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Cronicas-->Vocação para o atraso -- 16/12/2003 - 10:30 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
"Vocação para o atraso

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA (*)

Temos tudo para ser um grande país mas continuamos um país grande. De nada adiantam nossas riquezas naturais, nossa extensão territorial, nosso clima excepcional, a manutenção de nossa unidade nacional se nossos governantes conservam a vocação para o atraso e todos nós somos coniventes com tal coisa.

A última viagem presidencial representou bem esta vocação, pois segundo dados da VEJA (10/12/03), juntos os cinco países visitados "têm uma população de cerca de 100 milhões de pessoas e um PIB total de cerca de 200 bilhões, o que é equivalente a uma Polónia". Na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) estão "34 países com 800 milhões de habitantes e 12 trilhões de dólares de PIB". Entretanto, do alto da nossa insignificància de 0,89% de participação no comércio mundial, atrás portanto da Tailàndia e da Rússia, optamos pela ideologia e nos indispomos contra o que pode ser o caminho para ingressar na prosperidade.

Entre as ditaduras visitadas, a última revestiu-se especialmente do simbolismo do atraso. Na Líbia do "amigo e companheiro" Muammar Kadafi, ditador instalado no poder desde 1969, o presidente brasileiro jantou acompanhado de mais duas figuras de tiranetes do museu da esquerda, os também "amigos e companheiros" Daniel Ortega e Ahmed Ben Bella. O Presidente Lula aproveitou para agradecer a ambos, não deixando de lembrar Yasser Arafat, pelos "bons ensinamentos" recebidos quando de outra sua estada na Líbia, em 1982.

Fico a me perguntar o que o presidente aprendeu com Ortega, Ben Bella ou Arafat. Só para lembrar o que um deles aprontou, recorde-se que sob o governo do revolucionário Ortega, a fome esteve longe de ser eliminada da Nicarágua. Mesmo porquê, ao final do seu governo os nicaraguenses tinham uma renda per capita de 380 dólares, ou seja, dez vezes menos que a de Trinidad e Tobago.

De todo modo, Kadafi, que o saudoso Paulo Francis chamava de "beduíno alucinado", não quis saber da idéia brasileira de unir o mundo árabe com a América do Sul e defendeu a reunião de países da África com os da América Latina. Ele inclusive alertou para o fato de que a Liga Árabe é composta de países totalmente desunidos, algo que pode parecer paradoxal mas é verdadeiro.
Da visita à Líbia restou apenas um chapéu preto de penacho, que não caiu muito bem no presidente Lula. Quanto aos demais países visitados entre gafes e más traduções para o árabe, restou o que uma matéria da Folha de S. Paulo (11/12/03) resumiu como "grandes promessas e pequenos negócios", destinados a serem realizados num futuro nebuloso.

Quando foi perguntado porque na viagem não se tocou em direitos humanos, democracia, enfim, essas coisas que déspotas desconhecem, a resposta do governo veio na ponta da língua como em Cuba: "o Brasil não se mete em assuntos internos de outros países". Naturalmente isso não vigora com relação aos Estados Unidos, que o presidente brasileiro criticou várias vezes durante sua viagem cheia de exotismo.

Por falar em norte-americanos, não li nem ouvi nenhuma critica ao procedimento desumano e absurdo a que foram submetidos os filhos do casal Zera Todd e Michelle Staheli, assassinado no Rio de Janeiro em 30 de novembro. Um juiz da vara de Menores Infratores fez a filha mais velha, uma menina de 13 anos, depor. Queria também o juiz, que ela e seu irmão de 10 anos participassem da reconstituição do crime e quase deteve a garota no Brasil quando ela já se encontrava no aeroporto, como se fosse uma criminosa. Felizmente as crianças já embarcaram para os Estados Unidos. Houve também a estória mirabolante de uma machadinha que estava no banheiro da menina, como se ela tivesse seguido os passos de alguns delinquentes brasileiros que assassinaram os pais. O objeto foi devidamente examinado pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Anthony Garotinho, que pós em dúvida o primeiro teste feito na machadinha. Só faltou chamarem para a reconstituição do crime as outras filhas do casal, de oito e três anos. Sem dúvida essas crianças ficarão para sempre marcadas pelo trauma da morte dos pais, acrescido do clima de terror vivido no Brasil.

Mas enquanto o secretário Garotinho observava a machadinha ornamental, os presos de Bangu IV (penitenciária do Rio de Janeiro) se divertiam a valer consumindo, vendendo e comprando maconha e cocaína, e falando animadamente em seus celulares, conforme cenas mostradas pela Rede Globo.

Dos presídios de segurança máxima não se fala mais, mesmo porquê, as muitas viagens presidenciais têm ocupado os noticiários.

(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

Publicado originalmente em www.diegocasagrande.com.br"






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