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Cordel-->A SALVAÇÃO DE SATANÁS -- 03/02/2011 - 16:31 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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A SALVAÇÃO DE SATANÁS


PRÓLOGO

I

Descia o Diabo a estrada
De Roma a Jerusalém
Montado num jegue preto
Vinha de longe, do além,
Deixando em sua rabeira
Muita treva e poeira
A quem atrás sempre vem.

II

Com a cara de desdém
Achava-se o rei do mundo
Que ele sempre percorre
Muito elegante ou imundo
Aprontando alguma farsa,
Porque sempre se disfarça
Em nobre ou vagabundo.

III

Inteligente e profundo
Sua maior tentação
É passar despercebido
Para ganhar o cristão
Ou qualquer desavisado,
Crente ou ateu declarado
Professe ou não religião.

IV

Satã é um espertalhão
No seu Império do Mal
Negar a sua existência
É grande engano fatal,
Pois que tendo indiferença
Por esta ou aquela crença
O seu reino é Universal.

V

Meditando tal e qual
Na sua via-sacra luzente,
Lúcifer pregava a espora
No jumento cruelmente
Porque naquela corrida
Disputava a morte e a vida
Do culpado ou inocente

VI

Porém eis que de repente
Ele ouviu cantar o galo,
Pedro negando a Jesus
Recordou com forte abalo,
Gritou dando um gemido
E com seu peito ferido
Caiu dentro de um valo.

VII

São Jorge no seu cavalo,
Guerreiro à Lua cativo,
Do céu lançou sua espada
Que fez curva e foi um crivo
No coração do Daninho,
Este à margem do caminho
Ficou meio morto-vivo.


O PASTOR PAULO

I

Depois de estudar o Livro
Que narra a grande peleja
Do Bem contra o Mal,
Ninguém o inferno deseja,
Sonha o céu das aventuras,
Dá glória a Deus nas alturas
Na Terra Bendito o seja.

II

Um Pastor de certa Igreja,
Há muitos anos atrás,
Declarou guerra ferrenha
Jurando ser pertinaz
No combate ao Inimigo
Para expulsá-lo do abrigo
Que no infeliz ele faz.

III

Sabe-se que Satanás
Nunca dorme e tenta tanto
Que hoje leva ao Inferno
Até quem ontem foi santo,
Diz Santo Agostinho a nós
Que o Diabo é um cão feroz,
Mas amarrado num canto.

IV

Não devemos, entretanto,
Aproximarmos do Cão
Porque muito embora preso
Tem Ele um raio de ação
E quem chega perto dele
Perde logo para ele
Sua alma e seu coração.

V

Bem por isso a Religião
Ao Diabo declara guerra,
Tanto que seu nome infame
Pelos confins desta Terra
É bastante propagado
Sem ser jamais apagado
Por quem o teme e se ferra.

VI

Pastor Paulo que não erra,
Porquanto age em segredo
Até intitulou-se bispo,
Pois de Satã não tem medo
Programou para a família
As três noites de vigília
No alto de um rochedo.

VII

Saiu o bispo mais cedo
Divulgando a campanha,
Era um novo show da fé
No alto duma montanha
Onde haveria curas
E em noites tão escuras
Faria Cristo uma façanha.

VIII

Uma decepção tamanha
Teve o bispo de amargar,
Quando à beira do caminho
Viu um sujeito a sangrar,
Porquanto estava ferido
E o seu choro e gemido
Fê-lo na estrada parar.

IX

Não precisa madrugar
Para encontrar o Diabo,
Basta proferir seu nome
Que logo aparece o rabo,
Mas o bispo no seu zelo
Pensou: “Se não socorrê-lo
A morte vai lhe dar cabo”.

XI

“Minha missão não acabo
Se não tiver lealdade
O meu rebanho me espera
Sem tempo pra caridade,
Meu dever é prosseguir
Até todo mundo ouvir
A palavra da Verdade”.

XII

Gritou na sua humildade
O pobre Diabo indefeso:
“Socorre-me missionário
E liberta mais um preso,
Tira-me desses escombros
Carrega-me em teus ombros
Que serei um leve peso”.

