, quem seria facilmente convertido pela lhanura, pela modéstia e pela precisão das palavras, não sem lembrar que nós também nos atrevemos a perder, porque não quisemos omitir-nos.
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PROBLEMAS AFETOS À LEITURA
Num opúsculo escrito por tantas mãos, evidentemente se encontram diferentes estilos, apesar de todo o empenho com que se atiram ao trabalho os mentores, para uniformizarem ou padronizarem as comunicações pelas normas estabelecidas para a turma, em função do roteiro de temas que nos foram determinados como de obrigação.
Sendo assim, não temos liberdade para efetuar experimentos literários ou lingüísticos, devendo pautar os escritos pelas regras norteadoras do que entre os mortais se resolveu denominar de norma urbana culta, conforme se lê em diversos anais dos simpósios dos lingüistas e professores da área do ensino da língua pátria.
Por que essa escolha, de preferência aos regionalismos ou modismos da época, encontradiços nas obras mais recentes? Para dar oportunidade, a todos os que tenham alguma escolaridade, de se aproveitarem dos textos para o aprendizado das teorias que estamos aptos a lhes colocar à reflexão. Estaremos selecionando quem dentre os encarnados devam merecer atenção? Ao contrário, estamos produzindo para todos. Ocorre apenas que sempre haverá alguma exigência, no sentido de se capacitarem ao entendimento das frases consignadas, segundo os parâmetros gramaticais mais acessíveis, repetindo-se, ad nauseam, as expressões, com a finalidade de incrustá-las indelevelmente na consciência de quem está animado a prosseguir, sobranceiro, enfrentando os desafios da cultura espírita, mesmo que sob o ângulo da visão dos pobretões registrados na Escolinha de Evangelização, na qualidade de alunos de primeiras letras.
Nós mesmos, apanhados de surpresa para a correção da linguagem das produções psicográficas, surpreendemo-nos com as incríveis falhas de apresentação terminológica e de evidentes incongruências em relação à possibilidade de registro que tem o médium que nos oferece os préstimos. Na última hora, quando sentimos que o alvará está em vias de ser fornecido, ainda notamos imprecisões formais e de conteúdo de arrepiar. Aí refazemos as discussões, até que adquiramos a segurança de conseguir permissão para o envio aos mortais.
Nesse derradeiro passo, arriscamo-nos a deixar os textos muitas vezes bastante confusos, pois insistimos em que os vocábulos se enquadrem nos princípios a que devemos ater-nos, quando o mediador nos propõe soluções outras, não rigorosamente as que tínhamos em mira. É que não desejamos ver prevalecer os conhecimentos do amigo mas os nossos, para que tenhamos a certeza de estar atingindo os objetivos que nos foram propostos.
Todos os desvios de rota causam-nos perturbações bastante sérias, pois imaginamos que os leitores vão encontrar dificuldades que não foram por nós previstas, o que os levará a lamentar profundamente estarem a perder tempo com leitura tão superficial ou incompatível com os modelos que se lhes introjetaram nas mentes, por força das excelentes obras que tiveram ensejo de conhecer, redigidas por seres mais experientes e capacitados.
Exercícios escolares, entretanto, têm o condão de oferecer a possibilidade da revisão, o que o ledo amigo mediador sabe muito bem, desde o princípio das transmissões, já que se vem colocando à disposição de cada grupo, para as correções e refazimentos necessários. Mesmo assim, se as falhas forem por demais infelizes, não há como aproveitar o trabalho, que deverá destinar-se ao fogo crepitante da sabedoria, a consumir a ignorância e a boçalidade de quem se tiver atrevido para além dos limites de seus conhecimentos.
Caso esta longa composição mereça estar nas mãos dos amáveis leitores, por certo será porque se condoeram os instrutores e propuseram alguns tópicos que não estavam em nossos apontamentos, para dar substância teórica e prática às considerações que desejávamos levar ao mundo dos encarnados, para que venham a se orientar, quando estiverem lendo qualquer dos escritos produzidos no plano espiritual.
As dificuldades da leitura poderão ser aplainadas, muitas vezes, pela simples compreensão dos problemas que se põem diante dos autores, o que nem sempre é levado em conta, pois os que se vêem diante destas mensagens quase sempre trazem o interesse concentrado em determinados pontos de vista cristalizados em suas mentes e dos quais não desejam afastar-se um milímetro que seja. É preciso criar o hábito de perdoar as falhas dos que escrevem, pois pode ocorrer de que não sejam falsidades conceituais, mas percepções pessoais dos fatos existenciais, colocados para a meditação dos amigos de forma inusitada, pela proposição característica da personalidade de quem elaborou e passou para o companheiro.
Como dissemos, no início, que a linguagem se pauta pela norma urbana culta, precisamos enfatizar, agora, que os ensinos evangélicos é que fundamentam os textos, ou não serão trazidos aos mortais, por força do impedimento estabelecido pelos mentores, a quem cabe a responsabilidade de orientar os aspectos morais de tudo que a Escolinha apresenta.
Há dificuldades intransponíveis de leitura, dada a aversão ou a animadversão provocada no espírito dos leitores? Vamos procurar as causas da ojeriza, para reformulações cada vez mais conscientes do que se deve redigir e como, com a finalidade de tornarmo-nos mais úteis, pois não é outro o destino dos socorristas senão auxiliar na superação dos defeitos e das anormalidades de procedimento, do ponto de vista evangélico.
Temos procurado concluir todos os textos reafirmando a tese apresentada ao início. Gostaríamos de inovar neste, apontando como superadas todas as dificuldades de leitura, de modo que os amigos jamais se sintam espoliados nas expectativas de reforçar os conhecimentos espíritas com mais algumas noções valiosas para o crescimento espiritual, especialmente tendo em vista a necessidade que todos terão de se porem diante dos guias, para oferecerem-se como socorristas por seu turno, quando da chegada triunfal que se espera neste outro plano. Oremos a Deus para que o nosso desejo se realize para cada irmãozinho, mesmo que as visões do mundo, da existência, do espiritismo e de Deus sejam as mais disparatadas.
Oremos a prece que mais congraça os corações em torno dos ideais superiores do Cristo: Pai nosso, que estais...
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O ARREPENDIMENTO
Muito embora estejamos desenvolvendo temas em que as virtudes são enaltecidas, é preciso fazer referência a certo sentimento de frustração por demais doloroso, quando o indivíduo descobre que tudo lhe estava nas mãos mas deixou escapar sem proveito. É o caso daqueles que têm o privilégio de se depararem com os textos emanados da espiritualidade e que não desejam deixar-se envolver pela necessidade que pregam de comedimento, de desprendimento, de amor e de caridade.
Se é bem verdade que os impulsos da carne são bastante vigorosos, também não podemos deixar de afirmar que as forças espirituais são por demais claras, à vista do conhecimento filosófico que se instala na consciência, desde o momento em que o homem desenvolve a inteligência, a ponto de ser capaz de efetuar exercícios de abstração do tipo que se encontra nas matemáticas e nas demais ciências humanas ditas exatas. A partir da possibilidade do raciocínio lógico, nada é mais coerente do que aplicar a razão na descoberta dos princípios vitais primários, quais sejam os que transcendem o plano da densidade corpórea, para se infiltrar nos desígnios que orientaram o surgimento das criaturas viventes ao lado das puramente minerais, embora dos mesmos elementos atômicos sejam constituídos todos os organismos e todos os agrupamentos moleculares.
Estamos a enfatizar o tipo de raciocínio acima descrito como abstrato, para justificar a afirmação de que é o homem capaz de elaborar teses de caráter superior, no sentido de conceber a existência de outros seres que não sejam os que se alojam nesta matéria, segundo padrões que não coincidam com os atributos que lhe propiciaram o envolvimento pela realidade carnal.
Se as lutas pela sobrevivência se acirrarem, talvez os humanos percam essa capacidade de superação da contingência corpórea, sendo impedidos de aplicar a força intelectiva noutro sentido que não seja o de conseguir o alimento e o agasalho para si e para a prole.
Estão a nos sussurrar que estamos a comentar os fatos existenciais para indivíduos perfeitamente aptos a destinar parte importante do tempo às reflexões de caráter filosófico-doutrinal.
Melhor assim, pois já temíamos estar a navegar em águas túrbidas, prestes a ver a embarcação soçobrar nos escolhos da ignorância. Então, isto quer significar que não precisamos insistir em nossos argumentos, já que o conhecimento da verdade espiritual é corrente, estando todos os encarnados aptos a bem deduzir a necessidade de pautarem o procedimento pelos ganhos que devem obter, para fazerem jus a seguro encaminhamento às esferas superiores. Graças a Deus!
