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Infantil-->O MENINO QUE ENCONTROU UM ANJO -- 04/09/2003 - 09:47 (A A A AElisete Duarte) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Ali em meio à praça de uma grande cidade, havia um menino sentado abaixo da árvore, de cabeça baixa ele chorava triste e so-zinho.
As pessoas passavam de lá e para cá e nem percebiam sua presença, pois ele era um entre dezenas de outros garotos que vivi-am na praça.
Pensava em sua mamãe e papai, em como ele gostaria de es-tar ao lado deles.
O sol era forte naquela tarde e mesmo a sombra que lhe era oferecida pela árvore deixara de ter importância naquele momento, porque o que desejava mesmo era ir à escola ter amigos, estar em segurança com seus pais como a maioria das crianças.
Mas tudo era sonho, a realidade para ele era outra, aos 10 anos fugiu de casa, fugiu da violência do seu próprio lar. Seus pais consumiam álcool e drogas e sempre perdiam o controle surrando-o sem motivos. Agora abandonado nas ruas, lutava para sobrevi-ver...
Seu estômago doía de fome ai então lembrou que só tinha tomado um copo com água e já passara ao meio dia, Ainda triste levantou e uma tontura o fez cair de novo sentado no chão, olhou para os lados na esperança que alguém percebesse sua fraqueza e o ajudasse, e ninguém olhou para ele quando alguém o percebia a-fastava mantendo distancia.
Devagar novamente se levantou e a tontura passara. Cami-nhou pela praça depois pelas ruas em volta, pedia a Deus que al-guém de bom coração lhe desse um alimento ou algum trocado pa-ra comprar, mas era difícil conseguir as pessoas com medo de serem agredidos ou roubados e nem sequer olhava para sua cara.
Desanimado sentou na calçada e ficou ali por algum tempo, seu estômago roncava então procurou por alguma lata de lixo que ficavam a frente das lanchonetes. Quando de longe avistou um homem na porta da lanchonete do outro lado da rua acenando pa-ra ele como se tivesse o chamando. Rapidamente levantou da cal-çada onde estava sentado e correu até ele.
Enfim o bondoso senhor deu-lhe um prato bem servido de comida com um delicioso filé
Feliz e aliviado náo deixou nenhum grao do alimento no pra-to, agradeceu ao homem e ergueu a cabeça para o céu dizendo:
- Obrigado, Papai do Céu, por esta comida gostosa!
“Se pelo menos vovó fosse viva” – Pensou
Amou muito sua avó, ela lia a bíblia todas as noites antes de dor-mir, ensinou-lhe que sempre devemos agradecer a Deus por tudo porque ele olha por nós e sempre coloca seus anjos para proteger seus filhos.
Imaginou um anjinho com lindas asas brancas pegando em sua mão e brincando com ele Satisfeito, andou alegremente pelas ruas
... “ meu querido, Deus é muito bom. É só acreditar nele e sempre praticar o bem, que ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo”...
Começou a escurecer e ele preparou-se para ir dormir.
Tinha muito medo da noite. Rezou para amanhecer logo, e rapidamente pegou um pano velho que achou no lixo e deitou-se em um cantinho da praça.
Permaneceu quietinho para que ninguém o notasse, princi-palmente os garotos mais velhos, que aproveitavam a escuridão para consumir drogas, que compravam com o dinheiro que era roubado das pessoas nas ruas da cidade.
Quando acordou já amanhecia, faminto, levantou-se e mais uma batalha iniciou em busca de comida. mas até ao meio dia não ha-via conseguido nada para comer. Voltou para a praça triste e pa-rou, ao ver os meninos da noite anterior deitados no centro da pra-ça, sob o sol quente, drogados. Em pé, diante deles, lembrou-se de seus pais, depois que consumiam as drogas, de como ficavam vio-lentos.
Ficou apavorado. seu corpo começou a tremer, ao imaginar que um dia poderia ser como aqueles meninos.
No mesmo instante, olhou para o céu e disse:
- “Meu Bom Deus, sei que o Senhor existe, cresci acreditan-do no Seu poder, pois minha vovó dizia que quando a gente sente medo precisa pedir a Sua ajuda. E eu estou morrendo de medo, não me abandone! Nunca vou querer usar drogas. Quero é estudar, trabalhar igual a essas pessoas – apontou para as pessoas de boa índole que passavam pela praça”.
- “Proteja-me Senhor deste mal e liberte esses meninos tam-bém”.
