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Cronicas-->Poderíamos ter evitado o apagão aéreo -- 14/05/2007 - 17:00 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Entre 1997 e 2003, o brigadeiro da reserva Renato Cláudio Costa Pereira exerceu por duas vezes o mandato de secretário-geral da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) - único brasileiro a ocupar tal cargo nos mais de 60 anos de existência dessa Organização.

Hoje, Pereira mora em Varginha, MG, atua ainda como consultor e deu a seguinte entrevista ao jornal Correio Braziliense, 13/5/2007, seção "Mundo", pg. 22:


Correio - Como o senhor avalia a decisão do Itamaraty de retirar sua candidatura à reeleição, em 2003?

Pereira - Foi ilegal e absurda. Primeiro, porque a candidatura havia sido acertada com os países latino-americanos no ano anterior. Eu tinha o apoio do então chanceler Celso Lafer. A reeleição era dada como certa, até que, 10 dias antes da eleição, o ministro Celso Amorim, que havia assumido em janeiro, decidiu retirar minha candidatura. O governo não podia retirá-la, porque era uma candidatura regional, e não de um país. E o pior é que ninguém falou comigo. Não me consultaram, não me notificaram e nunca me pediram nada. Decidiram por mim, não me comunicaram da decisão e a anunciaram sem que houvesse tempo hábil para qualquer negociação. Comunicaram ao Departamento de Estado americano que a decisão de sair da disputa era minha. Isso é antiético. Para evitar um vexame diplomático, oficializei minha retirada. Mas os países que me apoiavam ficaram indignados com a manobra obscura e abrupta do Itamaraty.

Correio - O governo diz que havia um "acordo de cavalheiros" para apoiar o candidato africano...

Pereira - Eles não levaram em conta que o acordo foi descumprido pelos africanos. Eles deveriam apresentar seu candidato entre o final de 2001 e o início de 2002, para que fosse avaliado. Nunca iríamos apoiar qualquer nome, pois o cargo de secretário-geral é técnico, não meramente político.

Correio - O que o Brasil perdeu ao abdicar da sua reeleição?

Pereira - Perdeu a liderança no processo decisório da política sobre aviação civil internacional. Caiu em descrédito pela forma como fez isso, e abriu caminho para a crise que se instalou no país desde o ano passado.

Correio - Qual a relação entre o apagão aéreo e sua reeleição?

Pereira - Simples: eu saberia dos problemas antes. Poderíamos ter evitado o apagão aéreo. Em 2002, a FAA (agência de aviação civil dos EUA), depois de uma inspeção, estava em vias de classificar o Brasil na segunda categoria do seu sistema. Eu interrompi esse processo e coloquei a OACI para fazer uma auditoria no Brasil. Identificamos as deficiências e elas foram corrigidas no prazo de um ano. Isso impediu que o FAA fosse adiante no processo. Se houvesse uma auditoria nos últimos anos, poderíamos ter resolvido o problema da falta de controladores, ou qualquer carência técnica, antes que isso se transformasse numa crise.

Correio - A Aeronáutica teme que o Brasil caia do Grupo 1 no conselho da OACI...

Pereira - O Brasil sempre esteve no grupo 1, desde a criação da OACI. Mas, depois dessa performance muito pobre, corre sério risco de cair, e ter que disputar uma vaga no segundo ou no terceiro grupo. É triste. Há seis anos, nosso país foi o primeiro a ser reeleito, por unanimidade. O conselho da OACI é como um parlamento da aviação civil. O Brasil pode acabar no "baixo clero".

Correio - E quais as consequências desse rebaixamento?

Pereira - As piores possíveis. Sem assento no Grupo 1, também não poderemos presidir ou co-presidir o conselho ou qualquer comissão temática, como a de navegação aérea. Também não teremos direito a voto, o que deixa o país a reboque das decisões, mesmo as lesivas ao interesse nacional. Se o conselho decidir, por exemplo, condenar um motor que a Embraer está usando no projeto de um avião, ela poderá amargar um prejuízo de milhares ou milhões de dólares. O descrédito do sistema do controle do espaço aéreo brasileiro eleva o custo das operações no Brasil, o valor dos seguros. A Embraer, que á a quarta fabricante mundial, vai perder capacidade de concorrência. Os Estados-membros da OACI podem até proibir que empresas brasileiras voem para seu território, ou exigir inspeções próprias em nossa estrutura. E lá se vai nossa soberania...







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