Insistem em nos dizer que o avanço não é tão geral que abranja todos os seres, embora existam pessoas capazes de boa compreensão das leis que regem o universo, mas que persistem em desfigurar os raciocínios, forçando o entendimento da vida como fruto do mais acendrado materialismo, incautos no que respeita à possibilidade de estarem perdendo as oportunidades de resgate dos antigos débitos e afoitos na aquisição de inúmeros males que estão a se lhes incrustar na personalidade, para posterior trabalho de desinfestação.
Sendo assim, parece-nos absolutamente válido que enderecemos a mensagem a alguns mortais que correm o risco de se arrepender de verdade, por estarem deixando de lado excelentes recursos para seu crescimento moral e espiritual.
Se aceitarem pungente confissão, devemos dizer que o relato de nossa última passagem pela Terra revelaria de modo assaz nítido que tudo o que acima dissemos a respeito dos imprevidentes casa perfeitamente com as nossas atitudes e projetos de vida. Não demos atenção a vários discursos de caráter moralizante, sob o amparo da doutrina de Kardec, ingênuos que éramos por acreditar que nosso poder intelectual poderia suplantar qualquer arrazoado que se opusesse às conclusões a que chegáramos, exagerando a ponto de supor que, mesmo após o trespasse, em havendo vida, conforme nos contavam, teríamos capacidade para argumentar contra qualquer assertiva que visasse a nos condenar à erraticidade. De fato, ao aqui aportarmos, não ficamos sem eira nem beira, em rumo incerto e não sabido, mas fomos imediatamente arremessados em imundo e infecto quartinho, nos quintos dos infernos, sem que pudéssemos articular palavra em defesa de nossa condição de espíritos livres, responsáveis pela criação de nosso mundo particular, onde ninguém poderia adentrar para nos perturbar. E nessa condição ficamos por mais de vinte anos, remoído de remorsos atrozes, desejando poder suplantar a infelicidade que nos devorava a alma, para não mais cair em semelhante esparrela.
Foi com muito sacrifício que reconhecemos cada pequeno erro em que incidimos, ao nos atirarmos, desbragadamente, aos raciocínios com que enfatizávamos a grandiosidade do homem, esquecido inteiramente de que todos os irmãos são seres de mesma estatura, a merecer atenção, para serem apoiados e socorridos nas necessidades. Enchemo-nos de orgulho, de egoísmo, de vaidade e de outros defeitos menores, os quais, sorrateiramente, foram infiltrando-se em nossa personalidade.
Mas chega de fazer referência aos erros. Baste-nos citar o deletério exemplo de quem não considerou as verdades evangélicas como de superior proveniência, desdizendo, item a item, tudo o que Jesus nos veio pregar com profundo amor.
Passo primeiro de quem não tem mais remédio, o arrependimento chega sempre no momento em que as forças estão abandonando-nos, incapacitando-nos para reação oportuna, no sentido de fazer dar meia volta aos maus pendores da intelectualidade mal direcionada. Não nos deixemos apanhar em semelhante armadilha. Votemos confiança nas dissertações dos que desejam que reconsideremos a posição de íntima superioridade diante dos argumentos espiritualistas. Deixemos de lado a vaidade insofreável de quem se tem como dotado de aparato mental capaz de fazer com que a maioria se curve à evidência dessa superioridade inconteste e ajamos prudentemente, da maneira o mais humilde e modesta que sejamos capazes, para não arrefecer o ânimo, no sentido de acreditar em que iremos conseguir chegar ao final da vida com claros indícios de que o bem que praticarmos ultrapassará em muito qualquer malfeito que não formos capazes de resgatar.
Se não nos for possível nesta peregrinação fazer chegar aos desafetos o rogo de perdão que nos faria credores de sua boa vontade, saibamos formular sentidos apelos ao Pai, para que nos encha de força para enfrentar os desajustes que certamente ocorrerão ao nos depararmos de volta ao plano espiritual.
Este é outro defeito que trouxemos para cá, pois, apesar de sabermos de cor várias preces, jamais nos ocorreu que o sentimento com que são ditas é que as fazem valer como peças oratórias para o convencimento dos protetores e guias, cuja sabedoria é sempre suficiente para deslindar os mistérios da hipocrisia e da falta de fé.
Não queiramos ser espertinhos diante de Deus, na ilusão de que, por ser dotado de infinita misericórdia, irá exercer as prerrogativas do perdão. Com este podemos contar sempre, mas sem nos esquecer de que Deus é também ser de infinita sabedoria e, por isso, incapaz de proceder de forma injusta. Seremos perdoados, mas não nos sentiremos em cômoda situação perante a consciência, pois essa é a lei universal. Daí o remorso, a agonia de não haver conseguido vencer as barreiras que colocamos para nós mesmos, o arrependimento e a angústia a sufocarem-nos, até que sejamos capazes de bem conceituar os defeitos e as armas que deveremos utilizar para que empreendamos a capitulação das virtudes. Existirá sufoco maior do que tomar conhecimento tardio de que tudo estava ao alcance das mãos e de que deixamos escorrer por entre os dedos?!
ENCERRAMENTO
Quisemos, neste período de permanência junto ao médium, exercitar o direito de trazer mensagens de muito amor e carinhosa advertência aos irmãos encarnados. Sabíamos, desde o início, que corríamos sério risco de não sermos bem recebidos, dado que os escritos mediúnicos que tratam das virtudes e das mazelas são os mais repudiados, por causa da rabugice de quem se coloca na posição de pregador moral.
Apesar de tudo, intentamos fazer chegar ao conhecimento dos amigos alguns tópicos dos mais importantes, para que tenham o ensejo de principiar as mudanças morais capazes de facilitar-lhes o ingresso nas hostes socorristas, assim que se encontrarem do lado de cá. Trata-se de treinamento que transcende a contingência corpórea e que dá a possibilidade de penetrar nos mistérios dos trabalhos espirituais que aguardam por todos.
Se tivemos ou não a felicidade de conseguir textos bem formulados, com argumentos válidos para o adestramento conceitual dos amigos, isto não nos importa muito, pois não nos foi difícil de orientar-lhes a visão dos fatos da vida e da existência, através da indicação dos autores consagrados, os quais, melhor do que nós, dedicaram a inteligência, as emoções e o tempo para a ênfase dos pontos da doutrina que foram por nós tocados. Sendo assim, não nos pejamos dos exercícios que levamos a cabo, tristes tão-só por não termos podido oferecer aos caros amigos algo de que melhor proveito pudessem alcançar.
Nesse aspecto, o que mais enfraqueceu o trabalho foi a inconsistência fraseológica e a pouca força que fomos capazes de imprimir aos argumentos racionais e emotivos, parecendo-nos tudo enorme barafunda, a exigir dos leitores que descubram o fio da meada para desenovelarem as trapalhadas conceituais de pouco vigor filosófico, já que não foi apanágio do grupo a exposição clara, organizada e lógica.
Crentes de que teremos a compreensão de todos, considerando-nos desde já perdoados por não demonstrarmos pendor para o ofício, vamos encerrando a nossa participação, felizes por termos conseguido trazer recados bastante enérgicos do ponto de vista da necessidade que todos temos de progredir, para podermos alcançar estágios de expressivo valor espiritual, fazendo vingar os arremessos de aplicação dos ensinos de Jesus, em cada pequenino desforço evidenciado em prol da felicidade dos irmãos.
Estamos deixando este posto, oferecendo nossos préstimos a quantos venham a lembrar-se destes Irmãos em Deus, nos momentos de aflição. Se não formos capazes de auxílio eficaz, iremos tudo fazer para levar aos irmãos protetores as solicitações de ajuda e de esclarecimento. Sirva-nos de consolo a manifestação sincera desse desejo, pois é o reconhecimento inatacável de que algo de bom ficará de todos os nossos esforços.
Vamos deixar registrado agradecimento ao irmãozinho médium, que tanto fez por nós durante este belíssimo período de trabalho. Fique na paz do Senhor e ore por nós, sempre que estiver relendo os textos para recordação dos diversos momentos de felicidade mediúnica por que tem passado. Agradeça à misericórdia divina este apanágio só concedido a quem demonstra boa vontade e espírito de sacrifício. Aceite os encômios com humildade e trate de fazer por merecê-los, descontando, dos bens que for arregimentando, tudo o que tiver feito até este momento, pois a existência é um eterno vir a ser, lição final que deixamos impressa, para que o amigo possa conduzir as reflexões no sentido de se desfazer de todas as peias morais que venham a atormentá-lo, em virtude dos continuados exames de consciência a que procederá. O importante é o bem que está por ser feito, sempre e sempre. Esta é lei de que não se poderá fugir.
Graças a Deus!