A partir das regras sucessivamente estabelecidas pelos sábios de cada época, umas boas e outras más, as línguas também evoluem à procura da ignota luminosidade que apaixona os indivíduos e os coloca de pensamento a bater no espaço sideral.
Diga-se, face à s dificuldades que subsistem para comunicar à s massas, as línguas, por parte de seus respectivos média, tendem a uniformizarem-se, perdendo com essa inegável utilidade a sua plástica e, porque sim, a sua beleza artística. Decorrem pois daí as vantagens dos escritores que aplicam o seu inconfundível cunho, tal qual impressão digital, aos seus escritos, e também daí o seu êxito montado nos sucessivos cavalos da promoção: o engenho da trama, a oportunidade do texto, a publicidade e, por aí fora, até à fama.
Este curto intróito serve-me para tomar em apreço - suspeitem de mim ou não - uma escritora da Usina - Milene Arder - que, por coincidência ou propósito com seu nome, coloca mesmo o seu texto arder, seja o trato em prosa ou poesia, seja como for, é ela e mais ninguém. A plástica da sua escrita é inconfundível, vibrante, labareda em crépito, queira ela ser suave ou rugosa, arde, faz as palavras sobrarem em lava. Quem é que não gosta de se sentir quentinho com uma leitura?
A Milene foi uma pessoa muito agradável comigo (connosco, Fado dos Fados), tão agradável que em pouco mais de mês e meio estabelecemos à distància um franco e saudável conhecimento virtual. Esses laços iniciais, crei-o firmemente, irão afluir ao rio da amizade e correrão provávelmente cantantes até à foz. Então não é tão bom ter um(a) amigo(a) no meio do deserto cheio de latas com areia?!
A Milene, em meados de Março próximo, vai aparecer como cronista de "Fado dos Fados" - Mensageiro da História e das Actualidades Fadistas - uma revista especializada no cantochão vigente entre Severa e Amália e, como em Fado é soer dizer-se, até quando Deus quiser.
Felicidades para nós
E para ti, Milene, votos dum lindo sorriso quando folheares pela primeira vez o "Fado dos Fados".
Bordaste a ponto de cruz
Este Fado de amizade
E a escrever deste mais luz
Ao português da saudade.
------------------ Torre da Guia -----------------