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Cronicas-->Abraçar -- 22/11/2005 - 15:28 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
ABRAÇAR
21.XI.2005

Arthur Virmond de Lacerda Neto


Lembrança do Adriano Roberto Magri, de quando andou em Palma de Maiorca. Os grandes pensamentos provém do coração. Vauvenargues


Dentre as características que individualizam o ser humano e o distinguem dos animais, contam-se o desenvolvimento superior das suas inteligência e afetividade. Mais inteligente de todos os seres vivos, o humano é também o dotado da maior capacidade afetiva, de experimentar sentimentos e de exprimi-los, tanto os maus quanto os bons.

São maus a inveja, a possessividade, o ciúme, o ódio, o ressentimento, a zanga, a animadversão, a antipatia, o desprezo, a altanaria, a vaidade, a intolerància, a prepotência, a indiferença. Todos eles provocam, em graus diversos, alguma espécie de sofrimento no nosso semelhante e identificam-se na sua comum atitude negativa face a ele.

Por outro lado, há o carinho, a bondade, a admiração, a veneração, a ternura, a paciência, a compaixão, a tolerància, a fraternidade, o desprendimento, a solidariedade, o preocupar-se com os outros. Todos eles propiciam, em medidas várias, algum tipo de conforto no nosso semelhante e caracterizam-se pela sua comum atitude positiva acerca dele.

No caso dos bons sentimentos, predomina o altruísmo; no caso dos maus, o egoísmo: naqueles, achamo-nos com o outro, somos nós mais o outro; nestes, achamo-nos sem o outro, apesar dele, mesmo contra ele, somos nós menos o outro. Aqueles aproximam e unem, estes, afastam e dividem; aqueles felicitam o nosso semelhante, estes, infelicitam-no ou, quando menos, não o felicitam e possivelmente infelicitam-nos a nós.

Assim como há variações de temperamento entre as pessoas, as há também de afetividade: cada pessoa encarna um sistema de sentimentos em que os bons e os maus combinam-se em diferentes proporções e verificam-se em diferentes situações.

Entre uns e outros, são preferíveis os bons. Porém adotá-los apenas, não basta: é preciso também exprimi-los: uma sensibilidade que não se confessa, do ponto de vista do nosso semelhante, é uma sensibilidade inexistente.

Um dos aspectos da diversidade entre as pessoas, corresponde às múltiplas formas como elas exprimem-se afetivamente, desde quantas, por timidez ou por temperamento, contém-se e ocultam os seus sentimentos, até quantas exteriorizam-nos.

Há vários modos de exteriorização dos bons sentimentos: algumas pessoas preferem presentear; outras, visitar, telefonar, parabenizar no natalício; outras, enviar cartões de final de ano. Outras (os casais apaixonados) dão-se as mãos, beijam-se, recostam-se um no outro e deixam-se ficar assim, em silêncio: não precisam de mais.

Algumas, abraçam: abraçar corresponde ao gesto, físico e afetivo, de aproximação: peito contra peito é o mesmo que coração junto de coração; são duas afetividades que se confessam, dois corpos que se tocam, duas emoções que se partilha.

Muitas vezes, as pessoas estão carentes: necessitam de atenção, de afeição, de carinho, e não os tem, não os recebem, amargam-lhes a falta, sentem-se mal por isto, o que lhes chega mesmo a provocar alterações orgànicas: o físico padece quando sofre o moral.

O abraço corresponde a um gesto de carinho, a uma externização de afetividade. É natural, é normal, sobretudo é humano e principalmente é bom. Abraçar é bom, provoca uma sensação de prazer emocional e de conforto psicológico e mesmo físico: o organismo beneficia-se quando experimentamos boas emoções.

Alguns, eventual e infelizmente, confundem o abraço com inclinações homossexuais, motivo porque evitam abraçar e desgostam-se quando são abraçados: trata-se de um preconceito profundamente desumano e nocivo, que dificulta a expressão afetiva e, portanto, inibe uma forma de felicitar-se as pessoas.

Quem abraça quer bem, confessa amizade, solidariedade, compreensão, perdão, carinho, amor, bondade. Tudo isto é bom e é bom manifestar tudo isto e ser objeto disto tudo.

É bonito abraçarem-se pais e filhos, pais entre si, irmãos entre si, amigos entre si, estranhos entre si, porque é bonito uma pessoa abraçar outra, como é bonito, e humano, tratarem-se carinhosamente as pessoas, por gestos e palavras.

Tudo isto ocorreu-me ao pensar em um amigo que abraçou-me muitas vezes e eu a ele: era sincero e recíproco, era-me e era-lhe carinhoso. Em uma delas, conversamos abraçados. Chorei de saudades dele: queria tê-lo junto de mim, abraçá-lo e ficar abraçado nele por todo o tempo, e não o pude fazer: eu estava onde não estava ele e ele estava onde não estava eu. Contei os meses, um a um; as semanas, uma a uma; os dias, um a um; as horas, uma a uma; os minutos, um a um, na espera, ansiosa, a mais longa da minha vida, por revê-lo e abraçá-lo de volta.







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