XIII

“Tu não ficarás ileso
Sem salvares minha vida,
Já que o Anjo do Senhor
Causou-me séria ferida
Com sua espada de fogo,
Mas não estou fora do jogo
Ganhemos esta partida.”

XIV

Voltou o bispo em seguida
Com ares caritativos,
Pois ouviu falar em ganhos
Pensando nos donativos:
“Quem és tu, pergunto eu,
Por mim o Cristo morreu
E estou salvo entre os vivos”.

XV

“Sou Satã entre os cativos
Tu és primeiro ministro”,
Disse Lúcifer ferido
Para o espantado bispo...
“Tua Igreja só prospera,
Pois que ela me considera
Maior do que Jesus Cristo”.

XVI

“Deus me livre ouvindo isto
Morra à míngua Satanás,
Não terei mais tentação
Gozarei de santa paz,
Deixo-te aí na sarjeta
Mendigando uma gorjeta
Pra quem caridade faz.”

XVII

Gritou o Diabo: “Volta atrás
Tenho contigo um negócio
E tu sabes que este mundo
Jamais progride no ócio,
Todo crente dá esmola
Pondo moedas na sacola
Só porque eu sou teu sócio”.

XVIII

“Salvar Satanás não posso,
Pois que é contrário à fé,
Eu desejo é que tu morras”
Disse o bispo ali de pé
E foi virando as costas,
Mas esperando propostas
Para algum jogo ou café.

XIX

Satã não arredou pé
E gemeu estremecido:
“Vou morrer abandonado
Sem ser mesmo socorrido
Por quem prega a verdade,
Mas por não ter caridade
Deixa-me aqui desvalido.”

XX

O bispo mui comovido
Voltou-se e o inquiriu:
“O que eu ganho ao curar
Alguém que ninguém não viu?”
Disse o Diabo: “Me perdoe
O meu nome sempre foi
Mais que o de Deus se ouviu.”

XXI

Falou o bispo e sorriu:
“Jamais eu pensara nisto,
De fato na minha igreja
Não se fala muito em Cristo,
Pois Ele não incomoda,
Mas o Diabo está na moda
É um maldito benquisto”.

XXII

Retrucou Satã: “Insisto
Que tu tens só a perder,
Ninguém irá à tua igreja
Se me deixares morrer,
O povo perderá o medo
E mais tarde ou mais cedo
Vai o bispo empobrecer.”


EPÍLOGO

I

Num belo entardecer,
Aquele bispo afamado
Foi encontrar seu rebanho
Na montanha acampado,
As perguntas sem respostas
Levava nas suas costas
Num fardo muito pesado.

II

Desfaleceu mui cansado
E se ajoelhou no chão,
Mas foi logo amparado
Por um antigo Ancião
Prestativo e sorridente,
Que aquela pobre gente
Nunca vira até então.

III

Logo após a comunhão
Achou-se eleito e escolhido,
Pastor Paulo ungido bispo
Pregou ao povo oprimido,
Tão espoliado e cativo:
“O Diabo está vivo e ativo
Cá neste mundo perdido.”

IV

Houve clamor e alarido
E o povo com fé e ardor
Entoou “CASTELO FORTE”
O hino do reformador,
Muita gente desmaiava,
Ali um Poder operava
Curando os males da dor.

V

Com todo afinco e fervor
Obreiros de prontidão
Amparavam os caídos
Prostrados em convulsão,
Bradando: “Sai Satanás,
Deixa nosso irmão em paz
Pai do engano e confusão!”

VI

Segurando um sacolão,
Foi-se o bispo milagreiro,
Pois já tinha compromisso
Lá longe no estrangeiro...
Voou em missão-viagem
Carregando na bagagem
Um malote de dinheiro.

VII

Até quando o cordeiro,
Manso em seu itinerário,
Será banquete do lobo
Só sabe o mercenário
Que, fingindo ser pastor,
Deixa o aprisco ao sabor
De um voraz Adversário.


BENEDITO GENEROSO DA COSTA
benegcosta@yahoo.com.br
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS

 

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