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Cordel-->UM CAIPIRA NA CIDADE -- 06/06/2008 - 23:16 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
.
UM CAIPIRA NA CIDADE

I

Ele com quatorze anos
E um amigo de dezoito
Que lhe dava um conselho,
Meio aflito e um pouco afoito,
Sem coragem de o encarar:
- Já é tempo de molhar
Seu ressequido biscoito.

II

Vá logo fazer um coito
Nem que seja numa égua,
Busque a fêmea na invernada
Percorra até uma légua,
Depois suba num barranco,
Sob o rabo dê lhe um tranco,
Nela enfie a sua régua.

III

O coitado não deu trégua,
Tamanha era a sua gula,
Botou logo o seu negócio
Na coisa chamada chula,
Mas seu prazer todo foi-se,
Ao tomar um duro coice
De duas pernas de mula.

IV

Desconhecendo a bula,
Ele ficou na saudade
Com aquilo na cabeça,
Buscando a felicidade,
Sem se aproximar de saia,
Domou uma égua baia
E completou sua idade.

V

Toda a dama da cidade
Traz diferença consigo
Da mulher do meu sertão,
Não é à toa que eu digo,
Precisa-se de atenção
Pra não fazer confusão
Como fez o meu amigo.

VI

No caso que eu prossigo,
Contando para vocês,
Duma mulher esquisita
O coitado foi freguês;
Tinha no bolso dinheiro,
Trabalho de empreiteiro,
Recebeu no fim do mês.

VII

Ele era um moço cortês,
Sério não fazia graça,
Levado por maus amigos,
Tomou logo uma cachaça,
Pagou toda a conta certa,
Dizendo – Depois se acerta,
Comigo não há trapaça.

VIII

Foi passear pela praça
E conhecer novidades,
Pensando: “Eu só vejo vacas
Na roça e aqui beldades...
Quero as que estão nas ruas
A requebrar semi-nuas,
Buscando barbaridades".

IX

Ele não levou saudades
Daquela sua aventura,
Voltou para o seu sertão
Com alma ainda mais pura,
Porém, a noite passou
Com a bela que encontrou,
Requebrando a cintura.

X

O que é bom pouco dura
E o mal acaba também,
Porquanto aquele caboclo
Encontrou logo ali, além,
O que tanto procurava
E depressa ele já estava,
Fazendo um vai e vem.

XI

No apartamento do bem
Que laçou seu coração,
O caboclo na cidade
Tentou ser um cidadão,
Deitou na cama daquela
Que lhe foi falsa donzela,
Belo "gay" de sapatão.

XII

Ele, um homem do sertão,
Foi direto ao dormitório
E, achando esquisito,
Fez um interrogatório:
- Será que eu sou um réu
E vou sem ganhar o céu
Direto pro purgatório?

{Como diz o "bão minero": Será que num dá pra nóis dois fazê
de gosto aqui ligerinho argum reveistréis?}

XIII

Era chique e mui finório
O apartamento do bicha
E o caboclo assentou-se,
Sequer sonhando com rixa;
Foi dizendo meio tonto:
- Eu aqui já estou pronto,
Mas você é meio mixa.

XIV

- Se este mundo se lixa
Para mim pouco importa;
Você é um prisioneiro
Atrás desta bela porta;
Examine-me primeiro,
Antes me dê o dinheiro
Pague o que lhe conforta!

XV

Falou o viado e a torta
Veio na bandeja com jarra
De vinho tinto do Porto,
Querendo iniciar a farra;
Encheu a taça do moço
E enlaçou-lhe o pescoço,
Abraçando-o na marra.

XVI

O peão agüentou a barra,
Ali sentado sem rumo,
Tirou a faca da bainha
E pôs-se a picar o fumo
Dizendo: - Acho esquisito!
Você pula igual cabrito
Mas é galinha no prumo.

XVII

- Quero de você o sumo
Para ter felicidade...
Disse o cabra ou a cobra
Escondendo a maldade;
Porém aquele caboclo,
Retrucou-lhe com um soco:
- Você é puta da cidade.

XVIII

Não tinha ele maldade,
Pois com vinte e um anos
Jamais conheceu mulher
Nos detalhes mais humanos;
Na esquina viu uma loura,
Disse a ela: - Que tesoura,
Eu vou lhe cortar os panos.

XIX

Mulher-macho entre urbanos
Tem o seu comportamento,
Mas se é um Peão da roça,
É outro o departamento;
Disse o bicha com carinho:
- Venha visitar-me benzinho
Meu luxuoso apartamento.

XX

Não duvidou um momento
O caboclo tão simplório
E achegou-se ao travesti,
Com seu jeito e palavrório;
Foram os dois abraçados
Aos tropeços, braços dados,
Pedro Peão e o Gregório.

XXI

O Peão Pedro inglório
Que vinha lá do sertão,
Sentiu algo endurecer
Debaixo do seu calção...
Seu pássaro aprisionado,
Que vivia engaiolado,
Voou da porta e portão.

XXII

Rolavam os dois no chão,
O viado e o campeiro,
Mas não sabia o peão
Ser macho o companheiro;
Pega em cima, toca em baixo,
De repente um mucho cacho
Enche-lhe a mão por inteiro.

XXIII

O peão soltou primeiro,
Depois o cara explicou
Que não é tão bem assim
O que a vida lhe ensinou:
- Eu estava na esquina,
Mas não sou uma menina,
Você nem desconfiou.

XXIV

- Se assim é, já não estou,
Devolva o meu dinheiro,
Quero a carteira de volta,
Você é um trapaceiro;
Eu achei que era mulher,
Mas se é homem você quer
O meu relho por inteiro.

XXV

Dou-lhe uma sova primeiro,
Em seguida eu me vou;
Com o meu relho trançado
Faço-lhe o que desejou:
Eu enfio no seu rabo
Deste relho o grosso cabo,
Aquilo que lhe faltou.

XXVI

Depois que o peão falou,
Sua ação foi num instante:
Pegou o cabo do relho
E fez gemer seu amante...
Depois da guasca de sobra,
Brotou uma flor de abóbora
Na bunda do "gay" farsante.

XXVII

Galopando sempre avante,
Tirou do bolso um cigarro,
Feito de fumo de corda,
Palha de milho no amarro,
Riscou um fósforo na hora,
O cheiro foi para aurora,
Tossiu, cuspiu um catarro.

XXVIII

Por uma estrada de barro,
Seguiu de madrugadinha,
Montado em seu burro preto,
Do mesmo jeito que vinha;
Chegando no amanhecer,
No rancho que o viu nascer,
Lá abraçou sua mãezinha.

XXIX

Saudando a sorte que tinha,
Bradou ele num arranco:
- Eu me apeio deste burro
Que me trouxe aqui no tranco,
Doravante não dou trégua
Pra minha ruzia égua
Encostada no barranco.

XXX

Mestiço, preto e branco,
Sem sequer ser coronel,
Sou um campeão da enxada
Em terras de leite e mel,
Fenômeno está em baixa,
Comigo somente encaixa
Mulher donzela e fiel.

BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS

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