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cronicas-->Da Confluência -- 06/12/2003 - 00:54 (André Luiz Rodrigues Marinho) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Da Confluência

As Musas tocavam trombetas, arpas, sinos. O Sol reluzia e esbranquiçava o ambiente. O Amor irradiava a vermelhidão de sua intensidade. Um doce beijo coroava a cena e borboletas coloridas contornavam a paisagem.
Tudo era sonho, mito, simbólico, irreal. A Razão me dizia isso. Mas toda a composição artística me provava o contrário. Eram tantas matizes, tantas expressões tantos sentimentos que me eram despertados...
O azul era tão misterioso, ocultivo. Escondia uma lira ressoante, de cordas pomposas, de som inaudível. O vermelho, como disse antes, era intenso, bonito e completamente Erótico. O verde me lembrava terra, de onde brotam os homens, de onde vem a vida. O amarelo, branco, dourado, ofuscante, apolínico, era o centro, e irradiava luz para todas as outras cores. Ou mais que isso, era a confluência dessas cores.
Confluência de cores, de luzes e sombras. Tudo era tão perfeito. Perfeito diagrama, perfeito ciclo, perfeitas idéias, perfeita imagem. Imagem convidativa, onde as Musas me guiavam para o momento, o momento que por elas era anunciado - e eu não sabia qual era.
Ao fundo externo, havia um piano. O deslizar das teclas me faziam inventar o som melódico das cordas vibrantes da peça, que me convidavam. Vozes ecoavam no ambiente e me preenchiam, também. Vozes, piano, cores, imagem. E me vejo frente ao quadro, magnífico e magnànimo, que me convidava a entrar por ele adentro - o que na realidade é impossível.
Mas eu queria fazer esta viagem. Queria tatear o verde, mergulhar no azul, me deliciar com o vermelho, me queimar com o amarelo. Eu só tinha uma forma: As teclas e as vozes eram minha chave. E me guiavam. Aceitei o convite.
Entrei no carro da partitura e me dirigi às liras. Conheci as terras e o homem, descobri as águas, abracei as Musas e brindei Apolo com sua clave musical.
A partir de então, a estática se tornou movimento, pude perceber os ventos sobre os cabelos sombrios, o movimento do azul impetuoso, os lábios vermelhos se refletindo, um sorriso brotando da Luz. A vida se mostrava pra mim pela figura, pelo mito, pelo quadro.
Quando as notas não mais ressoam no recinto, minha viagem termina e saio da exposição. A figura volta à sua forma inerte, acinética. Tudo volta a ficar em silêncio.
Mas mesmo no silêncio, eu sinto a força de Gaia e penso novamente nas Musas, na imagem, convidativa. Isso só me faz compreender que a viagem, fantástica, só acontece com a união de elementos, união de verde, azul, vermelho e amarelo, de luz e de sombra. União de música, letras e pintura. União de arte e de alma.
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