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Cordel-->A Briga de Raimundo Nilo com Bento Luís -- 16/07/2006 - 15:28 (HENRIQUE CESAR PINHEIRO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

A BRIGA DE RAIMUNDO DO NILO COM BENTO LUÍS


Bento, achou que era bom poeta
ai veio Raimundo Nilo
que o desafiou em grande estilo
Raimundo era um ex-atleta
que nunca poetou nem em festa
arranjou para o momento
surdo-mudo era o elemento
Bento, levou pisa feia
que nos pés faltou areia
porque não tinha argumento

Bento teve tanta vergonha
do Alto do Bode sumiu
de Pacoti ele partiu
como é que se apanha
de mudo, qualquer um ganha
o povo sempre repetia
perdeu a sua freguesia
pra sobreviver pobre Bento
vendeu um velho jumento
porque fechou a barbearia

Raimundo cabra nojento
de Bento vendo a agonia
pra ele sempre dizia
não descanso um só momento
e que seu maior intento
ele havia conseguido
ver Bento assim transformado
num poeta infeliz
coisa que sempre quis
estava realizado

De Pombas veio Batista
pra tirar uma casquinha
essa briga também é minha
sujeito metido a artista
que se diz bom cordelista
vou dar-lhe uma boa pisa
porque sempre me atiça
se se acha um cantador
bom poeta um professor
quando doer ele avisa



Seu Bento Luís
se diz poeta
acho não é profeta
não passa de infeliz
e neste nosso país
ele nem é cordelista
muito menos repentista
apenas um derrotado
um pobre de um coitado
perdeu até pra um Batista

Do Raimundo se diz parente
e que rima em parcela
é ele mesmo quem apela
não precisa ser inteligente
pra bater neste doente
vai levar surra tão feia
amanhã depois da ceia
os versos ele escolhe
depois ninguém lhe acolhe
senão desistir, vem mais peia

Disse debaixo dos panos
que viu erros em quem lhe bateu
acho que não são meus
pois estes tipos de enganos
em todos esses anos
eu não ia cometer
isso não pode dizer
pois em poeta tão fraco
pra bater não uso taco
esperem, vocês vão ver

Esse poeta do Pacoti
depois da pisa que lhe der
vai é virar mulher
se transformar em sapoti
ou mesmo num jabuti
daqui ele vai embora
acho que vai ser agora
pois toda sua valentia
transformou-se em agonia
vai sair por mundo afora

O tal do poeta Bento
que diz rimar em parcela
nele meto uma sela
vai se transformar num jumento
faço agora o juramento
vou correr com ele daqui
vai morar no Paramoti
pra deixar de ser gabola
lhe meto numa sacola
pra não voltar mais aqui

Se no Pacoti botar os pés
desta vez não aguento
vou matar o agourento
e não será a pontapés
mas em verso de dez pés
porque ele não é o primeiro
nem também o derradeiro
aí acabo com ele
depois de bater muito nele
se muda pro Rio de Janeiro

Com poeta ruim assim
eu não perco muito tempo
tenho cérebro no corpo
ele vai comer capim
dormir em cima de cupim
vai ficar com uma gagueira
e também uma caganeira
daqui parte pra melhor
mas terá que ir só
e sai falando besteira

Em cabra do Alto do Bode
a gente mete a tira
do couro se faz embira
o resto a gente sacode
só assim ele se fode
para deixar de ser besta
não se meter a artista
e querer ser cantador
e também compositor
apanha e perde a crista

Com sujeito desta laia
não dá para competir
só faz nosso povo rir
tem é que vestir saia
ir dormir dentro da baia
é melhor você sumir
porque até no Pacoti
poeta que manda sou eu
e não é qualquer Zé Bedeu
Que mete o bedelho aqui



Pelo seu atrevimento
eu vou meter-lhe a ripa
depois arranco sua tripa
lhe coloco num jumento
adeus seu poeta Bento
daqui você vai partir
não andar mais no Pacoti
em poete feito você
se vier e me bater
eu deixo de competir

Se voltar a falar em parcela
eu que não gosto de economizar
mesmo quando é pra rimar
neste atrevido meto a fivela
reze a Deus e peça vela
desta vez sua morte é certa
vou acabar com este poeta
pode providenciar o enterro
me desafiar foi seu erro
espero que não mais cometa



Henrique César Pinheiro
Dezembro/2005
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