Apenas cento e tantas palavras e quatro curtas estrofes para aspergir belas coisas sobre a neirinha terra de Mindelo, berço de gentes saudávelmente dilectas ao abraço familiar, espraiadas entre amores, pinhais e mar, naturalmente dotada duma esplêndida praia e englanada por airosas e elegantes moradias. Ainda nela se vislumbram notáveis resquícios de lavoura antiga à sombra de musgosos muros e remansas latadas.
Famílias chãs, sobrevindas à hodiernidade, passeiam garbosas seus interessantes nomes e apelidos em colorido mosaico de convivência irmã nas benesses ou nas agruras da vida diária. Azevedos, Baldantes, Brancos, Bertões, Camazes, D Afonsas, Ferreiras, Galegas, Moreiras, Palmeiras, Ramos, Teresos e Violas, ancestral geração toda voltada à modernidade e que se revê na patriacal simplicidade de um filho querido da velha aldeia, vila quase, António Sampaio.
Dos amores de urtiga e rosmaninho, daqueles que fazem sol na alma e douram o coração, sem palavras, cantam os gaios, as pegas e os rouxinóis na ramosa e romàntica antela.
HÁ MUITO ANTIGO TEMPO
QUANDO NEM HAVIA ASSENTO
DE POSSE E PROPRIEDADE
UM FIDALGO BRAZONADO
VAGUEAVA BEM MONTADO
A SUL DO RIO AVE
TALVEZ PERDIDO QUEM SABE
OU DE PRÓPRIA VONTADE
EMBRENHOU-SE NUM PINHAL
ONDE AO ACASO FOI DAR
COM UM HOMEM A ROÇAR
UM EXTENSO MATAGAL
PERGUNTOU SENHORIAL
DE QUEM ERA O FORAL
AO RUDE TRABALHADOR
QUE EM VÉNIA RESPONDEU
SAUDANDO COM SEU CHAPÉU:
É "MIM E DELO" SENHOR!
O CAVALEIRO A PENDOR
OLHANDO FIRME EM REDOR
PROCLAMOU SAPIENTE:
VAI E DIZ A ESSE "DELO"
QUE DORAVANTE MINDELO
É TERRA DE TODA A GENTE.