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Contos-->357 -- 22/05/2007 - 11:09 (Alvaro Nascimento Vieira) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
357
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Aquele dia fora realmente especial. Nem todos os homens já foram a um motel, mas posso garantir que é sempre uma experiência nova. Talvez por ser um local destinado a “você sabe bem o quê”, as pessoas vão com os mais diferentes estados de espírito, mas com intenções práticas bem parecidas. Bom, neste dia eu estava lá com a mesma calma de sempre, afinal (alguns podem me chamar de sortudo) já tinha boa experiência no assunto e o frio na barriga das primeiras vezes há muito tempo já não sentia...

Imaginem a situação. Era sexta-feira à noite. Sexta-feira, véspera de final de semana. Este dia inspira a todos nós. E ainda por cima, era uma noite estrelada, com uma lua imensa a brilhar no céu. Confesso que estava extremamente feliz e nem sabia o quão mais ficaria pelo que ainda estava por acontecer.

O porteiro abriu o portão como sempre fazia. Um grande sorriso no rosto demonstrando uma simpatia muito verdadeira. É... eu conhecia bem aquele porteiro... Por vezes, não sei bem, achava que ele poderia ser um maníaco sexual e aquele “sorrisinho” estaria refletindo o pensamento a respeito de toda a sacanagem que entrava pela porta. Alguns casais se incomodavam com isso (eu já ouvira algumas reclamações), mas ele era uma boa pessoa e muito meu amigo.

Indo logo ao que interessa, sim, a mulher era linda. Cá entre nós, esse negócio de beleza interior (naquele local?) não está com nada. Alguns dizem que você deve se guiar pelos sentimentos das pessoas. Só que o tempo, além de muito curto, é pago, e aquele local, garanto, não é o mais apropriado para se conhecer o interior das pessoas (sem qualquer trocadilho, por favor).

Desculpem por desviar a atenção, mas sou homem e tenho que falar: o carro estava lindo! Brilhando, limpinho! Painel, pneu, banco, todos os itens arrumados, limpos, aspirados e polidos. Não tem como negar, isto é importante. Apesar de estar concentrado em fazer o que tinha que fazer, não poderia deixar de pensar o quanto daquela felicidade no rosto dela não era por causa do carro. Puts, era importado! Será possível que isso não conta? Se bem que ela parecia ser muito rica também e talvez não contasse tanto assim. O que importa é que estava tudo perfeito: carro, noite, mulher, lugar, tudo.

Abri a porta para ela sair. Ah, que cena! Ela estava com uma saia justa, uma espessa meia-calça, uma blusinha linda... Tinha visto poucas mulheres, em toda a minha vida, bonitas como aquela. Ao sair, ela me olhou com um certo ar de desprezo, como se não tivesse tido a menor importância o fato de eu abrir a porta do carro para ela. Eu adoro isso de elas fingirem serem superiores, olharem por cima, como se não precisassem da gente. Mas, tudo bem, já estou acostumado. Enquanto ela esperava na recepção, fui estacionar o carro.

Creio que não é necessário dizer o que ocorreu da porta para dentro. Todos os casais são iguais, vão a um motel para fazer as mesmas coisas. Não haveria de ser diferente neste caso. De qualquer forma, senti que aquela noite seria especial. Busquei alguns morangos e um bom champagne e levei até o quarto (não faço isso sempre). Ao final, só sobraram as garrafas vazias (sim, pois tive que pegar mais uma garrafa logo depois de dar a primeira...).

Tudo aconteceu normalmente como sempre e, como tudo na vida, uma hora acabou. Trouxe o carro e estacionei bem na frente da entrada. Claro, se a chegada havia sido brilhante, a saída teria que ser magnífica, para eternizar a noite! Abri a porta para ela entrar e, já dentro do carro, ela abriu o vidro, me agradeceu e me deu uma nota de cinquenta reais. Cinquenta reais! Como manobrista do 357 eu nunca havia ganho uma gorjeta tão alta!

Tamanha era a minha felicidade que não pude aguentar. Pedi o resto da noite de folga e fui para casa, jantar com a minha mulher. Não tinha dinheiro como o moço do carrão importado e não podia pagar todas aquelas coisas para a minha esposa. Mas, com o que tinha, providenciei para que ela pudesse ser a mulher mais amada do mundo o que, na prática, acontecia todos os dias.
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