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cronicas-->De Voz ao Tempo -- 07/02/2002 - 19:05 (António Torre da Guia) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Pois... O Fado é, qual e tal o sentimos, do país que os nossos pais nos foram deixando ficar para reflorir sempre de novo e fazer jus, tão só e ainda que com humilde modéstia, ao espadachim que de espadão de arroba desde 1111 comtempla os frondosos terrenos do seu sublime reinado. Pelo menos a este ainda não lhe pisaram os calos a sério, embora cada vez mais se intente salpicar-lhe o rabiosque com subtil amanteigamento. Fado, esse que amalianamente insensamos em entrega e reconhecimento total, que procura mostrar-se indiferente ao aflitivo contorcimento do Infante e do Vate Maior sob os pedregulhos da memória. O que significarão hoje deveras estes dois gigantes, membros incontornáveis da construção da pele portuguesa, para os nossos jovens? Tanto como para mim significaram, em aprazíveis tempos, a Carochinha e o João Ratão. Lembre-se que há sessenta e poucos anos, com o meu firme testemunho, a humanidade já era paradóxal, embora não tão desabridamente como se vê e sente agora.

O fado é que dá em "Fado dos Fados", mensageiro da história e das actualidades fadistas, e que vem à luz graças ao agregado empenho dum velho e dum jovem, apoiados por quem ao fado se dá em enleio e o sente genuínamente vibrante a correr nas veias, soltando-se das cordas vocais e do tanger das guitarras. Eis aqui o arauto das vozes e o elmo contra a confusão que se implanta sobre os ombros da valeta para espreitar a frincha da glória em bicos de pés. Eis aqui a aldrava convicta dos que pretendam bater à porta franca das ideias livres para exporem o peito sobre a mesa do pão e do vinho sem gasolina. Aqui pode usufruir-se do pão gestual sem receio de provocar migalhas sobre a toalha. Aqui pode entornar-se o vinho inadvertidamente que não há necessidade de pedir desculpa, nem tão pouco se está sujeito ao massacre sem perdão para que a razão se inverta e pertença aos coiotes do predamento vomencial. Aqui recomeça a deliciosa aventura dos vates de tasca ao decorrer dos anos vinte. Aqui voltará de novo João Linhares Barbosa em solado verbo na trova das estrofes joviais e amantes:

"É tão bom ser pequenino
Ter mãe, ter pai, ter avós,
Ter esperança no destino
E Ter quem goste de nós!"

E deste modo se escreve para a audiência fadista que bem nos conhece e sabe também que está perante um guerreiro conhecedor destas coisinhas que afinal de contas enformam o quotidiano de quem quer que seja, embora muitos intentem forjar uma vida complexa e fingirem que vivem cheios de tudo em face do nada. É curioso, pois é?


Torre da Guia
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