Sem elementos concretos para o afirmar, no entanto creio, e não devo estar enganado, que o "amor", em sensível maioria, é o preferente motivo dos versos e dos poetas. No poema "Amor Sempre", que concebi à volta do tema, inicio desde logo assim:
--------------- O amor é complexo
--------------- Teorema relativo
--------------- Fome, sede, sono e sexo
--------------- Quadrado de quem está vivo.
No ar que respiramos, que é o mais fundamental dos alimentos (é um alimento!), passam-se dias e dias sem dele sequer nos lembrarmos e, com tranquíla indiferença, pouco ou nada dele fazemos caso, convictos de que a sua produção e renovação são infindáveis. Por assim dizer, parece não contar no seio das nossas preocupações determinantes: a fome, a sede, o sexo e o sono, o tal eclético quadrado essencial que abordo no poema referido. Antes do amor, que alguns afirmam estar acima de tudo sem saberem bem o que estão a dizer, colocam-se sem dúvida alguma os quatro enunciados lados com prioridade segundo as diversas situações do nosso quotidiano.
Já me passaram aos olhos uns largos milhares de livros e variadas leituras, mas não conheço autor algum - que pode naturalmente existir - que tenha abordado este tema com sequência no que vai seguir-se: a bola.
Se bem repararmos em toda a matéria exposta à s intempéries do tempo e aos acidentes provocados pela natureza, e pelo homem, tende a embolar-se, o que para mim é um meio de defesa automático que os elementos térreos e espaciais possuem. Da pedrinha ao pedregulho constatamos que o prícipio da esfericidade contorna a sua massa.
Também, no caso do nosso quadrado essencial, todos tentamos dar-lhe a maior comodidade possível e quanto mais o conseguimos, ao garanti-lo, transformá-mo-lo sem dar por isso numa autêntica e fluente bolinha que deslisa plena ao correr dos dias. É pois muito interessante, e até apaixonante, tomarmos esta equação mental e pelo menos, sem pretender dar-lhe solução alguma, meditarmos na sua interacção: quadrado e bola!