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Cronicas-->Pesquisas eleitorais: ficção científica... -- 04/10/2006 - 11:16 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
FICÇÃO CIENTíFICA

Blog do Diego Casagrande
03.10, 17h52

por Denis Rosenfield, filósofo

Os Institutos de Pesquisa de Opinião deveriam incluir, em seus contratos, uma cláusula de sucesso. Caso os seus prognósticos se confirmassem seriam pagos conforme os valores estipulados, caso não se confirmassem nada receberiam. Seria um acordo equitativo, pois evitaria fraudes e trabalhos realizados indevidamente. A opinião pública, por sua vez, seria a grande beneficiada, porque não seria manipulada e poderia contar com informações confiáveis. Hoje, nada acontece. O dito fica pelo não dito. Institutos nem desculpas pedem. Pior ainda, saem ainda alardeando que suas pesquisas foram confirmadas! É muita cara de pau e um menosprezo evidente para com os cidadãos deste país.

Se uma pessoa vai a uma revendedora de veículos e compra um automóvel, tem todo o direito de reclamar se o produto entregue não corresponde às especificações acordadas. Pode, inclusive, fazer um processo contra a revenda se não estiver satisfeita. Se o automóvel vier sem o motor, por exemplo, é evidente que a pessoa foi fraudada e terá direito ao que foi desembolsado para a compra. Entrará na Justiça se não reaver o seu dinheiro. Por que algo semelhante não ocorre com o produto entregue (ou mal entregue) pelas pesquisas de opinião? E o caso é aqui ainda mais grave, pois não envolve apenas um indivíduo, mas toda a comunidade.

O caso da pesquisa de boca de urna do Ibope no Rio Grande do Sul é paradigmático. Esse instituto deu como resultado 34% para Rigotto, 34% para Olívio e 25% para Yeda Crusius. Comentaristas em redes nacionais começaram assim a analisar o "fato", como se fato fosse. Alguns mais afoitos falaram de virada, um resultado (sic) que contrariava alguns prognósticos e assim por diante. Começaram, literalmente, a fazer ficção científica. Um desses jornalistas chegou a dizer, sem corar, quando Yeda já tinha, na liderança, 33%, com 23% dos votos apurados, que o resultado - este sim real - não era significativo, não era homogêneo. Logo, significativo e homogêneo era a ficção apresentada pelo Ibope. A peça era literalmente cómica e, mais surpreendentemente ainda, tudo ficou pelo não dito, como se uma reviravolta tivesse ocorrido. Não, não ocorreu nenhuma reviravolta, pois os dados apresentados pelo Ibope não correspondiam à realidade. Houve reviravolta apenas na cabeça dos que acreditaram naquela pesquisa! E o Ibope não vem a reconhecer diante do público - do distinto público -, com a devida desculpa, que errou. E errou feio! Fora da margem de erro! Talvez o mais adequado seria, então, aumentar a margem de erro, para 10 pontos percentuais, para mais e para menos! Não teríamos mais "erros", e nem pesquisas deste tipo.

Em eleições anteriores, o instituto de pesquisa do Correio do Povo conseguiu, com ampla margem de acerto, reproduzir o que estava ocorrendo com as intenções de voto da população gaúcha. Nesta, conseguiu vislumbrar a subida de Yeda, porém não foi feliz em antecipar a queda de Rigotto. Tratando-se de um instituto de ampla credibilidade, o seu erro é perfeitamente compreensível por seu histórico de acertos. No entanto, o instituto e a revista que se destacaram, nesta eleição, foram o Instituto Methodus e a revista Voto. Previram acertadamente a subida de Yeda Crusius para a posição de primeiro lugar, apresentando uma mudança completa do quadro. Como se diz em linguagem popular, não brigaram com os números e mostraram a sua confiabilidade.

Não tem o menor sentido dizer, como fizeram alguns veículos de comunicação, que nenhum instituto previu o que ocorreria no Rio Grande do Sul. Deveriam, isto sim, cobrar dos institutos contratados maior confiabilidade. Deveriam reconhecer o trabalho dos que acertaram em seus prognósticos. O Instituto Methodus acertou vários dias antes, mais especificamente, divulgou os seus resultados na quinta feira passada, enquanto o Ibope errou no próprio dia da eleição, no domingo, na boca de urna. Trata-se de uma questão elementar de honestidade. Tapar o sol com a peneira é a pior estratégia.

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