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cronicas-->SIMULAÇÃO OU DISSIMULAÇÃO, EIS A QUESTÃO! -- 03/02/2004 - 15:55 (adelay bonolo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
SIMULAÇÃO OU DISSIMULAÇÃO, EIS A QUESTÃO!

Vez por outra, algum fato divulgado pela mídia costuma retirar das prateleiras do dicionário palavras ou expressões caídas em desuso. É o caso das casadinhas simulação e dissimulação. A primeira finge que tem o que não existe, enquanto a segunda tenta esconder o que salta aos olhos. Nos tempos atuais, deputados simulam lisura, senadores dissimulam quebra de decoro. O governo simula eficiência, o povo finge que acredita...

Na vida plebéia, quem não inventou, uma vez na vida pelo menos, uma dorzinha de barriga ou indisposição qualquer para ficar mais tempo em casa ou sair mais cedo do trabalho? Célebres são as simulações ou dissimulações de gravidez.

Eis uma delas: por uns tempos, acolhemos em casa uma moça que nos prestava serviços domésticos. Solteira, novinha, tinha família no subúrbio, onde passava os fins de semana. Nos dias úteis, dormia em nosso apartamento, num quartinho bem pequeno, em que só cabia ela.

Posto suburbana de nascença e de origem humilde, desfrutava da amizade da maioria dos colegas de meus filhos, em geral da classe média.

A moça-quase-menina era engraçadinha, corpo miúdo, magro, mas bem feito e harmónico. Com o tempo, fui notando uma mutação em sua estrutura física, parecendo-me estar ali presente uma gravidez. Eu detinha certa intimidade com o assunto, pois fui pai de três crianças e acompanhei a evolução e o comportamento biológicos da mãe delas.

- Aí tem menino, dizia-lhe em tom de brincadeira, sabendo que tinha mesmo.

- Tem menino não!, retrucava ela.
E assim o tempo foi passando, eu perguntando e ela respondendo: "Tem menino não! Tem menino não!", numa monótona teimosia exasperante.

Enquanto isso, a barriga ia crescendo sob disfarce, reforçando minha teoria de uma gravidez indesejada.

Num dos fins de semana ela não voltou da casa dos pais. Ficamos preocupados, pois não costumava fazer isso. Passou-se a segunda-feira e nada! Lá pelas 5h da tarde de terça-feira, minha filha ligou-me, dizendo:

- Pai, não sabe o que aconteceu!

Fiquei assustado pelo tom da voz, mas emendou logo: "A Luzia, no sábado de manhã, sentiu uma forte dor de barriga, procurou o pronto-socorro mais próximo e tiraram da barriga dela um nenê pesando 3 quilos e pouco e se chama Daniel".

-!?!??!??!?

Foi a dissimulação mais demorada que já vi: durou cerca de nove meses!

O episódio deu-me atestado de bom observador, mas despertou-me uma ponta de remorso, a mim que não era nem sabia quem era o pai: se não fosse a tal dor abdominal, o que seria da criança e daquela menina-moça, que suportou sozinha, por tanto tempo, tão sério e angustiante problema!


Brasília/março/2001
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