De repente, um dos meninos acordou e se assustou ao vê-lo parado olhando para eles; então se levantou e disse:
- O que pensa que vai fazer? - empurrando-o insistentemente.
O menino, trêmulo e chorando, correu para debaixo daquela árvore que lhe servia como abrigo e deitou-se bem encolhidinho, com medo do que estava por vir.
O grupo de garotos levantou-se do chão e seguiu em sua direção, apavorado e sem ação, ficou ali esperando pelos chutes e ponta-pés.
- Ei, levante! - um dos garotos gritava. - Vamos logo!
Ficou em pé por um momento, fechou bem os olhos, achando que os meninos lhe dariam uma surra. Aí ouviu um deles dizer:
- Nós estamos cansados, trabalhamos muito ontem à noite. E você - apontou para o menino - vai nos ajudar nesta noite.
- Ajudar? Como assim? - Perguntou indignado o menino.
- Ao anoitecer, saberá. Não seja louco de fugir da gente. O grupo de garotos afastou-se olhando para trás e rindo.
Sem alternativa, sentou-se novamente no chão e colocou a cabeça entre os joelhos. Ali pedia a proteção de Deus, acreditava de ver-dade que ele o ajudaria como nas outras vezes.
Ao anoitecer, o grupo retornou à praça para buscá-lo e lhe ofere-ceu um pedaço de pão recheado com mortadela.
- Toma aí, cara. Precisa se alimentar - riam.
Inocente e sem maldade estava satisfeito, parecia que eles não eram tão maus como queriam demonstrar; e conversavam en-tre si enquanto comia seu lanche. A fome era tanta que nem sequer prestou atenção no que estavam planejando. Os garotos o chama-ram e o fizeram acompanhá-los.
Feliz, chegou a achar que a partir dali sua vida mudaria, te-ria companhia e não estaria mais sozinho. Em grupos, eles anda-vam por todos os lugares e o menino simplesmente os seguia.
Pararam em frente de um supermercado, observaram a região e começaram a sacar alguns estiletes e facas: logo entraram e assaltaram os caixas. O menino, desesperado, não sabia o que fazer. Ficou ali estático diante da confusão quando, de repente, levou um tapa no rosto.
- Mexa-se, ô meu! Vamos lá, segure isto - falou um dos garo-tos, entregando-lhe uma sacolinha de plástico do próprio mercado, cheio de dinheiro.
- Vamos gente, corram! - ordenava o líder do grupo.
As sirenes dos carros de polícia vinham de toda a parte, em meio àquela correria de crianças fugindo. Eles se afastavam uns dos ou-tros.
Ninguém foi pego, conseguiram fugir. Ficou somente o me-nino que, com medo, entrou em uma loja e se escondeu debaixo de um balcão, tremendo e chorando. Mas nesse momento apareceu uma bondosa senhora que, mesmo sabendo que ele era uns dos fu-gitivos, ajudou-o jogando sobre o balcão um lençol branco que pôde cobri-lo, os policiais entraram na loja deram uma rápida o-lhada e saíram. Esperou até o perigo passar, então deu a mão para o menino se levantar e disse:
- Escute filho, não seja um marginal, não é uma vida boa. Você ainda tem a chance de vencer na vida. A-credite em Deus e em você mesmo e sempre haverá alguém para ajudá-lo. Seja bom, educado, que você conseguirá sair desta vida - aconselhou a mulher.
Ouvindo aquelas doces e duras palavras o fez de lembrar de sua avó quando ela dizia:
... “ meu querido, Deus é muito bom. É só acreditar nele e sempre praticar o bem, que ele estará sempre ao seu lado para pro-tegê-lo”...
Com a sacolinha na mão, o menino correu em direção à praça, on-de os garotos o aguardavam impacientes.
- Pô, cara, achei que tivesse sido preso - falava o líder, en-quanto arrancava de suas mãos a sacolinha.
- Esperto, o menino! - um outro garoto do grupo o elogiava. - Voltou e ainda trouxe nosso dinheiro.O menino nada dizia, ainda trêmulo do susto. Quietinho, afastou-se deles indo para debaixo da árvore. As palavras da bondosa mulher não lhe saíam da mente e pensava: “Palavras doces como açúcar. Mamãe, por que não me quer nesta vida? Sinto tanto sua falta...”
Passava por ali uma mulher com seu filho nos braços, beijando-o inúmeras vezes. E o menino soluçava e dizia:
- “Oh, Deus, por que a minha mãe não me quer? Por que não tenho lar? Morar na rua é tão ruim!”
