Kipling, no seu célebre poema do "Se", considera o eventual êxito do indivíduo na vida, mediante o equacionamento e cumprimento de umas quantas premissas, à s quais, infelizmente, a enorme maioria dos jovens em curso não liga coisa alguma. O "Se" desta juventude não perde tempo com o "depois". O "Se" da maltinha actual, dita fixe pra caraças e que me farto de ver chupando-se uns aos outros até à s amígdalas, é tão-só "agora": em cada um dos bolsos, e sempre à mão, ora a pastilha elástica, ora o drunfo.
Entretanto, e a condizer com a frenética levada, os sucessivos políticos que vão surgindo na berlinda e os deputados que representam o povo nos parlamentos, em nome de promessas mirabolantes e benesses para os mais carentes da sociedade, não passam de uma grande cambada de intrujões e, a maioria deles, desde logo envolvidos, assim que assumem o poder, em negócios esconsos e subrepticiamente desonestos.
O recente caso do "Mensalão" no Brasil, anos atrás, tinha identicamente acontecido em Portugal com o caso "Batman". Como hoje ainda se vê, eleitos e reeleitos através da técnica da lista, lá continuam nas mesmas cadeirinhas, em permanente faz-de-conta, agarrados ao tacho que as cinco piràmides partidárias lhes garantem mandato a mandato. Quando se reformam, levam uma vidinha tranquíla e saudável, bem providos da barriguinha e com as nalgas sempre muito bem higienizadas.
Na altura, após se terem locupletado forte e feio com as verbas destinadas à exlusiva representação do Estado, o que é que lhes aconteceu? Nada. Só um deles, um insignificante e pouco conhecido "tribuno", foi obrigado a devolver as lecas com que se tinha ilicitamente abotoado. Como é que se há-de varrer e eliminar de uma vez por todas semelhante gente? Com palavras?!...
Bem, tem de se ter esperança e esperar com paciência que surja alguém, dentre o seio corrupto e irrompa firme, rebentando com o esclerosado sistema de sanguessugas sobre o lícito suor do povo, explorado até Ã médula e sempre de cócoras a ganhar a vida.
E é aqui que entra o "Se" inverso da vida, aquele que deveras se coloca em face do macilento rosto da sociedade dos nossos dias: "se" não fosse a mulher, "se" não fossem os filhos, "se" não fosse a dívida da casa e do carro para pagar...
"Se" não fosse o caraças sequer o "se" existia.
António Torre da Guia
PS = - Alto lá, ó senhor Torre da Guia, isto não é tudo como você pensa...
- Ah... Desculpe. Você é a excepção. Mas o que deveras quer dizer com isso? Quer dizer que se coloca ao meu lado a lutar contra os corruptos ou que se coloca ao lado deles?...