Final do dia. Crepúsculo de uma relação. No céu, pássaros retornam aos seus ninhos. Nas ruas, uma multidão volta aos seus lares. De carro, de ónibus, a pé. Final de um ciclo.
O horizonte alaranjado e o frio vento do outono nada mais de romàntico têm, como outrora. Ao contrário dos pássaros e da multidão, não tenho porque retornar. Não importa para onde ir, mesmo porque lá ela não estará. Ponho-me a caminhar, sem destino e em desatino.
Vítima de uma circunstància, usado e abusado, ferido e humilhado. Paro em uma esquina e observo as pessoas, como sempre gostei de fazer. Hoje, pouco elas me dizem. No passado, qualquer gesto era significante. Qualquer olhar era complacente. Qualquer sorriso era eloquente.
Por que chegamos à essa situação? Difícil dizer. Intolerància, prepotência, imaturidade, senilidade.
Por ela movia céus e terras, andava e rastejava, ria e chorava. Tudo em vão. Então começo a caminhar novamente. Vejo a placa que indica o limite entre cidades. Paro e olho pra trás. A escuridão chega de forma inexorável, as trevas triunfando sobre a luz. O laranja do crepúsculo se vai. E assim eu também me vou. Com aquele mesmo frio vento do outono fustigando meu cansado corpo, movido por meu sofrido coração.
O silêncio é tudo o que ouço.
Wagner -
P.S.: Leitor, deixe sua nota, seja qual for, para que eu possa melhorar sempre. Obrigado.