Usina de Letras
Usina de Letras
15 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62388 )

Cartas ( 21335)

Contos (13272)

Cordel (10452)

Cronicas (22545)

Discursos (3240)

Ensaios - (10442)

Erótico (13578)

Frases (50775)

Humor (20067)

Infantil (5484)

Infanto Juvenil (4802)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140866)

Redação (3319)

Roteiro de Filme ou Novela (1064)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1962)

Textos Religiosos/Sermões (6231)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Contos-->A cafeteira -- 29/08/2013 - 03:15 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Sabia que o bule verde esmaltado, todo pomposo, lhe havia tomado o lugar, mas

ela não perdia a velha elegância. E já nem mais frequentava a mesa, relegada que

fora à prateleira, dividindo espaço com as latas de mantimento, a máquina de moer

carne e até ele, o já arcaico, mas bem prosaico, almofariz de bronze. Cafeteira,

quanta história tinha pra contar!

Feita dum metal estanhado, mantinha o perfil longilíneo, mesmo tendo abrigado

tanto café em seu bojo. E a bem da verdade, para si, até que dessa danada

rubiácea, tinha até nojo. Mas nada falava. Recebia-o quentinho e até o fundinho

o ministrava, indiscriminadamente a copos de latão, a xícaras de louça nalguma

solene ocasião. O que não tolerava, mas nem o bico abria, era quando não se a

lavava. Brava ficava, de bico empinado.

Viu tanto bolo ser esquartejado, tanto queijo fatiado, tanta quitanda em seu

passado. Pão com manteiga era o mais frequente, pra ir com o café quente. Mas

numa ocasião festiva, de pão a bandeja era esquiva, abarrotada que ficava de

biscoitos fritos, de ovinhos de cutia e até da panhoca, de que pouco se ouve hoje

em dia.

Nas mãos de Dona Inhana, de menina recém-casada, a bisavó já anunciada, sentia

a digna cafeteira a carícia lisonjeira. E mesmo hoje, do cantinho da prateleira,

ainda se lembra, se refestela da boa vida que era aquela, ainda que - sem bule e

sem bulício - tão singela.
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Perfil do AutorSeguidores: 9Exibido 509 vezesFale com o autor