Sentia-se angustiado. O medo de ser descoberto e preso perseguia-o, preferia mil vezes a surra que imaginou que levaria dos garotos a se envolver no crime.
Na madrugada daquele dia, o grupo de garotos voltou à praça com mais lanches, e desta vez bem melhor. Um pouco mais alivia-do relaxou e ria um pouco com as piadas que eles lhe contavam. Foi quando um deles tirou do bolso um pouco de crack e, ao con-sumi-lo, obrigava-o a fazer o mesmo. Desesperado, imaginando a cena dos garotos deitados durante o dia debaixo do sol quente co-mo lixos, chorava e dizia:
- Não! Não! Não!
Os garotos malvadamente chutavam-no e expulsavam-no da praça. Embora seu corpo estivesse dolorido não se importou, estava fe-liz, estava salvo daquele horror que era a droga. No meio do cami-nho, sentou-se em uma calçada e olhou para o céu, dizendo:
- “Perdão, Deus, pelo roubo. Eu não queria participar daqui-lo” - falava, sentindo em seu interior que estava seguro. Era só ter paciência que Deus enviaria até ele um anjo para tirá-lo das ruas. Seria educado e bom, teria paciência; sabia que sempre encontra-ria alguém que lhe daria uma refeição. Acreditava na alegria do dia seguinte e, assim esperava por um caminho bom e bonito.
Os dias passavam e o menino, mesmo com fome, continuava com fé..
Em uma noite chuvosa, enquanto dormia dentro de uma casa abandonada, sonhou com sua mãe e seu pai que apareceram sen-tados ao lado de uma cama em que dormia confortavelmente. Aca-riciavam sua cabeça e ofereciam-lhe uma mesa farta de frutas, car-ne, um frangão assado, uma cestinha repleta de chocolates e balas. Nesse dia, acordou feliz procurando por seus pais, pois tudo parecia real. No entanto, olhou em volta e nada encontrou.
E seu estômago doía, seu corpo doía, havia dormido no chão de concreto, sua pele estava fria, nada tinha para se cobrir. Olhou para as pessoas que moravam com ele e elas ainda dormiam - sor-riu e suspirou fundo. O importante era que em seu coração a paz reinava.
Então lembrou do roubo, da fuga, do desespero, do medo, da angústia. E disse em voz alta:
- “Graças a Deus, tudo passou. Nada compensa o sentimento do medo. Ah, é tão bom não ter medo! A fome é passageira; sem-pre haverá o socorro de Deus”.
E pôde compreender a diferença entre o bem e o mal. Ajoelhou-se no chão e começou a rezar:
- “Deus, um dia o Senhor me trará um grande presente. Serei paciente”.
Lembrava de sua avó que lhe ensinou que, cada vez que pedisse algo teria de acreditar de verdade, que conseguiria que seu desejo fosse realizado. Continuou, então acreditando que este dia chega-ria.
Agora estava feliz por estar bem, vivo e sem maldade no coração. Pedia proteção também para aqueles garotos, que aceitavam aque-la situação e se entregavam à desgraça.
Na noite seguinte, enquanto dormia, um grupo de voluntários que sempre ajudava os moradores da praça entrou na casa trazendo consigo bastante alimento e roupas. Felizes, todos se levantaram disputando a oferenda. No meio dessas pessoas, uma mão acari-ciou sua cabeça, assustado, olhou em direção ao carinho. E viu aquela mulher, aquele rosto tão familiar, a mesma que o ajudou um dia e o aconselhou com palavras doces como açúcar. Ela o pe-gou em sua mão e o levou consigo.
- “Venha menino, vou arrumar um lar para você”.
Seu coração disparou de tanta alegria. Ouviu uma voz que vinha de dentro de si dizendo que aquela maravilhosa mulher era o anjo que Deus enviara para socorrê-lo.
Levou-o para uma escola. Lá ela conversou com algumas pessoas pedindo para acolhê-lo, deram-lhe roupas limpas e, final-mente, uma cama confortável.
Na escola, ele ajudava a cuidar das crianças mais novas. Es-tava muito feliz por Deus ter-lhe presenteado com a grande opor-tunidade de se tornar uma pessoa digna. Para essas crianças ele contava a sua experiência nas ruas, sobre a fome que passou, a luta que foi para se livrar dos meninos que usavam drogas. E a alegria de ter acreditado no Deus que enviou seu anjo para tirá-lo da rua. Entendia de uma vez por todas que o anjo esta na bondade dos se-res humanos.

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