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Contos-->Respeitável público! -- 18/05/2008 - 12:39 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Respeitável público!

Produzido pelo Ternuma Regional Brasília

Por Paulo Carvalho Espíndola, Coronel Reformado

“Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem ,vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem brincadeira e qualidade”.


Na quinta-feira última (15 Mai 08) o palco do Grande Circo Brasil esteve cheio de atrações. Da platéia ribombavam flashes e parte cativa da mídia delirava com as piruetas verbais dos artistas, que se esmeraram no mesmo script de sempre: a ridiculez e o menosprezo à plebe que julgam bronca e rude.

Abrindo o espetáculo, jovens rábulas debutaram na ribalta, simulando intenções de buscar justiça em nome de ideais desmoralizados e desbotados pela cínica insistência. Instigados por antiquados palhaços, contaram piadas velhas e insossas. Na mais espetaculosa delas, usaram de alucinante metamorfose, pela qual transformaram sanguinários e derrotados delinqüentes em puros cordeirinhos e heróis vencedores em lobos cruéis. Entretanto, teve quem gostou, particularmente algumas hienas vermelhas, que riram de fartar com a exposição pungente de dois velhos leões, aposentados e enjaulados, levando chicotadas do desrespeito e do achincalhe. De súbito, a iluminação apagou-se e os jovens atores perderam-se no palco - afinal, quem encena ao vivo e em cores está sujeito a imprevistos. Salvaram-nos três potentes lanternas de mão, com as quais passaram a procuradores não se sabia do quê, até os focos luminosos fecharem em cima dos dois velhos leões. Assim, mais gargalhadas das hienas. Todos, no fim, fizeram por merecer um gordo cachê.

Após breve intervalo, surgiu outro grande personagem da trama. Fantasiado de ministro da justiça, o protagonista do dia logo se aplicou no que gosta de fazer, indiferente ao inesperado surgimento da voz isolada de um certo deputado, que ficou rouco de tanto chamá-lo de mentiroso e farsante. Em socorro do agressor, surgiu a mulher barbada, heroína providencial, que muito bem aplicou o seu programa de assistência em catástrofe, a que chamam de PAC.

Com maestria e o auxílio de um robusto auxiliar (deve ser o chefe da sua segurança, pois que portava um crachá com algo escrito, parecendo tratar-se de defesa ou coisa assim), o notável do circo pôs-se a mexer em duas caixas desiguais. A primeira era um antigo cofre com os segredos de velhos homens de farda, a qual tentavam abrir com enferrujada gazua; lá dentro já não existia mais nada guardado, por obra de vazamentos escorridos de inúmeros buracos provocados pelo longo tempo em desuso. A segunda, muito maior, tentaram esconder, enquanto distraíam o público com estórias da carochinha; todavia, a tampa da caixa não evitou que se visse o conteúdo: eram mentiras, velhas foices e martelos, dinheiros roubados e armas sujas de sangue ressecado.

De repente, uma banda estridente e furiosa atacou com desafinados acordes de uma tal de marcha da guerra popular revolucionária. Em seguida, veio a exibição de desajeitados guerreiros, que entraram na ribalta marchando de passo errado e em total desalinho. Era o propalado batalhão de emprego rápido, convocado pelo ministro da cena para emprego imediato em resposta a situações de crise. Dotados de armamento moderno e não letal, como traques de São João, espingardinhas de rolha, tubos de lança-perfume, pistolas d’água e carrinhos de pipoqueiro blindados, a tropa ficará à disposição do ministro e de titulares de outras pastas. Fique tranqüila, ministra do piquenique, que está por terminar o suplício do relaxe e goze.

Por fim, chega o momento da apoteose. Caquéticas vedetes da finada Atlântida ocupam o lugar dos guerreiros e passam a dançar o velho cancã, expondo varizes mal escondidas por furadas meias de renda. Todo o elenco se despede do público, cantando um pagode.

O espetáculo se acaba até próxima apresentação com enredo renovado e novos figurantes.

Lá fora, um sapo barbudo, o dono do circo, contava avidamente o dinheiro da bilheteria. Provocado pela curiosidade da imprensa, respondeu:

- Não sei de nada, não vi nada, nem ouvi nada. Só sei que não sou sapo, mas uma metamorfose ambulante, filho de uma mãe que nasceu analfabeta. Por favor, menas preguntas. O pobrema é que a oposição tem é inveja, porque nunca na história deste país fizeram um circo igual e este. A gente fizemos. Opa, cumpanheiro, guspi ni voicê?...


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