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Cronicas-->A Carta -- 24/08/2003 - 18:28 (A. Vicente) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
----- Original Message -----
From: "Paulo Salles"
To: "Fernanda PLC"
Sent: Saturday, September 25, 2023 16:45 PM
Subject: A carta

Oi, menina;

Sou eu, o Paulo. Quantos anos, né? O tempo passou a a gente foi se esquecendo. Mas acho que você a inda lembra de algumas coisas da gente. Redecobri você por acaso, graças a uma pesquisa e ao santo google.

O fato é que eu fiz uma carta. Era pra você ler, mais ninguém. Faz tanto tempo isso. Tanto tempo que, pra você ter idéia, era uma daquelas que a gente ainda fazia sem ajuda do computador. Com papel pautado, letra bonita treinada pelo caderno de caligrafia e selinho carimbado dos correios. Mas daí veio o tal de e-mail e matou a maioria dessas cartas que tinham alma.

Achava coisa de gente importante receber da mão do carteiro correspondências fora da época do natal. Dava gosto pegar naquele envelope com as bordas verde e amarela. Dava pra sentir a letra da pessoa e ter a certeza que ela era de carne e osso. Você sabe que sou real, mas vai acabar lendo esta mensagem em Arial 10 itálico. Isso se seu programa de correio aceitar formatação de texto. Bem que eu poderia te mandar uma carta de verdade, pra mudar a rotina das malas-diretas que você recebe. Mas a preguiça e a comodidade da vida moderna são mais fortes do que eu.

Espera um pouco, melhor contar logo da carta que escrevi anos atrás. Ela está aqui na minha mão. Papel amarelado, verdade. Mas ainda dá pra ler com clareza minha letra arredondada feita com alguma Bic azul. Duas folhas,acredita? Logo eu que sou tão sintético, monossilábico e blá blá blá. É, moça. O que você não fazia como naquela época, heim, heim? É estranho lembrar daquele sentimento tanto tempo depois. Deu saudade agora. Coisas de meninotes de vinte e poucos anos que sempre usam o emocional mais que qualquer lógica. Mas lembro muito bem que faltou te falar uma coisa. Lembro que não tive coragem. Foi por isso mesmo que fiz essa carta do papel amarelado. Engraçado, porque éramos muito íntimos naqueles dias e eu simplesmente travava toda vez que ia abrir a boa pra dizer isso.

Será que isso que vou te contar agora vai adiantar alguma coisa? Porque mudar alguma coisa sei que não vai. Soube que você casou, descansou e está toda prosa com seu emprego novo aí na universidade. E logo você que dizia nem saber se conseguiria comprar um apartamento algum dia na vida. Quanta besteira né, moça? Quanto a mim continuo na minha. Vivendo a vida e dando uma mãozinha ao destino de vez em quando.

Mas vou parando com isso antes que esqueça de uma vez por todas o que tem nessa carta escrita anos atrás que você acabou não lendo. Talvez você até percebesse, mas não sei ao certo. O fato é que eu... Xiii, a campainha está tocando. Deve ser as crianças que chegaram do cinema. Vou ter que dar uma saída agora pra casa da minha mãe. Qualquer hora te escrevo de novo.

Beijos

Paulo


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