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Cronicas-->Alerta para a América Latina -- 29/08/2007 - 10:42 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
ALERTA PARA A AMÉRICA LATINA, Editorial no

Editorial do Estado de S. Paulo

Enquanto se esforçam para adivinhar os desdobramentos da crise financeira, os analistas económicos estão de acordo pelo menos sobre um ponto quanto aos emergentes: com algumas exceções, estão muito mais preparados que nos anos 90 para resistir a choques externos. Essa avaliação positiva inclui o Brasil. Mas seria ingênuo falar de imunidade, ressalvou o vice-diretor-gerente do FMI, John Lipsky. No caso de problemas sérios nas principais economias, nenhum país ficará livre de algum prejuízo.

A declaração mais pessimista a respeito do Brasil partiu do economista alemão Heiner Flassbeck, ex-vice-ministro de Finanças de seu país e hoje funcionário da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo ele, Brasil e Turquia são os mais expostos a problemas, no caso de uma crise prolongada. Não dá para entender por que nos coloca nessa companhia. A economia turca deve crescer 6% neste ano, mas a inflação está projetada em 9,4%, o déficit fiscal é estimado em 2,8% do PIB e sua conta corrente deve ter um rombo, neste ano, superior a 6% do PIB. Os fundamentos da economia brasileira, neste momento, são bem melhores, apesar de alguma fragilidade fiscal.

Segundo Flassbeck, uma crise prolongada nos mercados financeiros pode estimular a saída de capitais, especialmente especulativos, mas ele mesmo reconheceu que isso não causará grande incómodo ao Brasil, pois o real, apesar da instabilidade recente, continua supervalorizado. O País será afetado mais seriamente no caso de uma redução sensível do crédito internacional. Essa mudança será acompanhada, quase certamente, de condições mais difíceis no comércio global, pois o consumo tenderá a esfriar em alguns grandes mercados, a começar pelos EUA. Em relação a esse ponto, o comentário de Flassbeck parece bastante ponderado.

Já Osvaldo Kasef, da Comissão Económica para América Latina e o Caribe (Cepal), preferiu enfatizar o que há de positivo no cenário latino-americano. A maior parte dos países da região tem fundamentos bem melhores que nos anos 90, lembrou o economista, repetindo uma opinião ouvida muitas vezes nas últimas duas semanas. Todos poderão ter alguma perda, no caso de um enfraquecimento do comércio internacional, mas aqueles com mercados mais diversificados - caso do Brasil - serão menos afetados. O impacto maior será observado nas economias mais dependentes dos EUA. O caso mais evidente é o do México. Países da América Central e alguns do Caribe possivelmente caberão nessa lista.

Kasef, no entanto, reconheceu alguns importantes pontos fracos na maior parte das economias latino-americanas e nenhum governante deveria menosprezar esse aspecto. Os gastos públicos têm aumentado em quase toda a região, mas continua insuficiente o investimento produtivo. A média regional fica próxima de 20% do PIB e é muito baixa para sustentar um crescimento prolongado. O risco fiscal é particularmente preocupante, segundo o economista, no caso dos países mais dependentes de impostos sobre a exportação de petróleo. Além disso, há pressões inflacionárias em alguns países da região e as moedas permanecem valorizadas.

Algumas dessas advertências têm sido feitas, há alguns anos, por economistas do FMI. Os governos da região, segundo esses economistas, pouco aproveitaram os anos de prosperidade para avançar nos programas de reformas, eliminar distorções e preparar seus países para crescer com segurança.

Todos esses comentários aplicam-se perfeitamente ao Brasil. O discurso triunfalista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, "viola" a prudência necessária neste momento. O Brasil dispõe, agora, de boas condições para resistir aos primeiros impactos de uma crise financeira internacional. Não será forçado, de imediato, a um forte aperto de cinto para ajustar as contas externas e para deter um surto inflacionário devastador. Mas não está preparado para manter um crescimento razoável, por vários anos, em condições internacionais menos favoráveis que as dos últimos cinco anos. Fora do governo, e até do País, muita gente sabe disso. Falta Brasília reconhecer esse fato e cuidar, sem maior atraso, de promover as mudanças necessárias.



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