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Cordel-->OS TRÊS FILETES DE OURO -- 12/10/2007 - 07:57 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
.
OS TRÊS FILETES DE OURO

I

No tempo de antigamente
Havia um homem pobre,
Cuja esposa teve um filho
Destinado a ser nobre
Para um dia ficar rico,
Possuindo muito cobre.

II

Numa choupana nasceu
Esse menino sortudo
A parteira disse aos pais:
- Sou fada e tenho estudo,
Acaba de vir ao mundo
Um varão que terá tudo.

III

Será ele o imperador
Tão somente por casar
Com a bela princesinha
Filha do grande Czar,
O tirano, no entanto,
Isso não vai aceitar.

IV

Dito e feito, logo o rei
Soube dessa profecia
E foi ter com o casal
Na manhã do outro dia,
Propondo:-Levo a criança
Para a minha moradia.

V

De início aqueles pais
Não queriam concordar,
Mas o rei tanto insistiu
E até dinheiro quis dar,
De modo que o casal
Não teve como negar.

VI

Deram o recém nascido
Confiando no destino,
Se nasceu com boa sorte
Aquele belo menino,
Com certeza ele teria
A proteção do Divino.

VII

O rei levou a criança
E a colocou num cestinho
De juncos todo trançado
E se desviou do caminho,
Parou às margens dum rio
Que movia um moinho.

VIII

Botou o cesto no rio
E aquele menino lindo
Foi descendo rio abaixo,
Sono tranqüilo dormindo,
E um moleiro avistou
O berço que vinha vindo.

IX

Naquele pobre casebre
Outro filho foi chegando,
E o moleiro satisfeito
Com a esposa delirando,
Adotaram o menino,
Junto aos demais, criando.

X

Passados dezoito anos,
O rei tudo descobriu,
Soube que o menino pobre,
Que ele jogou no rio,
Era um moço belo e forte,
Bom guerreiro e bravio.

XI

Enviou o rei ao casal
Uma missiva dizendo:
- Estou longe do castelo,
Numa guerra e temendo
Que não retorno ao lar,
Minha morte antevendo.

XII

O valoroso soldado
Deve levar à rainha
O testamento que fiz,
Contando a vida minha,
Ela o irá recompensar
E dele será madrinha.

XIII

Os pais não se opuseram
E o belo jovem partiu,
Com aquela carta em mãos,
Logo um bosque anteviu,
Entre as árvores perdeu-se
E uma voz ele ouviu.

XIV

Vinha de uma cabana,
Uma velha perguntando:
- De onde vem e aonde vai,
Não quero aqui pernoitando,
Pois é um covil de ladrões
Aqui onde estou morando.

XV

O rapaz não se importou
Porque cansado estava,
O envelope que trazia
Para a dona entregava,
Foi direto para a cama,
Logo dormindo, roncava.

XVI

Os ladrões logo chegaram
E já quiseram saber
Porque aquele estranho
Dormia no alvorecer;
A velha mostrou a carta
E um deles pôs-se a ler.

XVII

Na carta o rei dizia
Que o jovem portador
Haveria de ser morto
Por soldado de valor;
Então o rei dos ladrões
Pensou:-Não tenho pudor.

XVIII

- Rasgo agora esta carta
E uma outra escreverei,
Mandando que a rainha
Cumpra de mim nova lei,
Ordeno que o portador
Case c’oa filha do rei.

XIX

Quando o dia amanheceu
O pobre jovem rumou,
Levando a nova carta,
Num castelo ele chegou,
Onde a linda princesinha
Por esposo o aceitou.

XX

Ela lendo o testamento
Que o moço lhe entregou,
Sequer pode duvidar
Do seu pai, que a criou;
Pelo portador da carta
Na hora se apaixonou.

XXI

O rei, porém, retornou
E logo foi informado
Que aquele jovem pobre
Estava mui bem casado
Com sua filha querida,
Reinando no seu reinado.

XXII

Interrogou a rainha
Sobre o acontecido,
Por que tudo acontecera
Desse modo invertido;
E a mãe rainha disse:
- Acho isso divertido.

XXIII

Eu exijo que tu leias
A carta que recebi,
Não tendo que duvidar
Que eu a recebi de ti,
Aqui está, eu te entrego
Tua carta que só eu li.

XXIV

Vendo o rei que sua carta
Havia sido trocada
Chamou o moço e disse:
- Você está numa enrascada,
Se não der explicação
Acerca dessa charada.

