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Poesias-->MEU BISAVÔ ME CONTOU... -- 30/08/2009 - 17:06 (MARCO AURÉLIO BICALHO DE ABREU CHAGAS) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
MEU BISAVÔ ME CONTOU...

Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

( Leôncio Francisco das Chagas, meu bisavô que viveu em 1800).



OSÓRIO

Cantou a morte de Osório,

foi testemunha ocular,

da abolição dos escravos

e em versos quis registrar:



“Para lavar-te da nódoa

Do cativeiro eis a fonte,

Refletindo no horizonte,

A aurora da liberdade.”



“Exaltou-se fervoroso

O continente do Sul,

Debaixo dum vácuo azul

A brasileira nação;

As aves em seus gorjeios,

Cruzando os ares se adejam,

Alegremente festejam

A glória da abolição.”

*

REPÚBLICA

Testemunhou da República,

a sua proclamação,

e em versos a consagrou

escritos assim estão:



“Foi a sete de setembro,

No festejo Nacional,

Que rebelou-se a esquadra

Contra o governo legal.”

2 de abril de 1894.

*



FIM DO SÉCULO



Presenciou o fim do século;

segundo meu bisavô,

“século de luz e razão”,

cantado assim com louvor:



“Estamos no fim do século

Século de luz e razão;

Transforma-se a imensidade

Em completa exaltação.”

...

“Começava a interrogar:

- que é da nobre monarquia?

- passou-se à democracia,

Governo livre e exemplar.

Ele tornou a perguntar:

- e a nossa escravidão?

- pela lei da abolição

Tornou-se o país feliz.

Por esse fato se diz –

Século de luz e razão.”

6 de agosto de 1894.

*



FLORIANO PEIXOTO



De Floriano Peixoto,

o Marechal Presidente,

falou em versos também,

de forma bem reluzente:



“Dorme em paz na sua pátria, Marechal!

Exemplo de bravura sem igual,

Aspecto de valor.

Ah! perdeu a marinha esse gigante!

A família – o esposo e pai amante!

A pátria – o defensor!

18 de julho de 1895”

*



BELO HORIZONTE



Versejou Belo Horizonte,

com altivez e muito tino,

enobrecendo a cidade

e o belo-horizontino.



Iniciava assim:

“Avante, Belo Horizonte,

Eu te bendigo, Curral,

Não Del Rei mas da república

Florescente – Capital.”



E o refrão:

“Quem namorar o papudo

Jamais deve se queixar,

Volta a cara, fecha os olhos,

Deixa o papo brazonar.”

18 de fevereiro de 1897.

*





INFÂNCIA COM OS PASSARINHOS



Ele cantou sua infância,

em versos com singeleza,

e com sensibilidade

e primaveril beleza.



“Oh! Que saudade que tenho

De minha infância adorada,

Na mente sempre lembrança,

O tempo a levou...sumiu!..

Como entretinha-me, quando

Do Tico-tico eu ouvia

O seu canto que dizia:

“- Inhavi... ti... tiú... tiú...”



Na ponta da gameleira

O pequeno – Bem-tevi,

Gargantea: “- Ziriri.”

Esse volátil finório,

A barriça no valado

Rompe a harmonia do céu:

“-Géco...mongéco.. Léo.. Léo...

Gin... golo...ló ... lorio.”



O colheira empoleirado

Solta o canto que assim diz:

“-Tié... varná ... já ni...jagiz.”

Imitando o Bem-tevi;

A Triága trinitando

Doce harmonia sonora:

“-Fací... narí... nari... angora...

In unzéo?... ti... ti.. ti.. ti.”



O biquinho de latão

Cantando faz escarcéu:

“-Fricocí.... tico.. lium déo.”

Sempre em par alegremente;

No meio dessa harmonia

Eu pequenino me achava,

Com esses pássaros gozava

Essa vida de inocente.



Infância, gozo e alegria,

Que conservo na memória,

Esse conjunto de glória

O tempo tudo levou!...

Como foi pura e risonha

A minha infância de flores

Desses perfumes e olores

Só lembrança me ficou.

*



MINAS E ESPÍRITO SANTO



Minas e Espírito Santo

celebraram uma união,

que meu bisavô-poeta

eternizou na canção:



“Teu prado florecera em todo o manto

Aos raios da manhã

Do dia em que uniste ao Espírito Santo,

A essa boa irmã.

...



Em bando adejando pelos prados,

As aves cantarão

O hino da junção de dois estados

Aos laços da união.”

27 de setembro de 1893.

*





FINANÇAS



Falou até de finanças,

tema não muito poético,

que deixava pasmo o poeta

e chegava a ser patético.



“É o alarma de uma turma desordeira,

Que, se o câmbio o for descendo a zero e nada,

A metrópole ficará indignada,

E teremos bancarrota verdadeira.



Enganai, turma opaca e agoureira,

A nação saíra dessa meada,

Empunhando a bandeira abençoada

Que salvou nossa pátria brasileira.



Não vedes que o Brasil é potentíssimo

Com seu solo criador e fertilíssimo,

E no centro desse solo brilha o ouro?



As riquezas que se estendem por fileiras,

Esmaltando as colinas brasileiras,

Serão, pois, garantias do tesouro!”



***

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