Usina de Letras
Usina de Letras
68 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 60365 )

Cartas ( 21289)

Contos (13387)

Cordel (10358)

Cronicas (22277)

Discursos (3194)

Ensaios - (9715)

Erótico (13520)

Frases (48251)

Humor (19554)

Infantil (4829)

Infanto Juvenil (4180)

Letras de Música (5497)

Peça de Teatro (1345)

Poesias (139363)

Redação (3118)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2438)

Textos Jurídicos (1949)

Textos Religiosos/Sermões (5812)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Teses_Monologos-->Título? É a patente do fracasso! -- 21/01/2003 - 16:43 (ARTUR MARCIANO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
K.

Título? É a patente do fracasso!
A Emil Cioran

Escrever para quê?
Desde as cavernas se escreve
e o troglodita, feroz e imbecil,
somente trocou a clava
pela pena!
Não! Não mergulhar
nas profundidades mudas da literatura.
Manter-me naturalmente sujo,
vencido, sem desperdiçar uma só
de minhas decepções!
As palavras são sombras da realidade:
Platão, aquele espevitado, já o dizia.
E não existe universo mais falso
que o universo literário – fraseologia
em suspiros, clarões de imitação!
Eclâmpsia dos pleonasmos, a literatura
vive da exuberância de vocábulos
e neste mundo de espermatozóides verbosos,
um gramático esquizofrênico
vale mais que um Buda: morre-se
por uma vírgula!
O homem de letras é um charlatão
solitário - acorrentado ao laconismo
da interjeição, bocejo dos adjetivos.
Bem melhor seria ouvir flores
tagarelando sobre a morte.
Como é prazeroso observar
a esfinge, com sua loquacidade
silente que remonta o estupor alegre
de uma época anterior aos idiomas:
letra morta, vocábulos abortados...
O estilo? É impossível,
a não ser nos epitáfios!
O talento? O meio mais seguro
de falsear tudo, de deformar as coisas.
Qualquer estupidez vestida,
aqui e ali, de rimas, corre o risco
de se transformar numa obra-prima.
Então por que não recuar diante
do banal de escrever?
Ah! O desejo de ser lido
e de ver publicados os seus lamentos,
os seus gritos: demência enaltecida...
Volvamos, pois, nossa atenção aos gênios,
aos originais – na melhor das hipóteses,
uns decadentes honrados, embriagados
das vertigens de seus próprios abismos.
Nem mesmo aqueles que se entregaram
à insanidade, ao escândalo – tal qual um Sade ou um Lautremont – conseguiram ir além
de si mesmos. Tudo que foi escrito, até hoje,
não passa de masturbação de egos estiolados:
figuras débeis tentando construir impérios,
conquistar mundos plagiando o eco
de suas perturbações.
Poeta? Poeta? Amargo e insaciável,
lúcido e apaixonado, símio
imitador ou na vanguarda de sua solidão...
Arroga o direito de proclamar algo da vida, usurpa o delírio
dos místicos
em perscrutar os silêncios do nada:
de Homero a Tzara, tudo é um protesto
contra a verdade, provocação à nossa bílis!
Sonho com uma época fora do tempo,
em que bibliotecas serão museus
de nossa falta-do-que-fazer histórica,
monumentos à dilaceração voluntariosa:
brasão de um ser biologicamente falido - o verdadeiro escândalo
da Criação!
C


R

I

A
Ç

~
A
O
?
Comentarios
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui