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Cronicas-->Crónica de José Luiz Dutra de Toledo -- 05/11/2003 - 16:44 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
"Time is money or time is life? Stake in Slot-machine Estoril´s.

José Luiz Dutra de Toledo (*)

Há vinte anos, na paulistana Vila Mariana, um astrólogo, ao compor o meu mapa astral, me disse que nesta minha vida eu teria de arrastar três cruzes: uma seria o meu pai (que já foi); a segunda seria a minha mãe e a terceira seria eu mesmo. Três cruzes, três apitos, 3!... O culto idiota às personalidades dos poderosos me enoja e me dá condições de antever o sombrio futuro que temos pela frente. Senti asco diante da embriaguez alcoólica e demagógica patrocinada em espaço público por um poder público há poucos dias!... Os publicitários ridicularizam os códigos de ética ao incitarem adolescentes à embriaguez por bebidas alcoólicas. Exibem "bermudão de surfista" e gritam: - "Experimenta!... Experimenta!..."

Enquanto isso, os traficantes colombianos e brasileiros tomam conta do que restou. Vivemos (um ano depois das eleições) cada vez mais precariamente e sob o tacão de governantes ressentidos, vingativos e fominhas a dizerem que tudo está sob controle (como outrora já diziam: "O Brasil vai bem mas o povo vai mal"). Nunca fui, não sou e nunca serei um petista (mas já votei inúmeras vezes em candidatos do PT). Mea culpa!... Muitos dos meus motivos e justificativas para tal incompatibilidade com os líderes e chefes do Partido dos Trabalhadores são de natureza político-ideológica, sócio-económicas e intersubjetivas. Muito antes de fundarem o partido que hoje ocupa os palácios de Brasília e de vários estados, vários dos seus atuais líderes militavam comigo no movimento estudantil, em movimentos sociais urbanos (nas periferias de Porto Alegre/RS e de Juiz de Fora/MG) e n´outros movimentos sociais no sertão bahiano (populações relocadas no sertão bahiano para a construção da eclusa de Sobradinho/CHESF _ 1979) e em movimentos de "minorias" em São Paulo/SP. Em 1974, como o meu nome estivesse cotado para compor a chapa da "esquerda" para o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora, algumas figuras proto_petistas vieram com a tese "do respaldo familiar" pela qual só os filhos de papai (teoricamente "inatingíveis" pelos braços truculentos da repressão ditatorial de então) deveriam ser incluídos nas chapas do movimento estudantil juizdeforano. Assim, eu ficava fora, visto que eu descendia da "aristocracia decadente" de Tabuleiro- MG. Desde o seu nascedouro o PT já apresentava características de uma agremiação política de "classe média" ou da elite operária do ABC paulista, de profissionais liberais corporativistas e da volúvel e volátil "pequena burguesia" radicalizada e ancestral da pouco letrada e voluntarista geração "bicho grilo" ou "poncho e conga". Com esse caldo sócio-económico e cultural e a partir do mandato do general João Figueiredo (1979/ 1984), as esquerdas que hoje nos governam (ou nos desgovernam) passaram a estar maciçamente hegemónicas nos departamentos das universidades públicas e particulares.

Foi aí que mais amplamente fizeram a cabeça da "moçada" classe média que hoje engrossa as fileiras dos partidos governistas no Brasil do início do século XXI. Ontem, na internet, li que Lula é o líder mais "confiável" para as "elites" (?) latino_americanas. Até aí nenhuma novidade, claro!... Em décadas de lutas para chegar ao poder, o partido dos então sindicalistas do ABC paulista acumulou ressentimentos, mágoas e angariou apoios entre remanescentes de oligarquias decadentes de várias regiões do Brasil, colecionando fracassos e ódios ou conhecendo as dicas repassadas por "arapongas" estrategicamente situados na Esplanada dos Ministérios.

Desfazendo memórias e tradições (tidas como "inventadas") e obscurecendo nomes e lideranças históricas e memoráveis (como Carlos Lacerda, Milton Campos, Mário Quintana, Càmara Cascudo, Gilberto Freyre, José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro II, Virgílio de Mello Franco e outros) até finalmente conquistar o poder pelo voto livre e direto, o que não ocorre em Cuba, país sob o jugo ditatorial do aliado e amigo Fidel Castro.

