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Cronicas-->Éle Éfe e Cecê: os novos bobos da corte -- 06/07/2004 - 10:38 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Luís Fernando Veríssimo, que assina LFV, mas que bem poderia rubricar Éle Éfe em seus escritos, e Chico Caruso, que passarei a chamar de Cecê, são dois grandes humoristas. Mordazes, são daqueles tipos que perdem o amigo mas não a piada. Nem por nada que os livros de "crómicas" (crónicas cómicas) de Éle Éfe estão entre os mais vendidos no Brasil. Éle Éfe é o best-seller número um, superando inclusive Paulo Coelho. Cecê é velhíssimo chargista de O Globo. Dispensa comentários. O problema dos dois é que...

No dia 12 de setembro de 1995, eu escrevi uma carta ao Jornal do Brasil, que dizia o seguinte:

"Prezado Diretor de Redação,

Sobre o `algoz de Éfe Agá´, Luís Fernando Veríssimo, tenho a comentar o seguinte:

Comecei a apreciar LFV quando ele escreveu no JB sobre as `tribos dos marmitas´, uma atualização bíblica dos nossos `amalecitas´ e `moabitas´ do campo e da cidade, os bóias-frias e os operários. Recentemente, o autor de Analista de Bagé nos ofertou outro primor: Don King não usa pente, dá um trato nos cabelos metendo os dedos na tomada... Como humorista, LFV é quase imbatível. É o Jó Soares das letras: enxuto, direto, contundente.

Porém, quando se torna sério e começa a sovar Éfe Agá, LFV mais parece um anarquista inconsequente, do tipo `si hay gobierno, soy contra´. Éfe Agá nem havia começado a pór em prática suas promessas de campanha - modernização da economia, redução do peso paquidérmico do Estado - e lá estava a birra de LFV fazendo coro ao neo-socialismo de Fidel Castro, Frei Betto e outros astros do Foro de São Paulo, para marretar o presumido e nada explicado neoliberalismo de FHC. Sério e professoral, LFV fica sem graça, somente sua mulher Lúcia aguenta.

Há uma explicação para a pinimba de LFV. Assim como Jorge Amado somente se refere aos militares como `gorilas´ (exceto o fardado Fidel Castro, que é reverenciado como `comandante´), LFV taxa todos os milicos de energúmenos. Como Éfe Agá é filho de general, o DNA adquirido só poderia ser mesmo de um energúmeno, segundo o maragato de Porto Alegre.

Cordialmente,

Félix Maier"

Dias depois, eu recebi um telefonema do JB, em que alguém me afirmou que minha carta seria publicada no dia tal. No tal dia folheei o JB e nada foi encontrado. Não sei se Éle Éfe não autorizou a publicação, por eu ter incluído o nome de sua mulher no texto, ou se o editor simplesmente jogou a carta no lixo.

O que quero dizer com a transcrição daquela carta é que o humorista sempre deve ser a favor do riso, nunca a favor (ou contra) uma determinada pessoa ou agremiação política, religiosa ou literária. O verdadeiro humorista é politicamente incorreto. Faz piadas de tudo: de português, de judeu (ou de árabe, dá no mesmo, pois são "brimos"), de bicha, de padre, de freira, de evangélico, de gaúcho, de nordestino. Até de loira burra e nega idiota.

Bem, Éle Éfe se destacou por sovar FHC e, por dedução óbvia, poupar políticos que, em princípio, são um maná para os humoristas, como o semiletrado Lula "Cala a Boca Magda" da Silva. Éle Éfe tornou-se um bobo da corte.

No governo Lula, tem destaque outro bobo da corte, Cecê, o Chico Caruso do Jornal Nacional do Petê, ancorado por Mister Bibi (Bill Bonner), cujo único objetivo é lamber os bagos dos integrantes da República dos Companheiros. O mesmo que, indiretamente, Éle Éfe fazia ao azucrinar a vida de Éfe Agá.

Meses e meses seguidos, Cecê apresentava Lula voando em cima de um abacaxi, por conta de uma tal "herança maldita" que havia recebido de FHC - como Lula sempre costuma acusar. Como se houvesse algum cargo executivo público de relevo no Brasil que não fosse um portentoso abacaxi. Até países ricos e poderosos, como os EUA, não facilitam as coisas para seus presidentes, como é o caso de George W. Bush e seu atoleiro iraquiano. Ou então, Cecê apresentava Lula fazendo "embaixadinhas" com uma bola, ao mesmo tempo em que subia a rampa e quebrava mais um vidro do Palácio do Planalto onde ia colocar mais boné na cabeça. Temas interessantes, como as centenas de gafes cometidas por Lula, que mandou Napoleão à China, que disse que sua mãe nasceu analfabeta e, recentemente, que a Bolívia não faz fronteira com o Brasil, são sempre olimpicamente escondidas por Cecê.

Durante o auge do "caso Waldomiro", que rendeu por meses discussões quentes nos jornais e nas revistas, o assunto praticamente não existiu para Cecê. Recentemente, quando houve o "caso Rohter", em que Lula criou um tornado dentro de um copo de cachaça, ao querer expulsar o jornalista do NYT, Cecê ficou, por umas duas semanas, mostrando Mr. Bush arrastando um prisioneiro iraquiano amarrado com uma corda no pescoço. Que é isso, Cecê, nem um trago de pinga sequer para brindar as rechonchudas e rosadas faces de Lula, para que nosso presidente faça um bom governo?

A questão que se pode colocar para Cecê é essa: como serão as charges do Jornal Nacional do Petê, depois que as Organizações Globo receberem seus bilhões do BNDES para tirar algumas de suas empresas do buraco? Continuarão no mesmo padrão de puxa-saquismo governamental? E se o dinheiro não sair, Lula será azucrinado como Éfe Agá o foi?

Não é demais lembrar que a revista Época, das Organizações Globo, deu recentemente um recado claro a Lula, ao publicar as conversas do Sr. Waldomiro com Mr. Charlie Waterfall: se a grana não sair rapidinho, outras imagens poderão vir a público para açoitar a República da Companheirada.

Resumo do forró: é lamentável ver dois grandes humoristas brasileiros venderem seu talento a favor da bajulação. O humor só pode ser a favor do riso, da gargalhada, da alegria. Não a favor desse ou daquele político que, no final das contas, são farofa do mesmo tacho.





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