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Cronicas-->Crepúsculo de Identidade -- 16/11/2003 - 14:55 (André Luiz Rodrigues Marinho) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Crepúsculo de Identidade

Ele estava só. No momento estava rodeado de pessoas, de amigos, de histórias, relatos... Mas estava só, como sempre. Sempre foi só. Nas ruas ele passeava no vazio, contemplava a beleza do silêncio, o barulho do vento, mesmo dentro da cidade barulhenta e vibrante. Sua companheira era vida, e ele nutria muita esperança por ela. Contudo, o vazio ascende, progride, explode. E ele não podia fazer nada, pois estava só, como sempre. Ele sempre foi só.
O que queria ele, afinal? Quando estava acompanhado, sentia-se só. Quando estava só, sentia-se mais só. Cada vez mais só. Talvez ele soubesse como ninguém o que é ser só. Sua solidão era, muitas vezes, imperceptível. Outras vezes, provocava desconfiança, mas nunca se mostrava por inteiro. Ainda que só, ele gostava de estar acompanhado. Mesmo que não acreditasse nisso.
Mas, o que é estar acompanhado? É ter apenas alguém do seu lado? Ou seria alguém pra você? Que infantil este sentimento de posse... mas ele não queria possuir ninguém, ele queria amar alguém, apenas amar. Somente amar. Só.
Ninguém aparecia, ninguém queria, ninguém nem fugia. Como não tinha ninguém, então? O vazio sempre pairava e sua vida era um paradoxo constante, com os lados sempre se opondo, na solidão e individualidade de cada um - ainda que coexistissem.
Havia dias em que ele estava confiante.
Havia dias em que estava desacreditado.
Havia dias em que não sentia mais nada.
Em todos estes dias ele estava só. Só e egoísta, por não perceber as pessoas que o cercavam. Mas ele queria mais que isso. Ele queria alguém, alguém que gostasse dele. E ao mesmo tempo, ele não sabia o que é gostar. Não sabia qual era a impressão que causava nos outros. Perfeição? Máscara? Ele não sabia, era ignorante de suas faces, mesmo que hipoteticamente fosse um artista em potencial: Inútil. Ele era apenas ele, tentava ser ele, naturalmente ele. O que as pessoas viam - ou imaginavam - não lhe dizia respeito, pois essa personalidade não era por ele moldada.
Tanta curiosidade sua solidão despertava... Ao ponto de quererem saber o porquê. Ora, nem ele o sabia! Mas toda sua aura de mistério intrigava... Talvez provocasse sensações, delírios - que ele não conhecia. E as pessoas, reluzentes, teimavam, opinavam, palpitavam, discutiam, sugeriam... mas não faziam, não ajudavam, não ouviam. E ele só. Compreensivo, mas só, crepuscularmente só.
Os portais esotéricos do firmamento se abrem e anunciam um período de mudanças, que atinge a todos, menos a ele. Para ele as dúvidas pairam, indagam e ele não mais as suporta. Quer se libertar delas, da visão idiota que as pessoas têm sobre ele.
Ele não sabe o que diz, não sabe quando falar, não sabe quando (e como) agir, não sabe quando sumir. A única coisa que sabe de si mesmo é que é forte. Para ele mesmo ele é especial. A única certeza que ele tem é que quer fazer parte das mudanças, que não sabe de nada da vida (ou sabe de tudo), mas está disposto a aprender. E este aprendizado ele não pode obter sozinho - está consciente disso. Mas a força para tal feito ele não quer que venha de qualquer pessoa. Ele quer a força portal, a força do destino, a força do Tempo. E a esperança é o combustível de sua vida.
O que ele realmente quer é ser amado por alguém. Se apaixonar por alguém. Amar alguém. Apenas amar, com toda sua insegurança e egoísmo pueris, mas simplesmente amar. Somente amar. Só.


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