PERCEPÇÕES MALDITAS E INÉDITAS.

Quanto mais a humanidade convive com o HIV e com outros vírus (inclusive com os vírus de computadores), aumenta notavelmente a nossa virulência. Melodramático o cartaz que li numa parede de posto de saúde: "Alguns só amam o poder e só alguns poucos têm o poder de amar." _ Bob Marley. Gargalhada geral. "Onde a justiça é pouca é um perigo estar com a razão." - frase de Francisco Quevedo pinçada da folhinha do Sagrado Coração de Jesus. Em vez de termos um presidente botocudo, só temos um presidente bocudo. Que miséria filosófica!... Cantava Nora Ney:"_Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de "meu amor""!... À mesma época da Fera da Penha se cantava:"_Louco/ pelas ruas ele andava/ o coitado chorava/ parecia até um vagabundo/ Louco!.../ para ele a vida não valia nada/ para ele a mulher amada/ era / o seu mundo!..." Bem antes deste sucesso musical (do início dos anos 60 do século XX), Noel Rosa cantou: "_O orvalho vem caindo/ vem molhar o meu chapéu/ e também já vão sumindo/ as estrelas lá no céu/ tenho passado tão mal/ a minha cama é uma folha de jornal/ meu cortinado é um vasto céu de anil/ e o meu despertador é um guarda civil/ que o salário ainda não viu!... O orvalho vem caindo..." Mais tarde, Ismael Silva já mandava o seu recado:"_Covarde sei que me podem chamar/ é que trago no peito uma dor/ atire a primeira pedra, ai ai ai / aquele que não sofreu por amor!..." E Noel Rosa, ainda antes da ditadura getulista já cantava: "_Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do céu! Que palpite infeliz!..."

PREÂMBULO PARA UMA ZOO_ANTROPOLOGIA POLíTICA DA HISTÓRIA OCIDENTAL.

Desde 1940 Horkheimer já propunha novas formulações para a teoria crítica marxista. Horkheimer e T. Adorno, desde então, já conceituavam a "racionalidade" como procedimento de adaptação à realidade com a função de conformar-nos diante da dominação vigente. Um processo de esclarecimento autodestrutivo. No "capitalismo administrado" a possibilidade do exercício crítico torna-se extremamente precária. Para J. Habermas (há pouco premiado na Espanha junto com Lula), as formulações originais de K. Marx têm de ser abandonadas. A "racionalidade instrumental" não deve ser demonizada mas é preciso impor-lhe freios. A socialização não tem sido mais que um aprendizado reprodutor da cultura vigente no qual são operados arranjos e combinações constituintes da personalidade. Aprendizado com vivências descontínuas, interrompidas, encobertas e com potencialidades abafadas. A lógica da reprodução é a lógica do conservadorismo (à esquerda ou à direita): a tentativa de se projetar no tempo eternizando_se ou marcando_o com as nossas "identidades" e ideologias!... Nossa emancipação política não ocorrerá ao longo de quedas e de colapsos sistêmicos (internos ou externos), nem com a tendência de minguar ou implodir taxas de lucros ou com uma consistente organização do proletariado que se contraponha com eficácia à dominação do capital: todas essas perspectivas foram historicamente neutralizadas há muito tempo. É necessário repensarmos o próprio sentido de "emancipação da sociedade". Dualismo não é dialética.

