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Artigos-->As cruzadas cristãs e os conflitos atuais no Oriente Médio -- 22/02/2003 - 17:54 (Alysson Amorim Mendes) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Para que possa ficar bem claro a relação que quero fazer aqui, é forçoso primeiro que analisemos o cristianismo sob duas visões distintas: o cristianismo real e o cristianismo secularizado. Muitos historiadores criticam a Igreja Cristã pelas suas atitudes no decorrer da história, é preciso no entanto saber dividir os cristãos, e conseqüentemente a Igreja Cristã , sob as visões acima citadas.



Pode parecer estranho dizer isto, mas de fato existem dois “cristianismos” distintos.



O primeiro é o real, aquele que realmente está preocupado em difundir e viver os ensinamentos de Jesus Cristo, ensinamentos estes baseados na humildade, na solidariedade, no perdão, na fé e principalmente no amor. Na História este cristianismo pode ser visto com muita nitidez logo após a morte de Cristo; a Igreja Cristã primitiva estava baseada nos grandes ensinamentos de Jesus, difundiu estes ensinos e os viveu intensamente. Estes cristãos eram inclusive perseguidos pelas grandes autoridades do Império Romano, mas eram ousados e através da pregação do Evangelho de Cristo alcançavam muitas pessoas. A Igreja Cristã não tinha nenhum status político ou econômico, pelo contrário, era perseguida e odiada pelas autoridades. É óbvio que este cristianismo não se limitou a este período, ele é óbvio, ainda existe, e teve momentos de renascimento na história, como na Reforma Protestante.



O segundo cristianismo é o secularizado. Ele surgiu com a adoção pelo imperador Constantino de Roma do cristianismo como religião oficial do Império Romano. Surgiu aí uma Igreja rodeada de interesses políticos, militares e econômicos. A Igreja começava a secularizar-se e conseqüentemente os cristãos também. Os fundamentos essenciais do cristianismo real eram deixados de lado, a Igreja havia se envolvido com o poder e o dinheiro. A Igreja Católica medieval é o grande exemplo do ápice desta secularização, o clero se encontrava no ponto mais alto da pirâmide social, a Igreja era a principal influência política numa sociedade feudal politicamente descentralizada. O clero dominava a educação e o latim e não permitia a população medieval uma interpretação correta dos reais ensinamentos de Cristo, a Igreja dominava mais de 1/3 das terras produtivas feudais, sinônimo maior de riqueza no feudalismo. Em miúdos, o cristianismo era utilizado para defender meros interesses políticos e econômicos das classes dominantes em detrimento das classes desfavorecidas e dos povos não-europeus. Este cristianismo secularizado ainda continua vivo na sociedade atual.



A partir daí podemos analisar as sete cruzadas cristãs sob uma ótica justa, chamando-as inclusive de “as cruzadas cristã-seculares”. Ótica justa por não permitir que o cristianismo seja compreendido de uma maneira única, o que não é fato como já ponderamos. As cruzadas cristãs foram promovidas com fins políticos e econômicos das elites, ou seja, o cristianismo foi utilizado com pretexto para trazer benefícios às elites e infortúnio a classe dominada e aos povos não-europeus.



Em 1095, o Papa Urbano II convocou a cristandade ocidental para uma guerra santa contra os mulçumanos, atendendo ao apelo do Papa, que era o poder político mais influente da Idade Média, os nobres, movidos por sua mentalidade guerreira e pelos interesses econômicos em dominar importantes cidades e locais do Oriente organizaram expedições militares, conhecidas como cruzadas cristãs. De 1096 a 1270 a cristandade secular organizou oito cruzadas contra os infiéis mulçumanos. Estas cruzadas, é bom ressaltar, não possuem nenhuma base na Bíblia, livro Sagrado dos cristãos.



As cruzadas deixaram um grande e desastroso legado; muitas mortes, fortalecimento dos ideais cristão-seculares e uma distância ainda maior entre o mundo cristão ocidental e mundo islâmico oriental. É relevante deixar claro que as idéias de jihad promovidas pelo islamismo foram incentivadas pelas cruzadas cristãs. O jihad é um importante tópico do islamismo, e quem demonstrou a “eficiência” deste método a Maomé foram exatamente os cristãos-seculares através das cruzadas.



Um dos interesses das cruzadas era o de utilizar-se da força para retirar da “terra santa”, Jerusalém, os islâmicos que ali habitavam. Esta guerra continua viva ainda hoje no Oriente Médio, é uma luta dos cristãos, secularizados é óbvio, contra o povo islâmico. Evidentemente a nação israelense não é cristã, mas recebe apoio incondicional do maior país cristão secularizado do mundo atual, os Estados Unidos.



O cristianismo secularizado continua vivo. Os poderosos cristão-seculares continuam levantando a bandeira da guerra contra o Oriente. Uma ameaça de guerra é evidente nestes dias, os cristãos seculares querem novamente tentar dominar os islâmicos através das armas, isto apenas aumenta o abismo que existe entre cristãos e mulçumanos, apenas atrapalha o trabalho dos verdadeiros soldados cristãos, os missionários interessados em levar unicamente o Evangelho de Cristo e programas sociais ao sofrido povo islâmico.



O poderoso império cristão-secular da atualidade, os Estados Unidos, continuam juntando suas forças com os judeus numa luta sem nexo contra o povo palestino em busca da hegemonia da “terra santa”, como se esta terra santa fosse mais importante que a vida de muitos palestinos e judeus, idéia que o cristianismo real descarta. E o pior, muitos cristãos apóiam esta injusta luta.



Enquanto os cristãos apenas criticam a atitude dos mulçumanos e apóiam a guerra contra este povo, os verdadeiros ensinamentos de Cristo continuam sendo rechaçados a cada dia com uma ênfase maior pelos islâmicos do Oriente.



Até quando o cristianismo secularizado vai continuar estorvando o trabalho do genuíno cristianismo?



Alysson Amorim, estudante

alyssonbh@ieg.com.br

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