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Cordel-->A VELHINHA CHUPADEIRA -- 06/01/2016 - 20:25 (Benedito Generoso da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. A VELHINHA CHUPADEIRA

I

Eu soube duma garota
Que gostava de laranja
Uma criança peralta
E dócil como uma anja
E sem ser mexeriqueira
Todo pé de laranjeira
Para ela era canja.

II

Uma cabocla que manja
Trepava no abacateiro
E no pé da gabiroba
Na limeira e no limoeiro
Com a sua peraltice
Tão ágil, como eu disse,
Subia até num coqueiro.

III

Somente o caroço inteiro
De uma manga sobrava
Porque a poupa e o suco
Sua boquinha sugava
Pois essa menina astuta
Não poupava uma fruta
Até cana ela chupava.

IV

Na cidade onde morava
Lá viveu a vida inteira
Ficou moça e depois velha
E permaneceu solteira
Tornando-se uma beata
E uma rezadeira nata
Na igreja da Padroeira.

V

Aos domingos ia à feira
Logo em seguida à missa
Sem se casar ficou velha
Essa mulata mestiça
Que permaneceu donzela
Mais tarde ficou banguela
E uma idosa enfermiça.

VI

Eis que a cidade se eriça
Com uma grande novidade
Inaugurando uma Boate
Pro prazer da mocidade
Fez o prefeito um discurso
E programou um concurso
Pra eleger uma beldade.

VII

Moças de maior idade
Provindas de toda vila
Fizeram em frente ao salão
Uma longuíssima fila
Cada qual pra se inscrever
E ao posto concorrer
Pra ser coroada Dalila.

VIII

Dançava até com gorila
Sonhando com seu Sansão
Pra ser a dama primeira
No embalo duma canção
Porém eis que uma velhinha
Manquitolando que vinha
Chegou, bengala na mão.

XIX

E ela ali de supetão
A um guarda perguntou
O porquê daquela fila
Debochando ele informou:
- Essa fila não se acaba
Tão dando jabuticaba
A quem chupa ou chupou.

X

E o guarda continuou:
- Toda mulher trepadeira
Vai ganhar o seu quinhão
Seja de qualquer maneira
Como sei que a senhora
Chegou por último agora
Da fila será a primeira.

XI

Levou-a para a dianteira
Quando se abriu o Guichê
E a atendente perguntou:
- Senhora, quem é você?
Uma mulher de idade
Aqui onde a mocidade
É que sabe do porquê!

XII

Disse a idosa: - Como vê
Eu não tenho nenhum dente
Mas eu juro que um dia
Fui uma mulher valente
E hoje vivo sozinha
Numa modesta casinha
Rezando terço, sou crente.

XIII

E a bela moça atendente
Foi dizendo: - Não entendo
Desculpe-me a pergunta
Não quero estar lhe ofendendo
Porquanto este ambiente
É restrito àquela gente
Que trepa. Está me entendendo?

XIV

Disse a velha: - Compreendo
Que trepar não trepo mais
Para colher as pitangas
E as uvas nos parreirais
Tenho dor nas escadeiras
Já não subo em laranjeiras
Mas chupar chupo demais.

XV

Dê-me uma chance a mais
E as frutas que estão dando
Eu quero voltar pra casa
Mesmo o limão me azedando
Sei que vou morrer em breve
Tal qual a Branca de Neve
Uma maçã saboreando.

Benedito Generoso da Costa

*Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original ("você deve citar a autoria de Benedito Generoso da Costa e sua página literária: (http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.phtml?user=GENEROSO). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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