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Cronicas-->Como é o egípcio atual -- 22/08/2007 - 15:29 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Como é o egípcio

O Egito: uma visão social sobre o povo

Tewfik Al-Hakim

http://www.khanelkhalili.com.br/egipcios.htm

Um dos mais proeminentes autores dentro do Egito, Tewfic Al-Hakim, escreveu em seu famoso romance "O retorno da Alma":

"A verdadeira sabedoria flui no sangue dos egípcios, mas sem o seu próprio conhecimento."

Você consegue acreditar que milhares de anos que fizeram parte da história do Egito simplesmente desapareceram como um sonho sem deixar traços?.

A mente egípcia é o resultado de milhares de anos de história acumulada. Sucessivos invasores deixaram sua marca, mas foram eventualmente assimiladas dentro do Egito no que os egípcios chamam de Mãe do Mundo, Om Eddunia.

Egípcios são amáveis, hospitaleiros e modestos. Eles também tem um senso de equilíbrio e moderação. Problemas no Egito, no entanto tem uma tendência para resistir as soluções. Todos parecem aceitar que o problema vai se resolver por si mesmo. Insha´Állah ("amanhã, se Deus Quiser") e Ma´lesh ("deixa prá lá", "não tem problema"), são parte do vocabulário essencial para o visitante.

O segredo para aproveitar uma viagem ao Egito é a paciência infinita.

Egito tem uma justa causa para seus problemas. Mais de 40%de seus homens são iletrados, mais ainda se pensarmos na população feminina; é super povoado e pobre. Há em alto grau o desequilíbrio na distribuição de riquezas. Sem um sistema de classes no Egito, sem títulos, a única forma de galgar a escala social é através da aquisição de riqueza.

Egípcios são orgulhosos e sensíveis. Orgulhosos de sua história mas sensíveis acerca de seu presente. Este paradoxo explica porque as pessoas não gostam quando fotógrafos estrangeiros sacam suas máquinas fotográficas e querem registrar imagens de seu dia a dia. A menos que sejam fotografados no que consideram ser uma situação em que podem se orgulhar, não se sentirão confortáveis em frente as lentes, preferem estar longe delas.

Egípcios são, de forma geral daltónicos, acerca de preconceitos. Outras raças são tratadas como iguais e recebem a mesma consideração que a sua própria. Estrangeiros vivendo no Egito, são tratados com respeito e tolerància. Egípcios no exterior muitas vezes se sentem chocados, e surpresos pelos problemas de preconceito racial que presenciam em outros países.

A Língua Árabe tem sua marca na mentalidade Egípcia. O Árabe Clássico é usado pela imprensa e em escrita oficial, mas o árabe falado é coloquial e varia de região para região. O Árabe coloquial do Cairo é largamente compreendido por todo o mundo Árabe por conta da influência dos filmes, canções e programas de tv.

O Árabe Clássico (a língua do Our´an), é a prova viva do passado glorioso. Só pode ser adquirida por educação formal e representa o ideal de alta estima para todos os que falam Árabe. Quando usada na sua melhor performance, a forma clássica do Árabe, é cheia de metáforas com rimas elaboradas e muito conteúdo dramático. Para a grande maioria dos egípcios o exagero e a dramaticidade além da conta, faz parte da cultura e é absolutamente encarado de forma muito natural. Isto também se reflete na forma coloquial da língua, usada na conversação do dia a dia. As pessoas aspiram pela forma clássica de discurso mas só usam e sentem-se confortáveis com o coloquial.

Este exagero muitas vezes leva a conflitos na comunicação. Um psicólogo egípcio uma vez contou uma estória de dois amigos, uma menina Inglesa e um garoto Egípcio. A garota reclamou que seu amigo estava importunando-a com suas declarações de amor, e se recusava a receber um não como resposta quando esta deixou claro que não tinha nenhum interesse nele. Por outro lado, o jovem Egípcio, confidenciou que a garota estava encorajando-o, apesar dele ter mostrado apenas um pouco de interesse nela. O psicólogo disse que ambos estavam dizendo a verdade, mas a diferença estava entre o exagero Egípcio e o excesso de auto afirmação, em relação ao excesso de tato Inglês levaram a uma indicação incompleta ou mal entendido.

