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Contos-->Santo carroceiro -- 06/10/2013 - 11:22 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

Talvez não fosse santo de nome ou nas suas ações, mas uma vez de Santo

chamado, gostou e a coisa pegou e se não se santificou, Santo ficou.

Homem irriquieto, de múltiplas atividades, tinha mesmo era que briquitar para

assegurar o pão de cada dia daquela numerosa prole que, na Velha Serrana,

disputava acirrada liderança com a família dos Giriza. Era ping-e-pong: se num ano

o troféu de "Mãe do Ano" ia para a Senhora Giriza, no seguinte, Santo e Senhora é

que faziam as honras. E não raro, de lado a lado, aos pares. `A vida é mais jocunda

quando a fertilidade abunda` - inscreveria no mármore dos tempos um Cícero, um

Homero, se tivesse tido a felicidade de nascer por aquelas fecundas bandas.

E além de meninos a rodo, dos quais o mais velho era uma réplica silente do

Elvis Presley - do que se dá para depreender a hollywoodianidade do resto do

plantel - Santo também mantinha uma vasta criação de galinhas, cabras, leitões

e, naturalmente, o cavalo, para o transporte individualizado e o de carreto. E tinha

também os cães, e de caça, farejadores da mais viralata raça.

E deu num dia, madrugada, aliás, em que passando férias na pacata Serrana,

retornava eu de algum baile, ou serenata e já tendo franqueado a esquina de

minha ruela, onde os lotes vagos, ainda predominavam, achei por bem valer-me

da quietude da noite para `obrar`, al fresco, e à luz das estrelas que agora era

mais intensa, e porque não dizer, poética, em perfeita comunhão com a natureza.

Senão os deuses da madruga, os goles em excesso d`alguma libação quiçá mais

me impeliam do que inspiravam. E senão posso dizer literalmente "mãos à obra", à

obra passei, mal liberto e solto, me agachei.

E justo no segundo movimento, oh céus, que ouço: um arrastar de patas triunfal

em meio à resfolgação infernal e era o Santo, com sua matilha, que por minha rua

se enveredava e toda minha concentração bem ao meio se cortava, se travava e a

linda abóboda que me inspirava e cobria, agora, devassa, de mim só ria...

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