Era o tempo em que se debatia o início da CPI da Corrupção. Jornalistas, políticos e até pessoas alheias à política debatiam a CPI que, provavelmente, mudaria a histórica falta de ética das instituições governamentais. O Brasil, finalmente, descobriria que o patriotismo não deveria ser privilégio dos tempos de Copa do Mundo.
E, nesse clima de agitação, um grande senador se destacava. Seria apenas mais um político parasita do dinheiro público, não fosse um perfeito ladrão em estado de graça, um gatuno reconhecido e reverenciado pelos companheiros: dava inveja aos colegas da era Collor. Esse homem, astutamente, recebeu dinheiro de certo partido para assinar em favor da CPI. Após fazê-lo, até discursou:
- Cidadãos brasileiros, estamos diante de um novo período: a era de um Brasil mais humano, solidário, igual. Descobrir quem são os corruptos é um dever de uma nação que busca o desenvolvimento económico. E foi esse pensamento solidário e humanista que me fez votar em favor da CPI.
Poucos dias após o belo discurso, o político mudou totalmente de opinião. O "moralista" de outrora se tornava no mais profundo conservador. Dizia ser absurda a proposta da oposição e, se fosse aprovada, atrapalharia o desenvolvimento comercial. Não entendendo a repentina mudança, o suplente do senador, curioso, falou:
- Há cinco dias, o senhor disse-me que tínhamos firmado um compromisso com a oposição. Por que mudou de opinião? Sentiu remorso? Ou teria analisado melhor as propostas?
- Pura questão de ideologia, caro suplente. A maleta oferecida pela oposição era menor que a do Governo.