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Cordel-->O DITO PELO NÃO DITO -- 12/10/2008 - 17:08 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O DITO PELO NÃO DITO





Ouvi dizer de um poeta,


Cordelista muito esperto,


Que escreve em linha reta,


Mas embora esteja perto


Faz de conta que está longe,


E seu silêncio de monge


Leva a crer que ele está certo.





Seu poema é um deserto


De amplitude vazia,


Deixando sempre aberto


A todos, por cortesia,


Uma nova inspiração


A surgir do coração


Para toda a freguesia.





Tem ele a fantasia


De imaginar o insólito


Para nossa poesia;


É portanto um acólito


De nós todos cordelistas,


Que lhe seguimos as pistas


De seu inspirar monólito.





Sendo eu poeta rizólito,


Só tenho a lhe agradecer


Por esse seu atuar sólito,


No qual posso me embeber


Os motes de meus escritos


Que, mesmo não favoritos,


Distraem a quem os ler.





Sei que a arte de escrever


Requer, além de pesquisa,


Também muito ouvir e ver


Para marcar a divisa


Sobre os muitos demarcados


Limítrofes insondados


Entre o ser e o não ser.





Não julgo e não vou dizer


Se esse poeta mudo


Quer fazer ou desfazer,


Mas se é surdo, ouve tudo


E sabe bem transmitir,


Mesmo que sem redigir,


Todo o seu conteúdo.





Ele é culto e, sobretudo,


É leitor de todos nós,


Sua pena de veludo


Não escreve, mas tem voz,


Diz muito sem falar nada;


Esse nosso camarada


É amigo e não algoz.





Não é animal feroz,


Mas cordeiro transvestido


De lobo muito veloz,


Por isso ele é temido,


Porém esse seu uivar,


Que ninguém pode escutar,


É em prol do oprimido.





Não deixemos esquecido


Esse poeta eloqüente,


Pois que ouve e é ouvido


Pelo prosador vidente;


De minha parte eu digo


A esse secreto amigo


Um obrigado somente.





Tão pura e simplesmente,


É dever homenagear


O poeta inteligente


Que não gosta de falar,


Mas exalta nossos dons,


Mostrando que somos bons


Na arte de cordelar.





Não quer se identificar,


Nem se apresenta de frente,


Um urutau a gorjear


Canta escondido da gente,


Mas não é gato no escuro,


Nem cahorro atrás do muro,


Tampouco é uma serpente.





Alegria permanente


Começa sempre assim:


Vai do incrédulo ao crente,


De Abel até Caim,


Da cozinha vai pra sala,


Porque o mudo também fala,


Quem é surdo ouve, enfim.





Há quem discorde de mim,


Porém isso é normal,


Todo começo tem fim


E cada bem tem seu mal;


Na dualidade da vida,


A morte vem em seguida


Num processo natural.





BENEDITO GENEROSO DA COSTA


benegcosta@yahoo.com.br


DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS






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