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Cronicas-->Do caos ao colapso -- 01/08/2007 - 11:38 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Do caos ao colapso

PAULO BROSSARD (*)

Zero Hora, 30 Jul 07

Não sei mais o que se possa dizer do "maior e melhor de todos os governos em todos os tempos" na apreciação do seu chefe, depois do que aconteceu no setor aeronáutico; foram 10 meses de sinais inequívocos da insustentabilidade das condições do transporte aéreo e 10 meses das mais variadas declarações oficiais a seu respeito, sempre no sentido de louvar os serviços; mesmo depois do desastre a mesma impassibilidade, enquanto a nação, traumatizada, sofria com as dores que atingiam milhares e milhares de pessoas ligadas aos quase 200 mortos no horroroso episódio. Até que o presidente resolveu fazer uma reunião, ao cabo da qual divulgou um "pacote" de 10 medidas. Seriam 10. O que logo chamou a atenção é que, por mais sábias que elas fossem, todas elas, sem exceção, poderiam ter sido adotadas três meses antes. E o que foi pior, a situação nos aeroportos se agravou enormemente. O caos gerou o colapso. Sem falar nas famílias atingidas pelas mortes ocorridas, milhares de pessoas sofreram danos de toda ordem. Vóos cancelados. Vóos atrasados. Sofrimentos físicos e morais. Desconforto e incertezas. Passados não sei quantos dias, saiu um ministro e entrou outro. Até aí nada de extraordinário. No entanto, um dado ocorreu, protagonizado pelo presidente da República, que me parece inacreditável.

Na cerimónia de posse do novo ministro, o presidente declarou, eu ouvi, "digo categoricamente que é preciso repensar neste país o Ministério da Defesa. Porque o Ministério da Defesa, tal como está, está aquém daquilo que é a exigência da sociedade brasileira". Ora, o presidente está no segundo mandato, faz mais de quatro anos que é presidente, ele vem de nomear o quarto ministro da Defesa, e não tinha se dado conta do que ocorria na área da Defesa? Já fora candidato à Presidência três vezes, na quarta foi eleito e reeleito na quinta vez, faz mais de quatro anos que é presidente, quatro anos e meio, e só depois do segundo grande desastre, o último deles o maior já ocorrido entre nós, o presidente teve olhos de ver o que se passava no seu reino? Deflagrada a crise, faz 10 meses, o presidente não viu nada, não desconfiou de nada, não se inquietou com nada, nem os seus trinta e tantos ministros e outros tantos assessores de alta estirpe lhe segredaram coisa alguma? Na mesma ocasião o presidente reconheceu a existência de uma crise aérea, "coisa que todo o Brasil sabe", segundo suas palavras, quando declarava ainda em março, "quero prazo, dia e hora para a gente anunciar ao Brasil que não vamos mais ter problemas nos aeroportos brasileiros". É inacreditável e inverossímil.

Além do caos aéreo que, afinal, entrou pelos olhos do presidente da República, outros assuntos mereceriam ser comentados, como o menor crescimento económico do Brasil comparado com o maior de outros países e um esboço de crise no setor imobiliário norte-americano, que começa a inquietar o mundo económico e já produziu efeito entre nós. Também o aumento da dívida pública interna, R$ 105 bilhões no primeiro semestre, mas prefiro cuidar de assunto mais agradável.


(*) Paulo Brossard é jurista e ministro aposentado do STF.





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