Era um médico encorpado, mas não era exatamente gordo, com cabelo cortado rente, dos lados, e curto, liso e ficando branco em cima, e lhe dizia: - meu filho, como estão as coisas? - E ele respondia, enquanto o médico, de meia idade, claro, andava e olhava em torno. Parecia com um daqueles antigos médicos. Ao lado da sua cama, uma outra vazia. E havia uma outro médico que esperava à porta, mas que ele não conseguia ver quem era.
Acordou do sonho com uma sensação de paz como não sentia há muito tempo. Aquela sensação de que as coisas estão certas do jeito que são, de que não adianta lutar contra "o destino", ou seja lá o que for, lutar contra tudo, ou contra todos. Reconheceu como sua esposa estava sendo abnegada. E como havia um sentido subjacente a tudo, e que era daí que emanava aquela vibração de harmonia. Seria essa a harmonia, de que tanto ouvira falar? E, de que, possivelmente, muitos poucos saberiam realmente o que era, apesar de nela falar o tempo todo?
Ao contar à sua esposa, ela comentou que talvez se tratasse de um médico pediatra, bastante conhecido à época, e que lhe salvara a vida, quando ainda bem jovem. Ele concordou com ela. Talvez fosse ele mesmo, quem sabe? Já falecera há muitos anos. E talvez estivesse ali no sonho, agindo tal qual um anjo da guarda, trazendo para ele emanações de cura e de paz .