Usina de Letras
Usina de Letras
40 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62134 )

Cartas ( 21334)

Contos (13260)

Cordel (10447)

Cronicas (22529)

Discursos (3238)

Ensaios - (10329)

Erótico (13566)

Frases (50542)

Humor (20019)

Infantil (5414)

Infanto Juvenil (4748)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140776)

Redação (3301)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1958)

Textos Religiosos/Sermões (6172)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Cronicas-->Vera Cruz, Santa Cruz, Brasil -- 14/05/2007 - 11:33 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
VERA CRUZ, SANTA CRUZ, BRASIL

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA (*)

11/5/2007

A visita do Papa Bento XVI ao Brasil reveste-se de caráter pastoral e, sem dúvida, Sua Santidade teve como objetivo mais importante atenuar a evasão de católicos para as Igrejas protestantes ou históricas, ou reformadoras (batista, anglicana, presbiteriana, luterana, metodista) e, sobretudo, para as evangélicas (pentecostais e neopetencostais). Mencione-se ainda as seitas, que na visão das igrejas tradicionais são aquelas entidades que, além da Bíblia, têm outro livro.

Os pentecostais se multiplicaram no decorrer dos anos e seus templos se ergueram em todo país, sendo que a Assembléia de Deus, criada em 1911, expoente do pentecostalismo, se tornará a maior das Igrejas evangélicas brasileiras. Em 1980, começaram a aparecer as Igrejas denominadas neopetencostais. A mais expressiva em termos numéricos e força económica e política é a Universal do Reino de Deus.

Quanto a influência da Igreja católica sobre a América Latina, desde o início da colonização foi tão grande, que teve toda razão Carlos Rangel ao afirmar em sua obra, "Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário", que nos países latino-americanos "o catolicismo soberano determinava praticamente todos os aspectos da vida dos indivíduos e da sociedade". Sem sombra de dúvida, a cruz da Igreja e a espada do Estado se entrelaçaram para fazer de nós o que somos.

Recorde-se que tanto a Espanha quanto Portugal tinham, além de objetivos económicos e políticos sempre presentes em empreendimentos coloniais, a finalidade de propagar a religião católica. Esta meta conferiu ao Estado daqueles países caráter confessional, cristalizado no régio patronato. Através desta instituição os papas outorgavam aos reis: jurisdição disciplinar em matérias mistas, provisões de bispados, faculdade de reter e examinar bulas e breves pontifícios, direitos sobre rendas, cobranças de dízimos e missões como a obrigação de cristianizar os índios.

Através do régio patronato, Estado e Igreja entrosaram poderes e influenciaram-se mutuamente. O rei tornou-se uma espécie de suplente do Papa para assuntos, inclusive, litúrgicos e teológicos. E o Estado se viu obrigado a submeter suas atuações políticas aos princípios da moral cristã sob pena de pecar gravemente, o que possibilitava à Igreja influir sobre a política real.

Como os demais países latino-americanos, o Brasil receberá a influência da Igreja junto às famílias, na educação, nas Constituições e mesmo em campanhas políticas. Desse modo, além de deter a hegemonia espiritual por longo tempo não admitindo outra crença ou lealdade, a Igreja católica constituiu-se em um de nossos principais mecanismos de socialização, portanto, propiciador de cultura.

Diante de tanta força, quais seriam as causas da evasão de católicos para as Igrejas protestantes, evangélicas, e em menor proporção para outras religiões? Pode-se dizer que entre estas causas estão, principalmente:

1º) A aceleração da urbanização a partir de 1940.

O meio urbano possibilita ao indivíduo maior liberdade e opções variadas, entre as quais se incluem as religiosas. No contexto rural onde a vida se passava de forma restrita, o domínio da Igreja católica era total.

2º) A Teologia da Libertação, cujos métodos diferem da Teologia tradicional católica.

A Teologia da Libertação, incorporando a teoria marxista à religião, dispensa o sagrado em nome da utopia final do Reino de Deus aqui mesmo na Terra. Este reino deve ser alcançado não exclusivamente pela via sacramental ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre o é, pela violência, pois se fundamenta na luta de classes. Os teólogos da libertação, autodenominados de "progressistas", se sentem imbuídos de nova missão evangelizadora da Igreja na qual a hierarquia se torna dispensável. No seu bizarro esforço para unir Jesus e Marx, eles proclamam sua opção preferencial pelos pobres. Entretanto, ao trocarem as pregações religiosas pelo discurso político, os "progressistas" afugentaram muitos fiéis que foram buscar em outras Igrejas ou religiões o elemento espiritual e mesmo emocional que lhes faltava nas pregações de esquerda dos clérigos da Teologia da Libertação.

Observe-se ainda, que diminuiu o número de sacerdotes enquanto aumentou a população, e nem a Renovação Carismática, que adota aspectos semelhantes aos dos petencostais, tentativa da Igreja para reverter a evasão de seus fiéis, tem impedido a diminuição de seu número enquanto aumenta o dos evangélicos.

Num Brasil onde campeiam de forma avassaladora o amoralismo político e social, a corrupção e a impunidade, e o "rei" pensa que o Papa é apenas um garoto propaganda mundial de seus "grandes feitos", dificilmente seremos a Terra de Vera Cruz ou de Santa Cruz como inicialmente fomos denominados. Considerando-se o livre arbítrio nem milagre de frei Galvão dá jeito no país, em que pese os esforços de Sua Santidade.


(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.





Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui