Estava tomando cerveja quando ela chegou com um colega. Sentou-se à uma mesa, à minha esquerda, e, nesse ato, de sentar-se, apareceu parte da sua cintura e da sua calcinha, nas suas costas. Apareceu, inclusive, aquele pedacinho de tecido que identifica a marca, e uma pequena presilha na lateral esquerda, levando-me a deduzir que a citada calcinha seria daquelas "sem excesso de tecidos", só cobrindo mesmo "o essencial".
Daquela simples observação, comecei a conjeturar sobre "o apelo sexual e o seu papel na organização da sociedade"... sim, pois vejam só: não sou sociólogo, nem antropólogo ou psicólogo, apenas "cometo" os meus poemas (segundo o comentário de uma colega ao ler essa minha auto-definição, seria essa a melhor forma de se definir o ato de se poetar, tal o arroubo e ànimo do poeta ao exercer o seu ofício); e, as vezes, me atrevo a traçar "linhas prosaicas", em prosa.
Confesso que me sinto mais a vontade na poesia, pois nela tudo é dito em sua inteireza, pelo menos, até onde as palavras o permitam; e há muito mais "campo", largueza, em um "jogo" amplo e ambíguo que recria universos. Já na prosa, segue-se etapa por etapa na verbalização, e, ainda assim, fica-se a dever ao leitor e a si mesmo, em termos de compreensão ampla, completa, irrestrita.
Voltando ao assunto primeiro, fiquei pensando na importància do apelo sexual: é por ele que um homem e uma mulher se aproximam, trocam juras de amor, namoram, transam, se casam, geram descendentes. Há, é claro, a emoção, o sentimento, mas sem a atração sexual, nada disso ocorreria; ela é a base fundamental.
Não sou tão freudiano quanto vocês possam vir a imaginar: aprecio muito mais a linha de pensamento e pesquisa do notável e incansável Jung, inovador e original. Mas, sem o sexo, camaradas, qual o casal que se constituiria? Nenhum.
A mulher, como sabemos, joga todo o seu encanto, sedução, na conquista amorosa, compreendendo (bem mais do que o homem) o poder da atração sexual. Este, por sua vez, está atrás de tantas convenções sociais, a começar do casamento, mas também da dança, da corte/cantada, do namoro, do noivado... e por aí vai.
Com o casal formado, a família consolidada, segue-se uma linda história (que eu prefiro à "estória") de amor, doação, carinho, atenção, educação dos filhos, crises, tristezas, alegrias, realizações, trocas, emoções... mas nada disso aconteceria se aquela "primeira cena", da troca de olhares, da sedução, do tesão, não tivesse ocorrido... o apelo sexual.