XXV

- Nada sei - Disse o rapaz,
Ignorando o ladrão;
Então o rei lhe impôs
Que cumprisse uma missão
Pra ficar com a princesa
Dona do seu coração.

XXVI

Teria o moço que ir
À caverna de um gigante,
Que tinha uma cabeleira
Toda de ouro brilhante;
Três fios de seus cabelos
Trouxesse ao rei arrogante.

XXVII

O moço seguiu viagem,
Numa cidade chegou,
Onde o guardião da porta
Para ele perguntou:
- Por que a fonte da praça
Há pouco tempo secou?

XXIII

Disse o moço: - Tudo sei,
Conto-lhe quando voltar;
O guarda lhe respondeu:
- Um camelo vamos dar,
Carregado de ouro puro,
A quem a resposta dar.

XXIX

O moço seguiu adiante
E chegou noutro lugar,
Cujo guardião da cidade
A ele foi perguntar:
- Por que a macieira de ouro
Secou em nosso pomar?

XXX

Disse ele que a resposta
Daria noutra ocasião,
Quando voltasse da viagem,
Após cumprir a missão;
Chegou às margens dum rio,
Viu o barqueiro de plantão.

XXXI

Este foi lhe perguntando
Por que razão ele tinha
Que transportar no seu barco
Toda pessoa que vinha,
Fosse de dia ou de noite,
De manhã ou de tardinha.

XXXII

O moço lhe prometeu
Que a resposta lhe daria,
Quando por ali passasse
De retorno algum dia,
Foi e achou a caverna
Do gigante que dormia.

XXXIII

Na gruta foi recebido
Por uma velha encurvada,
A madrinha do gigante,
Feia bruxa encantada;
Perguntando o que queria,
Deu enorme gargalhada.

XXXIV

- Quero levar ao meu rei,
Mas terá que ser roubados
Dos cabelos do gigante,
Louros e encaracolados,
Três fios de ouro puro
Em sua cabeça guardados.

XXXV

Porém antes de voltar,
Eu quero saber também
Três respostas às perguntas
Que me fizeram além,
Porque sei que a explicação
O gigante as sabe bem.

XXXVI

O moço contou à bruxa
As três interrogações,
E a velha lhe garantiu
Que as daria sem senões,
Do gigante ela obteria
Todas preciosas lições.

XXXVII

Antes, porém, foi dizendo:
- Saiba que sou sua amiga,
Vou lhe fazer um favor,
A ninguém você não diga,
Pois terei que transformá-lo
Numa pequena formiga.

XXXVIII

Imediatamente o moço
Virou formiga saúva,
Formando um formigueiro
Na casa daquela viúva;
Alguns meses se passaram,
Veio a colheita da uva.

XXXIX

O gigante que invernava
Acordou logo em seguida,
Estava com muita fome
E foi pedindo comida,
Sua madrinha serviu-lhe
Um prato de formicida.

XL

Antes, porém, perguntou:
- Sendo você um letrado,
Quero eu saber por que
Três noites tenho sonhado,
Para mim é um mistério
E o quero ver decifrado.

XL

Meu primeiro sonho foi
Com uma praça tão linda,
Cuja fonte se secou
E está tão seca ainda,
Para isso eu quero ter
Uma resposta bem-vinda.

XLI

O segundo sonho meu
Foi com um pé de maçã,
Que dava frutas de ouro,
Mas secou numa manhã
Bem antes que algum nobre
As colhesse com afã.

XLII

Terceiro sonho que tive
Parece mais um feitiço:
Levava gente um barqueiro,
Num eterno compromisso,
De uma margem à outra
Sem gostar desse serviço.

XLIII

O gigante orgulhoso,
Enquanto saboreava
O seu prato delicioso
E, sem saber que estava,
Ingerindo um veneno,
À bruxa respostas dava:

XLIV

- A fonte secou porque
Há um sapo lá sugando
A água toda da mina,
E ninguém está notando,
Mas se alguém o matar,
Voltará ela jorrando.

XLV

Quanto ao pé de maçã,
Um rato rói-lhe a raiz,
Porém se ele for morto,
Voltará o povo feliz
A colher maçãs de ouro,
Digo e ninguém desdiz.

XLVI

O barqueiro é um tolo,
Só que se fosse esperto,
Daria o remo a outro,
Tornar-se-ia um liberto,
Isso é tudo o que digo
E eu sei que estou certo.


XLVII

Dito isso, o gigante,
Fechando os olhos morreu,
Mas a formiga que estava
Escondida, apareceu:
Era o moço que sabia
Tudo quanto aconteceu.