Egípcios tendem a ser machistas numa sociedade que reconhece e premia a dominação masculina. O sistema patriarcal requer o suporte e lealdade de todos os membros da família e em contrapartida ele responde por oferecer aos mesmos segurança e proteção. Na ausência de um sistema de previdência social que ofereça algum auxílio, a manutenção da família vem sempre em primeiro lugar. Espera-se dos adultos que respeitem e cuidem dos mais novos. Nas áreas rurais, cuidados e lealdade também se estendem ao clã.

Egípcios são muito conservadores. Sua mentalidade é regrada pela noção de honra, especialmente se o assunto são mulheres, sua proteção e o que é esperado delas para que tornem sua proteção algo mais fácil para os homens. Mulheres devem se vestir apropriadamente e se vestir modestamente. Aquelas que se mostram um pouco mais, que seja por seu traje ou por falarem um pouco mais alto ou ter um comportamento provocante socialmente, trazem desonra para seus parentes e anfitriões. Tal comportamento é considerado um insulto para a família e um abuso de hospitalidade.

Egípcios, porém, podem competir com visitantes descorteses - eles tem recebido alguns pelos últimos milhares de anos. Enquanto tal comportamento é usualmente tolerado, cria-se um estereótipo do ocidental como fácil de levar. Num contexto cultural, isto combina perfeitamente com a relação amor e ódio que os Egípcios tem com o Ocidente. Para a mente egípcia, o Ocidente é materialmente rico e tecnologicamente avançado. Mas isso também é decadente e preconceituoso. Os Egípcios não conseguem entender a falta de auxílio do Ocidente para suas causas nacionais. Eles sinceramente recebem bem seus turistas de todas as partes do mundo, mas se sentem traídos quando lêem ou ouvem algo sobre, invasão no Líbano e Iraque, ou embargo para a Líbia. Para eles , isto equivale a: "Nossos convidados tomam nossa hospitalidade, e depois voltam para bombardear nossos irmãos..."

No Egito a cultura proeminente é o Islã. Há também o grupo dos Cristãos Cópticos. Eles não podem ser considerados uma minoria, pois pertencem a mesma raça e cultura de seus compatriotas muçulmanos. Um observador uma vez disse que todos os Egípcios são Muçulmanos, não importa se são Cristãos ou Marxistas. A cultura resultante é moderada e inclusiva, mesmo com aqueles que não são Egípcios. O recente problema com fanatismo é considerado pela maioria da população como algo importado e um fenómeno estranho. Egípcios amam a paz e odeiam violência. Mesmo a mais recente revolução em 1952 teve a baixa de um soldado, e ele foi morto por acidente!

Egito permanece como um dos países mais seguros e amigáveis no mundo para os turistas. Pode-se encontrar ajuda nas ruas e muitas vezes você pode ser convidado(a) a tomar chá ou mesmo compartilhar a refeição na casa de alguém que acabou de conhecer e que lhe ajudou com alguma informação. Suas ofertas são geralmente autênticas e não esperando por recompensa. Esta generosidade é parte da cultura e um produto das duras condições em que vivem, o que acaba valorizando o compartilhar e dar. O empurra empurra do mercado para vender bens locais aos turistas não tem absolutamente nada a ver com o caráter nacional do povo mas apenas com a competição livre num mercado por mais lucro.

Estes fatores também fazem com que nasçam outras características no perfil do Egípcio, tais como um sarcástico senso de humor. Eles riem de seu modo de vida, e tudo mais que viva sob o sol. Até mesmo os líderes políticos tomam como cumprimento o fato de serem motivo de chacota em piadas populares. A falta de piadas a seu respeito significa que algo vai muito mal.

