Teu corpo dourado rebrilha em faíscas de ouro sob a réstia de sol que penetra pela janela entreaberta. Nua, te estendes languidamente, meio dormindo meio desperta. A luz percorre todo o teu corpo num dulcíssimo carinho, quase um beijo, e, como que tocada por mãos angelicais, ouço teu suspiro entrecortado de desejo... As gotas d´água de teu banho restaurador ainda estão sobre ti, cintilantes e quietas, como diamantes, a enfeitar o amor...Lá fora, o vento sopra suavemente as flores do jardim - talvez por te ver assim - e me traz mil perfumes, misturados ao cheiro teu. E eu te observo extasiado, cansado, ainda ofegante...Por um instante pensei ser um sonho, talvez mais uma ilusão de um andarilho sem rumo...Então, descansei sobre teus seios, e ouvi as batidas compassadas de teu coração, e a agitação que ainda se revolvia em teu interior, clamando por mais amor...O pequenino raio de sol percorreu todo o teu corpo, em completa liberdade, e, em cada curva, uma nova descoberta. A brisa perfumada envolveu-te inteira, eriçando tua pele e fazendo-te verdadeira, roçou suave por teus lábios, rolou por sobre teus seios e explorou todos os teus segredos, passeou por teus cabelos... Nada fiz para impedi-los, mesmo quando os vi brincar com teus pelos... Mas, um leve tremor te percorreu e um novo lume de amor nasceu. Satisfeito, o raio de sol se afastou candidamente através das cortinas da varanda, se apagou discretamente e deixou em seu lugar a penumbra gentil e enamorada, também ela, ansiosa por ser amada, e foram brincar noutro lugar, e acariciar outras flores... Só então pousei a mão no veludo de tua pele e despertei teus suspiros, nos giros de meu sangue fervilhante, e te abracei inteira, e mais uma vez, fui teu amante...