Os dualismos têm sido ambíguos, ideológicos, polissêmicos ou mecanicistas quando não apenas simplórios. Os conflitos sociais mais profundos emergem das assimetrias e das intersecções das subjetividades nas estruturas simbólicas da comunicação delineadora das identidades individuais e coletivas. Aí ocorre aquilo que Hegel chamou de "luta por reconhecimento". A base da interação é o conflito. A gramática moral dos conflitos sociais. Confira em : HONNETH, Axel _ Luta por reconhecimento - São Paulo - Editora 34 - 2003 - página 17. Conflitos que se originam de uma experiência de desrespeito social e político, de um ataque à identidade pessoal ou coletiva, capazes de suscitar ações que busquem a restauração de relações de reconhecimento mútuo, podem constituir uma força moral que impulsione o desenvolvimento social. As esferas emocionais permitem ao indivíduo uma confiança em si mesmo (indispensável nos projetos de auto-realização pessoal) e as esferas sociais (da estima social) passam pela demanda por esferas jurídico_morais pelas quais a pessoa é reconhecida como autónoma e moralmente considerável, desenvolvendo assim as diversas formas de auto_respeito e auto_aceitação. A privação de direitos e a degradação das formas ou qualidade de vida (nas esferas da estima social e do jurídico_simbólico) deflagrariam e suscitariam conflitos sociais e os movimentos das "minorias" étnicas, femininas, religiosas e homossexuais.

Lutas moralmente motivadas. Por amor, direitos e estima!... Assim a lógica moral dos conflitos sociais aflora ou salta à vista. Conflitos sócio_morais não diretamente motivados pela luta por auto_conservação mas, sim, por lesões desrespeitosas nas relações sociais de reconhecimento (que Hegel classificou como meio central de um processo de formação ética do espírito humano). Maquiavel se referia muito às contraposições inter_individuais em permanentes concorrências de interesses (não diferentes das que ocorrem nas coletividades políticas). A base da teoria de Thomas Hobbes de "contrato social" (fundamento da soberania do Estado) é calcada e motivada pela "luta por auto_conservação". A Ciência Política se pretende também uma "doutrina da vida boa e justa", arvora-se a codificar e a estipular o que seria um "mundo melhor" e o "bem estar social". Maquiavel rompe com as tradições filosóficas ao emitir o seu conceito de homem como um "ser egocêntrico" atento somente ao proveito próprio. Uma permanente concorrência hostil inter_subjetiva está no cerne, no núcleo gerador da ontologia social. Prenúncios modernos da teoria do "darwinismo social"?

Ambições incessantes e generosamente "solidárias" estão por ser desmascaradas. Estratégias continuamente renovadas e orientadas para o êxito disseminam descrenças, tramas e desconfianças. Teorias das Conspirações Maldosas!... Ações bem sucedidas por poder suscitam receios e incertezas sucessivas e desnorteantes. Maquiavel já mostrava isso há quase 500 anos!... Em observações aguçadas do cotidiano e na verificação do empenho na busca do bem estar futuro!... Complexas e conflituosas percepções da aurora renascentista da moderna teoria geral de "contrato social" e de Estado. O poder no nascedouro das suspeitas, estranhezas impenetráveis e tentativas de se evitar futuras investidas ou ataques do "outro". Uma autêntica guerra de todos contra todos suscita as propostas políticas de Thomas Hobbes 120 anos após as teses de N. Maquiavel. O Leviatã de Hobbes é outro monstro, um super_monstro que, reiteradamente, tenta impedir o conflito iminente. Premissas atomísticas da sociologia política (e seus déficits sociológicos) complexificam nossos vislumbres, projetos e perspectivas éticas e estéticas nos levando a auto_repressões, auto_censuras, auto_cesuras, bases instáveis e inseguras para incertas e duvidosas socializações humanas, o que vem inviabilizando um estado de unificação moral e ética ou estatutária do "humano". O "outro" é o "estranho", o "inferno", o "temível". O ovo da serpente!... Muitos associados justapostos e se entreolhando. Indivíduos isolados, marginalizados e ameaçados ou ameaçadores!... (1 de Novembro de 2003 - Dia de Todos os Santos).

(*) José Luiz Dutra de Toledo, 51 anos e 11 meses; historiador, professor e escritor aposentado por invalidez; Prêmio Clio_1992 da Academia Paulistana da História e , desde Março de 1990, Mestre em História pela UNESP-Franca/SP; palestrante em Lisboa e Porto em Janeiro de 2000 onde falou sobre a presença homossexual na história e na literatura brasileiras. Amigo das plantas e dos animais. Está doando mudas de romãzeiras."



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