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Contos-->O Pedinte e a Auto-Ajuda -- 26/09/2002 - 00:48 (Alessandro Ramos) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
elton Free estava em sua casa na Flórida, onde morava sozinha, na sua posição de solteirona invicta, com os pés esticados sobre a mesinha da sala de estar assistindo à reprise de Barrados no Baile quando tocou sua campainha.

Reclamou para todos os santos por esse infortúnio suceder justo no momento em que uma das atrizes iria declarar seu amor para um dos atores, um momento que desde o mês passado não via naquele seriado, e estava ansiosa para que acontecesse. Mas olhou a figura do bom senhor Jesus Cristo que pendia torto na parede, e pensou não dever ser tão desbocada, lembrando-se de algum salmo.

Abrindo a porta, deparou-se com um homem muito magro, que pedia um copo de água, em meio a gaguejos. Sofia Shelton Free quase mandou Benson Hilton & Johnson ir procurar um raio que o partisse ao meio, e livrasse o mundo de sua existência abominável. Porém, lembrou-se de algumas mensagens eletrônicas que sempre lia em seu microcomputador, narrando estórias de pedintes que eram Jesus disfarçado, ou de médicos muito famosos e ricos, tinha sido assaltados, e famintos, pediam água por vergonha de pedir comida, e nessas crônicas, sempre a generosa ajudante era ricamente compensada.

Mais que depressa, Sofia Shelton Free correu para sua cozinha. Era essa sua chance de sorte, talvez até encontrar um homem rico e glamouroso que a amasse por toda a vida, e não iria desperdiçar tamanha bênção. Pôs numa sacola, frutas frescas, resto do almoço e um pote de sorvete, enquanto o frango empanado era descongelado pelo seu poderoso microondas. Entregou o grande e farto pacote a Benson Hilton & Johnson, que de olhos esbugalhados não encontrava palavras para agradecer, e saltitante, foi ao banquinho da praça fartar-se em tal banquete.

Sofia Shelton Free passou alguns anos esperando ansiosa pela bênção que receberia cedo ou tarde. Lembrava-se que as moças caridosas das estórias virtuais que lia, sempre se esqueciam das graças que haviam feito, apenas lembrando no momento da recompensa.

Porém, Sofia Shelton Free apostou na loteria, e a única vez que acertou, esqueceu o bilhete premiado na calça que havia sido lavada em sua poderosa máquina de lavar roupas. Quando o salto de seu sapato quebrou no meio da rua, o pedinte não correu em finos ternos para socorrê-la. Nem quando estava com o pulmão padecendo devido a tanta nicotina, o pedinte lhe apareceu como um médico agradecido, fazendo um transplante gratuitamente, e Sofia Shelton Free está pagando em pesadas prestações a cirurgia até hoje, pois achou inútil adquirir um plano de saúde. Nem mesmo em suas frias e sombrias noites de insônia se esquecia do pedinte, e esperava pela graça que lhe era merecida.

Lia mensagens virtuais com estórias parecidas, tentando encontrar o ponto exato onde tinha falhado em sua operação de caridade. Não era comum, depois de tantos anos, Jesus ainda não retribuir sua generosidade.

Até que um dia, como há de acontecer, Sofia Shelton Free, em seu preciso microcomputador, abriu uma mensagem eletrônica intitulada "O que você não deve fazer". Na mensagem apareceu a imagem de Jesus Cristo, com suas longas barbas e madeixas, chorando cabisbaixo por algo. Na mensagem continha o seguinte texto:

"Não faças uma boa ação esperando uma recompensa."

Naquele momento, a mente de Sofia Shelton Free abriu-se, e uma luz nela pousou. Sabia onde tinha errado, e sabia por que, depois de tantos anos de ansiosa espera, ainda não tinha recebido sua recompensa. Bufou, chutou seu eficaz microcomputador, atirou contra a parede seu cinzeiro de mármore, e depois de toda sua frustração ter sido extinta, tomou com um sorriso, uma decisão.

- A partir de hoje sou satanista. As coisas virão bem mais facilmente.




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