XLVIII

A bruxa lhe deu três fios
Dos cabelos do gigante,
Eram todos de ouro puro,
Cada um o mais brilhante,
E o moço agradecido
Despediu-se e foi adiante.

XLIV

Fez o caminho de volta
E disse para o barqueiro:
- A resposta vou lhe dar,
Porém me leve primeiro
À outra margem do rio,
Digo tudo por inteiro.

L

Na outra margem o moço
Ao barqueiro disse assim:
- Basta dar o remo a outro
Que seu mister terá fim,
Feito isso estará livre,
Muito agradecendo a mim.

LI

Chegou ele na cidade
Onde a macieira morria,
E o guardião o abraçando,
Até chorou de alegria,
Já que uma boa notícia
O moço a todos trazia.

LII

Somente matando o rato
Que de tarde até a manhã
Rói a raiz da macieira,
Pois que este é seu afã,
Para impedir que de ouro
Não mais produza maçã.

LIII

Revelando o segredo,
Um guarda afiou a espada,
Foi e traspassou o rato
Numa tarde ensolarada;
Noutro dia a macieira
Amanheceu floreada.

LIV

Seguindo o itinerário,
Noutra cidade chegou
E o guardião da porta
Sua resposta cobrou,
Querendo saber por que
A bela fonte secou.

LV

Ele disse: - Há um sapo,
Bebendo a todo instante
Toda a água da fonte,
Entretanto, doravante,
Se esse sapo for morto,
Volta a fonte ser jorrante.

LVI

Multidão amotinou-se
Porém houve o mais ligeiro
Da turba ensandecida
Que chegou antes, primeiro;
Costurou boca do sapo
Como faz bom costureiro.

LVII

Novamente a bela fonte
Jorrou águas no jardim,
Que ficou todo florido
De rosas, cravos, jasmim,
Enquanto o pé de ipê
Florescia sem ter fim.

LVIII

Montado em um camelo,
Levando bastante ouro,
Seguiu o moço em frente
Com todo aquele tesouro,
Mas tudo ele entregou
Ao sogro, tirano mouro.

LIX

Interrogou-lhe o Sultão:
- Onde achou essa riqueza?
Ao que o moço respondeu:
- Isso que ponho na mesa,
Eu consegui facilmente,
Tão só por ter esperteza.

LX

Foi nas margens de um rio,
Só que está do outro lado,
Um barqueiro o levará
Ao tesouro encantado,
Porém o que ele oferece
Não pode ser recusado.

LXI

Disse o rei: - Eu vou agora,
Porquanto é o momento,
Prometo que ao voltar,
Com ouro e contentamento,
A minha filha vou dar
Pra você em casamento.

LXII

O Rei foi e não voltou,
Depois explico a razão,
Pois sobre os pais do moço
Devo dar explicação,
Porquanto o casal pobre
Também tinha coração.

LXIII

Na verdade, dois casais
Fazem parte da história,
Um deles gerou o moço,
Só que não teve a glória
De o criar, porquanto o rei
Roubou o filho e memória.

LXIV

Foi um casal de moleiros
Que acolheu o rapaz,
Criaram e o educaram,
Como gente boa faz,
Porém ambos os casais
Eram de amor e paz.

LXV

Mas a saga continuou
Com aquele moço forte:
Trouxe ao castelo os pais
Que o geraram com sorte,
Levou também os moleiros
Que o livraram da morte

LXVI

Vamos ver o que ocorreu
Com o tirano orgulhoso,
Que encontrou o barqueiro
Por ser muito ambicioso,
Entretanto ele obteve
A sorte do ganancioso.

LXVII

Assim que entrou no barco,
O barqueiro lhe entregou
Os dois remos que impunha
E o César não recusou,
Remando com todo orgulho,
Na outra margem chegou.

LXVIII

Quando o rei quis se livrar
Dos remos, achou-se preso,
Enquanto seu genro reina
Com toda justiça, ileso;
O rei ainda é barqueiro,
Transportando o indefeso.

LXIX

A vida é uma lição,
Ai de quem não aprender,
Quem errar o rumo certo
Terá que retroceder,
Para acertar o seu passo
E fazer volta volver.

LXX

Diz a lenda que até hoje
Aquele rei é refém
Dos remos em suas mãos,
Mas não encontra ninguém
Que queira o lugar dele,
Até não sei quando. Amém.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benecosta@yahoo.com.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS




















































































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