Todos os dias, Ã boca dos olhos, aqui saboreio lautos e apetitosos nacos de prosa. A excelência narrativa precede de esmerada confecção literária e de excepcional urdidura semàntica em opíparos conteúdos, capazes de colocar nas asas dos anjos qualquer cego que tivesse a dita de escutar tão deliciosa leitura ou por si deslizasse emotivamente com seus dedos sobre os ponteados de braille. Viçosos prados, pois, de aprazíveis e coloridos momentos em florescentes letras. Tão distintos e eficazes autores-escritores mereceriam indubitavelmente a notoriedade dos grandes escaparates livreiros. Por isso mesmo lhes reconheço toneladas de razoabilidade logo que se queixam da amarga e inepta plebe, de entre a qual eu próprio, que por aqui anda a fingir que escreve e tão só incomóda e obstrói as mentes que carecem de preciosa tranquilidade para se inspirarem e exprimirem. 
 Na linha das pérolas preciosas em literatura portuguesa, ocorre-me tomar um poema de António Gedeão, falecido professor liceal de físico-química, para que assim não perturbe e moleste com as minhas aziagas aberrações escritas o espírito dos lídimos escritores deste exuberante sítio intelectual. Pérola?!... Sim, pérola ainda dentro de nédia ostra, versos de engenhosa e douta simplicidade, portentoso e suavizante grito contra o ritus xenófobo, clamor pelo qual denodamente se batem os insuperáveis estrategas usinais no domínio fluente das palavras. Lágrima de Preta Encontrei uma preta que estava a chorar pedi-lhe uma lágrima para a analisar. Recolhi a lágrima com todo o cuidado num tubo de ensaio bem esterilizado. Olhei-a de um lado do outro e de frente tinha um ar de gota muito transparente. Mandei vir os ácidos as bases e os sais as drogas usadas em casos que tais. Ensaiei a frio experimentei ao lume de todas as vezes deu-me o que é costume nem sinais de negro nem vestígios de ódio água quase tudo e cloreto de sódio. Escrito em 24.02.1997 António Gedeão Ódio... Meu irmão Negrura tremenda Que não tem emenda Ou semi-solução Que desilusão Ler em português A inveja soez Meter compaixão!... Estes últimos oito versos, parece-me, foram agora mesmo escritos por mim, pejado de despeito por não conseguir alcançar os sublimes arroubos dos sábios poetas que aqui se entronizam com leal e valorosa dignidade. Ai... Rómulo... Em português... Nem imitações. Confrange, dilacera... E a percentagem no compacto lusófono deve ser de arrepiar os guisos da pandeireta... Torre da Guia PS = Claro... Sem equívoco, este trabalho é especialmente dedicado à  erudita dozena do lídimo grupelho de "chateadores" da Usina, indubitáveis amantes de sua "querida mãezinha". |