Uma destas piadas foi favorita nos primeiros tempos do presidente Sadat, que veio ao poder depois do popular presidente Nasser. Ele literalmente desmantelou tudo o que Nasser fez mas em seus discursos públicos costumava dizer que estava continuando os passos de Nasser.

Dizia-se que Sadat teve uma excursão com a limusine presidencial, e quando o carro chegou ao cruzamento, o motorista perguntou ao presidente em que direção ele deveria ir. Sadat pergunta: "Em que direção foi o presidente Nasser?", "esquerda sua Excelência" . "Bem, sinalize esquerda e então vire a direita!

Saeidi, são usualmente os mais penalizados pelas piadas egípcias. A eles é dado o mesmo tratamento que se dá aos homens do Alabama ou aos Irlandeses no Reino Unido. No Cairo, é conhecido como tendo comprado o bonde de um trapaceiro. Ele entrou no bonde em seu primeiro dia no Cairo e ficou impressionado com a renda que a passagem poderia dar, então ele comprou o vagão todo de um trapaceiro que estava sentado a seu lado e lhe ofereceu, dizendo que poderia vendê-lo. O pobre Saeidi pagou com as economias de sua vida toda.

Outros exemplos de piadas Egípcias incluem as crianças espertas nas ruas e suas condições miseráveis de vida. Uma destas crianças se apresentou num hotel para um emprego que solicitava o Inglês como segunda língua. Ele foi solicitado pelo gerente (em árabe ) para dizer, venha aqui em Inglês, o que ele fez corretamente. Depois o gerente pediu que ele dissesse vá lá, mas ele não tinha resposta para esta segunda solicitação. Então ele pensou um pouco e disse - em Árabe - "Eu vou lá e depois que estiver no lugar certo eu digo vem aqui" - em Inglês.

Egípcios são muito religiosos. Eles pedem a misericórdia de Deus quando estão desesperados, usando a expressão Rahmetak Ya Rabb ("misericórdia oh Senhor"). Um desenho recentemente publicado mostra uma família pobre perto de um açougue muito caro. Enquanto seus olhos estão fixos na carne da vitrine, todos eles dizem Lahmetak Ya Rabb - your meat oh Senhor. Este tipo de piada sobre linguística raramente é traduzido.

Superstições são parte do modo Egípcio de viver. Corujas e gatos pretos são agourentos e então mensageiros de más notícias. Pesadelos podem ser totalmente mal interpretados. Fantasmas e espíritos são também temidos. No Egito ninguém deixaria um chinelo ou sapato virado de cabeça para baixo, ou um par de tesouras aberto, todos estes são símbolos de má sorte. Nunca jogam pão no chão, e se acham um pedaço pegam e colocam ao lado de uma esquina para que não seja pisado. Superstição é contida pela fé em Allah.

Costume relevante para os visitante inclui a obrigação social de ser generoso com os convidados de sua casa. Comer juntos cria um elo de amizade. Há também a santidade do lar, nunca entre numa casa se não for convidado. O respeito aos pais é parte do forte vínculo familiar, que obriga os membros a serem solidários em qualquer situação.

Em todos os aspectos sociais não há grande distinção entre Muçulmanos e Cópticos. Exceto por ocasiões religiosas, o código social é o mesmo para todos os Egípcios. Felizmente, não se espera que os estrangeiros saibam seguir este código, mas é muito apreciado se mostrarem consciência acerca dos costumes locais, e da língua ainda que de forma rudimentar. É prudente evitar discussões sobre política, religião ou a posição das mulheres no Egito. Estes tópicos com certeza vão criar mal entendidos e frustrações. Mas uma conversa em Árabe bem simples ou Inglês rudimentar, uma piada sobre o tráfego, um comentário positivo sobre a vida no Egito, vai ser muito bem recebido. Para o turista, um pequeno esforço vai trazer um resultado enorme para que sua chegada seja bem vista e sua visita apreciada.



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