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Artigos-->Propaganda Política II;"Propaganda Política II#KaKá Ueno -- 03/08/2002 - 04:02 (Ataíde de Abreu) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Filha do "jornalismo tendencioso" e mediocre, as ditas reportagens eleitoreiras que têm por base as pesquisas de opinião, se sustentam no princípio aparentemente incontestável de que é a voz

do povo que fala por meio do jornal.



Seria as pesquisas realmente veículo do pensamento popular e instrumento para intervenções democráticas? Seria tais mecanismos inocentes e neutros, independentes do que querem e pensem seus patrocinadores? Se há uma dose de previsibilidade em muitas das pesquisas, como ocorre nestes casos, não serão elas o meio ideal para provar uma tese pré-concebida ou sustentar um ponto de vista que sob o aspecto inocente de "fato", muita coisa é divulgada para dar a impressão de que, no jornal, há "verdade", e não opinião?



Ora, para começo de conversa, sabemos que fazemos recorte de mundo, que há uma seleção prévia de quais fatos serão divulgados, propagados, como e de que modo transmitiremos. Se é assim com a gente image no mundo do marketing onde os caras entregam a alma por alguns pontos de audiência.



Volvemos às pesquisas de opinião.



Onipresentes em época de eleições, quando esquentam as vendas de jornal e fornecem material para as campanhas, as pesquisas têm se estendido a todos os aspectos da vida. Como recurso jornalístico, elas têm um atrativo melhor, pois é interativas, o que é sempre um recurso de sedução e entretenimento. Um exemplo disso são as enquetes de Internet :



"Em quem você jogaria uma torta?",



"De qual parte do corpo da Gisele você gosta mais?" etc...



Além disso, a pesquisa faz com que o leitor se sinta "ouvido", com que ache que se dá a devida importância a suas idéias: ingrediente saboroso para assuntos de grande leitura.



Por exemplo: uma matéria sobre a seleção brasileira, devidamente acompanhada por um quadrinho do tipo:



"Você acha que o Felipão deve permanecer ou não?".



Por fim, pesquisa ajuda a vender mais: a Folha sonda assiduamente a opinião de leitores a respeito do jornal para obter um índice, por exemplo, de "assuntos que dão leitura" ou de "colunistas mais populares". Isso serve para produzir um jornal mais adequado ao paladar do leitor e mais vendável - que diga-se de passagem é o que realmente importa.



É muito mais fácil e seguro contentar o leitor reverberando o óbvio e chovendo no molhado, do que mostrando uma perspectiva nova e, talvez, incômoda. Ainda mais aqui, agora, em que vivemos na cultura da reclamação (como diria Robert Hughes, citado pelo colega Paulo Salles).



As pessoas preferem reclamar a colaborar. É não apenas mais fácil, mas também mais gratificante vociferar...



Para o jornal, é mais fácil exibir as vozes da insatisfação do que ajudar o leitor a entender os muitos fatores que contribuem para a situação ser insatisfatória e aqueles necessários à sua resolução.



É mais simples engrossar o coro dos descontentes e proclamar um fracasso prematuro: quem há de discordar?





Desse modo, o jornal, em vez de informar, perpetua a infelicidade política de um país em que os cidadãos se eximem de suas responsabilidades cívicas e deixam campo aberto para o show de horrores em que a nossa vida pública se transformou, consolando-se, talvez, no refúgio falso de mecanismos "democráticos" como a pesquisa de opinião.



É verdade que eu não estou descobrindo a pólvora com este texto. Mesmo que pesquisas de opinião sejam precisas, mesmo que ninguém tenha trapaceado ou mentido, o uso que se faz delas é reconhecidamente problemático.



O tipo de pergunta que se faz, como se faz, a maneira de veiculação, o período, tudo isso afeta o efeito que a pesquisa tem. Há uma certa qualidade cíclica: a pesquisa de opinião influencia a opinião pública. Se as pesquisas fossem neutras, esse seria um círculo: a opinião pesquisada coincidiria com a opinião do leitor, sem modificá-la. Se a opinião pública mudasse, seria por outros fatores, externos, e bastaria nova pesquisa para medi-la.



Mas pesquisa não é termômetro. Pesquisa influencia, dobra, torce, distorce, sombreia, maquia e faz tender.



O mecanismo é sutil. No caso da política só faz sentido se a intenção for mostrar que este ou aquele partido está favorecido ou desgraçado. O mau desempenho de um partido no tal ranking ganha corpo nos gráficos, conteúdo nos textos e respaldo pelo status de notícia.



O desempenho vira má fama, a má fama denigre a imagem pública do partido, a imagem pública deteriorada

resulta em fraco desempenho eleitoral, queda na atual situação política e assim por diante. Dá para ver o

encadeamento?



Veja bem o caso do pretenso candidato a presidência do Brasil do PT Luis Inácio (Lula), não por acaso, um dos que têm maior índice de aceitação. Essa aceitação é fruto do descontentamento do povo para com o atual cenário política que aí está. E também devido o que se dispõe para votar - não há muito o que escolher... Olha-se para Ciro, vê-se Collor; olha-se para Serra, vê-se F.H.C.



Ah, e aquele discurso de não ter nada a ver um com o outro eu até corcordo, mas há de convir são bem parecidinhos!



Entretanto, o povo não possui Rede Televisiva, Jornal, Rádio... Então o que acontece, a mídia começa a trabalhar uma figura, como outrora fez com Fernando Collor, o acordo da globo com Collor, agora foi repassado para Ciro Gomes. E aí meus amigos, se não formos espertos eles continuarão a tocar a música e mais uma vez o povo vai dançar.



Há tempos eles estão manipulando, prova disso é que hoje o grupo do presidenciável Serra declarou através do Jornal Folha de São Paulo, características de manipulação; diz o jornal:



" Partidários de Serra levantaram dúvidas sobre o questionário do Vox Populis, considerando a forma de apresentação dos nomes favorável ao ex-governador do Ceará.



Citaram o fato de o nome de Ciro aparecer acompanhado da qualificação "Frente Trabalhista: PPS/ PDT/PTB". Junto aos nomes dos demais candidatos aparece apenas a indicação do partido.



"Anexo 2"

Também reclamam porque no centro do cartão circular há uma expressão ("Anexo 2") que, quando colocada na posição correta, favoreceria a leitura do nome de Ciro. Os demais estariam em diagonal ou, no caso de Lula, de cabeça para baixo. "Anexo 2" é o nome que identifica, para os pesquisadores do Vox, a pergunta de intenção de voto estimulada.



Coimbra argumenta que Ciro é apresentado como candidato da Frente Trabalhista porque "assim o faz a mídia de maneira geral", enquanto Lula, Serra e Garotinho são mais frequentemente associados a seus respectivos partidos."





Ataide de Abreu
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